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Músicas, Livros, Cursos, Atendimentos, Budismo e Nova Espiritualidade. Blog de Paulo Stekel com todas as novidades do seu trabalho como músico, escritor, instrutor e pesquisador da Espiritualidade Universal. Confira os livros disponíveis, seus álbuns musicais já lançados, a lista de cursos à disposição e os atendimentos. ***** Contato: pstekel@gmail.com ***** © 2014 Paulo Stekel – todos os direitos reservados - all rights reserved

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Aromatologia na Saúde - curso online

Descubra o poder dos óleos essenciais

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e emissão de Certificado pelo IBRA


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Fabian Laszlo, 39 anos, é aromatólogo com mais de 20 anos de vida dedicados à pesquisa de óleos essenciais. Este curso é aguardado há anos em todo o Brasil de forma ansiosa por inúmeros aromaterapeutas, profissionais de saúde, pesquisadores e cientistas, assim como por pessoas que buscam compreender de forma profunda como os óleos essenciais agem.

A capacidade de Fábian tornar conhecimentos técnicos e científicos fáceis para a compreensão do leigo é um diferencial de suas aulas, além de sua generosidade em repassar informações raras e preciosas que chegaram nas últimas décadas ao Brasil graças ao seu trabalhado dedicado e à sua paixão pelo tema.

Fabian é o criador da empresa Laszlo (www.laszlo.com.br), de cosméticos, produtos de aromaterapia e, agora, editora de livros. Organiza o maior Congresso Internacional de Aromatologia (www.congressoaromatologia.com.br) no País e possui uma escola (www.ibraromatologia.com.br) voltada ao estudo dos óleos essenciais.

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Neste Curso você vai aprender:

MÓDULO 1

Evolução das famílias botânicas e os motivos que levaram as plantas a fabricarem cada grupo químico aromático ao longo das eras terrestres. Visão do óleo essencial como a “voz das plantas”

Angiospermas, gimnospermas X evolução do encéfalo animal.

Metabolismo secundário: via do mevalonato e shikimato na percussão das moléculas de óleos essenciais.

Estudo da farmacocinética dos óleos essenciais (fase 1 e 2, albumina plasmática, citocromo P450, modificações químicas, metabolismo, vias de excreção e interaçções medicamentosas)

Estudo do sistema antioxidante do corpo (catalase, glutationa e superóxido), radicais livres, potencial antioxidante, regenerador, indutor e inibidor enzimático dos óleos essenciais.

pH do corpo e celular, pH de enzimas induzidas por óleos essenciais, fatores alcalinizantes e acidificantes , sistema tampão e meios de alcalinizar o corpo via alimentação e de suplementos.

Estudo da classe dos menoterpenos hidrocarbonetos (1ª família química que surgiu na Terra) e os óleos ricos nestes compostos (estudo botânico, fotoquímico e quântico)


MÓDULO 2

Metabolismo secundário e a via do acetato-mevalonato na síntese de ácidos graxos e colesterol

Estudo das 12 famílias de ácidos graxos, ações farmacológicas e terapêuticas, principais plantas e onde são encontradas

Ácidos graxos como precursores de hormônios e sinalizadores imunológicos, e sua participação nas inflamações (prostaglandinas e citocinas)

Omega 3 X Omega 6: seu papel na definição da hetero ou homossexualidade durante a gestação, influências psíquicas e no comportamento por parte destas gorduras, papel nas doenças imunológicas (alergias e inflamações), circulatórias e outras.

Mecanismo anti-inflamatórios dos óleos essenciais e de seus principais grupos químicos (inibição da COX, prostaglandinas, citocinas, ação antioxidante dos fosfolipídios)

Potencial de aplicações e vias de ação analgésica dos OE.

Minerais e vitaminas essenciais e suplementação para ativação de enzimas, citocinas e prostaglandinas anti-inflamatórias.


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domingo, 27 de novembro de 2016

Como vencer medos à beira do precipício

Por Paulo Stekel


Advertência! Antes de ler, sigam à risca a velha recomendação: não façam isso em casa, crianças!!! Os relatos contidos no texto não são uma apologia ao risco, embora ele permeie a vida humana o tempo todo e, por vezes, devamos nos servir de métodos pouco ortodoxos para enfrentar medos. Que cada um meça a sua loucura e siga até onde necessário para encontrar-se neste vasto universo.

Quando tinha 13 anos, meu medo de altura me impedia de seguir meu irmão do meio, 11 meses mais novo que eu. Ele era meio aloucado desde novinho, e a altura não lhe era problema. Sempre desafiou a vida, às vezes sem medir consequências, até morrer em um incêndio, em 2012. Na época dos meus 13 anos, íamos todos os finais de semana fazer trilhas nas montanhas da Serra Geral em Santa Maria e Itaara (hoje uma cidade emancipada no RS) e, não poucas vezes escalamos paredões e nos embrenhamos na mata sem qualquer conhecimento prévio, à cata de cachoeiras e lugares de difícil acesso, guiados apenas por nossa intuição e paixão pela natureza.

Mas, até isso ser possível, tive que vencer meu medo de altura. Havia um prédio em construção na mesma quadra de casa, no centro de Santa Maria. Tinha uns cinco andares e estava só no esqueleto, recém erguido. Então, as bordas do último andar não possuíam qualquer contenção ou segurança. Meu irmão invadia o prédio e se equilibrava nas bordas sem o menor receio de cair. A autoconfiança dele parecia evocar um poder. Resolvi testar. Mas, como bom virginiano (ele era leonino), fui tateando cada passo, até perceber que o segredo era não olhar para baixo com atenção na altura e também me concentrar a ponto de sentir o prédio como parte de mim. Assim, fui até o fim do percurso sem nenhum acidente, nem medo. Sentia a altura, o frio na barriga, o vento e isso acabou por me dar prazer. Um misto de respeito, atração e um medo subliminar como medida de segurança. Escaladores relatam estas mesmas sensações, em geral. Enfrentar os medos requer um pouco de risco, sim. Não imprudência completa, loucura ou achar que nada vai acontecer de ruim. A realidade é dura. O mundo é inconstante, incontrolável e impermanente.

Entre meus 13 e 18 anos, eu e meu irmão saímos quase todos os finais de semana para as montanhas, em busca de lugares novos, desafios, paisagens lindas e um contato maior com a natureza. Escalamos paredões de antigas pedreiras nesta época. As pedreiras são relativamente perigosas, por causa das pedras soltas. Mas, felizmente, nunca tivemos quedas sérias. Meu pai só ficou sabendo do que fazíamos aos finais de semana quando eu atingi a maioridade. Como ele mesmo disse, já que nunca voltamos de maca para casa, estava tudo bem...

Por volta dos meus 23 anos, passei por outra experiência com altura. Estava numa situação complicada de romance com uma pessoa que, apesar de ter uma inteligência privilegiada (era um superdotado, com QI muito acima da média), tinha vários problemas emocionais causados, entre outras coisas, pela evidente homofobia do pai, que achava que poderia impedi-lo de expressar sua orientação sexual por meios de reversão (ele tentou até Rebirthing {Renascimento} para isso!), o que, obviamente, não obteve sucesso.

Num momento em que o objeto de meus sentimentos entrou numa fase meio suicida, resolvi usar um método que minha intuição me fizera acessar em um instante. Levei-o até o precipício do paredão que eu mesmo já escalara várias vezes e o conduzi até a beirada. Lá, o fiz pensar sobre o equívoco de se recorrer ao suicídio, quando a vida possui tanto para se ver, sentir, ouvir e vivenciar. Então, disse-lhe: se você pular, eu pulo com você e morremos os dois, pois não vou largar o seu braço. Esta atitude fez ele pensar na existência do outro e o quanto os pensamentos suicidas escondiam um egoísmo angustiante. Após o insight, ele se afastou da borda e se sentou como se tivesse tirado toneladas de sobre os ombros.

Poucos anos depois, um amigo que também escalava comigo, mas que era muito mais jovem e imprudente, sofreu um acidente sério numa escalada. Eu o conduzia pelo binóculo e percebi que por determinado lado era bem mais perigoso. O avisei, mas ele mesmo assim quis ir por ali. Sob risco, a teimosia pode ser muito mais perigosa. Ele caiu por uns cinco a sete metros e conseguiu se segurar em um arbusto, quase rasgando a virilha. Como estava num ponto em que não poderia voltar, apenas subir mais, teve que completar a subida mesmo ferido e fazer a volta para descer. A adrenalina ajudou, pois ele aguentou até descer e, quando chegou à minha frente e das pessoas que viam tudo de baixo, desmaiou por alguns instantes, extenuado. Nunca mais escalou. Eu mesmo, escalei poucas vezes depois.

Numa de minhas últimas escaladas, fui atacado por formigas bem no meio do percurso. Onde estava, mal podia me movimentar. Espernear, era queda na certa. Eu sempre escalei sem equipamentos. Então, o perigo era bem maior. Ao lado, um pessoal fazia rapel e perguntou se eu precisava de ajuda. Disse que não. Mesmo sendo mordido por elas, entrei em processo de meditação, algo que já tinha aprendido, e consegui suportar a dor como nunca, até subir um pouco mais e conseguir retirar as formigas grudas em minhas mãos e braços, já avermelhados. Respirei fundo, e consegui. Se me apavorasse, seria o fim. Mas, nesta época, o medo de altura não me era mais problema, e a tolerância à dor através da respiração e meditação era uma técnica que estava testando.

Eu devia ter uns 28 anos quando fui chamado por um amigo para conversar com uma parente de sua mulher que tentara se jogar do alto do prédio naquela manhã. Ela devia ter uns quarenta e poucos anos, e eu perguntei o que teria a dizer a alguém bem mais velha, professora, diretora de escola, com mestrado, etc. Ele disse que apenas sentia intuitivamente que eu poderia dizer alguma coisa que a fizesse recobrar a sanidade. Ela tentara jogar-se do alto do prédio e, na hora derradeira, a empregada da casa a agarrou pelas pernas e impediu que ela morresse. Ou seja, ela realmente estava se suicidando! Desde então, ela não deixou mais ninguém entrar no quarto, nem um psiquiatra. Pensei que não teria a menor chance de entrar e lhe falar.

Quando a porta se abriu, e ela viu aquele rapaz de 28 anos com cara de 18, nada ameaçador, resolveu aceitar conversar comigo. Sentei com ela e conversamos por uma hora sobre crenças, religião, Deus, Buda, ela me falou da vida de casada, da escola. Seu marido tinha amantes e gastava muito dinheiro com elas. Quando ela pediu a separação, ele ameaçou lhe tirar a filha e fez várias chantagens, tornando a vida desta mulher um inferno. Ela surtou.

Depois de ouvir o relato atentamente, lhe perguntei: o que você sentiu quando se atirou pela janela hoje pela manhã? Não teve uma sensação de liberdade? De desapego total? Sim, pois, para se matar, uma pessoa abdica de tudo, dos problemas, das pessoas odiadas, das amadas, e até da própria vida e da noção do eu.

Ela concordou comigo. Sentira tudo isso. Então, lhe desafiei: se você se desapegou de tudo quando se atirou, por que deveria pegar tudo de volta agora?

Como assim?, ela perguntou.

Simples, respondi. Se você se desapegou de tudo, de seu marido, da filha e do seu trabalho, que eram fontes de estresse, mesmo não tento morrido, porque a empregada a salvou, por que você teria que pegar isso tudo de volta com todo o seu peso? Mantenha-se sem o peso do apego. Mude o inferno de lugar!!! Ou se atire por esta janela novamente – abri a janela e lhe dei a opção.

Ela teve o insight, e não se atirou, pois entendeu o poder que tinha dentro de si. Ela tinha se permitido fragilizar, e tinha a opção de se fortalecer. Enfrentou o marido com unhas e dentes, se separou, ficou com a guarda da filha, voltou a trabalhar na escola e começou a estudar a espiritualidade. Um ano depois, me ligou para agradecer a ajuda e dizer que tinha se tornado uma outra pessoa. Lera livros, começara a fazer cursos de Reiki, terapias, etc., e estava vendo a vida de uma outra forma. Vencera o medo de viver.

Vencer os medos requer assumir riscos. E, riscos, não podem ser cem por cento controlados. São como cirurgias. Por mais simples que sejam, sempre há um risco. Há risco em viver, risco em amar, risco em atravessar a rua, risco em interagir com o outro. Enfim, a vida é um risco e todos nós, que ainda estamos vivos, somos, de alguma forma, heróis.

Meu desafio mais recente foi aprender a nadar. Passei 44 anos de minha vida sem o saber. Escalava paredões, mas não nadava. Meu falecido irmão era um exímio nadador. Fiz natação por um ano e resolvi este medo de não sentir os pés na areia quando mergulhava. O elemento que me faltava foi integrado a meu ser... Moro numa ilha mágica – Florianópolis – e tenho uma mescla do que já vivenciei ao longo da vida: montanhas, rios, altura, praia e muita meditação.

Ao nos vermos à beira dos precipícios da vida, este é o momento exato em que devemos perder os medos, enfrentá-los, e bem ao estilo “se der medo, vai com medo mesmo”. Sem o reconhecimento dos próprios limites, o ego não se libera e não é possível que brote a coragem, a energia necessária para o ato de libertação. Nossos medos, quando vistos como propulsores, podem nos conduzir a grandes realizações. Foi a lição que aprendi até aqui, enfrentando meus próprios medos à beira dos meus precipícios. Permita-se apreciar seus precipícios e contemplá-los como paisagens deslumbrantes. Sentir o cheiro de liberdade é algo muito precioso. Vencer o medo é um modo de iluminação.



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Trechos de Palestra de Stekel sobre Canalização na UFSC

Canalização na Academia

Trechos de palestra de Paulo Stekel sobre Canalização para o NEDECC - Núcleo de Estudos e Desenvolvimentos em Conhecimento e Consciência (UFSC - Florianópolis/SC) em 21/11/2016.


Ebook gratuito sobre Cabala para você



Se você gosta de Cabala, Nomes Divinos e Códigos Cabalísticos, temos para você este ebook gratuito chamado "Cabala Prática para a Vida".

Ele faz parte do Método Códigos Cabalísticos Pessoais & Gerais, organizado e desenvolvido pelo cabalista Paulo Stekel. Para pedir seu ebook gratuito, envie mensagem para pstekel@gmail.com e você receberá em seguida o arquivo digital.

Confira abaixo alguns dos Códigos Cabalísticos ensinados no método:










sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Espiritualidade, Nova Espiritualidade e Pseudo-espiritualidade

Por Paulo Stekel



Espiritualidade X Religião

A palavra “espiritualidade” é um conceito mais amplo que “religiosidade” ou “religião”. Religião está mais associada à prática formal de uma doutrina ou crença baseada num conjunto sistematizado de regras, dogmas, promessas e proposições. As religiões dogmáticas (Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Parsismo, etc.) enfatizam mais as promessas (Salvação, Vida Eterna), enquanto as religiões filosóficas (Budismo, Taoismo, Confucionismo, etc.) enfatizam mais as proposições (Libertação, Comunhão, Iluminação, Perfeição, Despertar). As primeiras tentam convencer pelo medo, enquanto as últimas tentam seu objetivo pela ideia de livre-arbítrio.

As religiões mais dogmáticas não são muito amigas do pensamento livre, do questionamento crucial e da análise do dogma, salvo nos círculos fechados onde os interesses do clero religioso são gestados, alimentados e conservados.

As religiões filosóficas enfatizam muito o pensamento livre, o questionamento e mesmo a prova lógica do ensinamento, como acontece no Budismo.

Ambos os tipos de religiosidade estão dentro do conceito mais amplo de “espiritualidade”, que é uma tendência natural no ser humano. Uma tendência de buscar respostas aos questionamentos básicos da vida e da morte numa base transcendental. A espiritualidade não se apega a dogmas, como a religião/religiosidade, mas sim a experiências. Para a espiritualidade, o vivenciar é muito mais importante e desejado que a sistematização de tudo num dogma que pretenda dar todas as respostas. Vemos muito disso nas práticas espirituais xamânicas, mediúnicas e psíquicas. Neste tipo, o dogma não tem a mesma força que possui nas grandes religiões formais organizadas. Cada indivíduo (xamã, médium, canal) é um repositório de conhecimentos universais transmitidos em sua manifestação de consciência alterada e a pessoa de maior autoridade no grupo espiritual enquanto a manifestação se produz. Neste caso, o fenômeno místico é o aspecto mais importante. O antigo Profetismo de Israel se encaixava também neste conceito. Os Profetas se opunham claramente aos sacerdotes, eram mais incisivos, e a maior parte deles morreu de forma terrível (enforcados, decapitados, defenestrados, apedrejados), devido à represália dos detentores do poder religioso (sacerdotes e governantes a eles aliados).

Enquanto a religião segue ditames predefinidos (os dogmas), a espiritualidade privilegia a espontaneidade do fenômeno místico, da comunhão com o Transcendente e da integração com o Universo, em variadas modalidades (teísta, não-teísta, ateísta, etc.). A Espiritualidade é uma dimensão humana que traduz, conforme várias “linguagens sagradas”, o modo de ser e de viver característico de alguém que busca a perfeição na relação com o Transcendental (Deus, Buda, Absoluto, Mente Cósmica). Espiritualidade é um estado de consciência não-condicionada pela mente; teria mais a ver com essência e consciência do que com crença religiosa.

Todos os fundadores de novas tradições espirituais de certa forma “subverteram” a visão espiritual dominante em sua época, mas sempre apresentaram novas alternativas. Isso os diferencia dos simples contestadores da religião, que nada de bom e de novo apresentam para a humanidade. Buda contestou o sistema de castas de sua época, Jesus criticou fariseus e saduceus e sua visão elitista da religião, Maomé combateu a idolatria cega e hipócrita de seu tempo, Moisés lutou contra a relação superficial meramente propiciatória do povo hebreu com a Divindade.

Divergências à parte, todos estes fundadores de religiões apresentaram argumentos novos junto a algo palpável para auxiliar os sofredores. Isso está na raiz da espiritualidade. Quando eles morreram é que tudo mudou e o dogma se inseriu, deturpando a mensagem original.

A noção de uma “Espiritualidade da Nova Era”

Alguns consideram o movimento popularmente chamado de “Nova Era” como uma religião com muitas subdivisões, uma coleção de metafísicas de influência oriental, uma mescla de teologias, pensamento positivo, poder mental, ética e amor pela Natureza. De acordo com esta visão, o movimento “new age” (lit. “nova era”) seria uma teologia ou uma filosofia de bem-estar, tolerância universal, fraternidade, universalidade e relativismo moral.

Contudo, uma análise rápida do que seja uma religião prova que este pensamento é equivocado. Entre as características principais de qualquer religião, estão: crenças relacionadas com o sobrenatural, o divino e o sagrado; derivação de rituais e códigos baseados nestas crenças; a religião inspira certas normas e motiva certas práticas; conceitos-padrão como sacro-profano-deus; relatos sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, sobre a morte e o pós-morte; exigência de uma fé individual e adesão a um certo grupo social; crença em seres superiores que influenciam ou determinam o destino humano; determinação da moral, dos códigos de conduta e do senso cooperativo em uma comunidade; origem da religião através de uma “revelação”; sacralização de certos locais; um corpo de doutrina coeso e geralmente “fechado”, ou seja, que não admite modificações, pelo menos nos pontos cruciais da doutrina (a crença em Deus, por exemplo, no caso das religiões teístas).

Muitos destes elementos faltam ao que se chama de movimento “nova era”. Não é uma religião ou filosofia “codificada”. É uma mescla de muitos pensamentos distintos sobre espiritualidade. Enquanto nas religiões as diferenças são sentidas no nível das “seitas” e “escolas”, no movimento “nova era” são sentidas no nível dos “indivíduos”, o que dificulta qualquer coesão. O grupo social parece substituído por adesão a certas organizações quase empresariais, nas quais tudo funciona na base do comércio. Falta de senso cooperativo, exatamente pela predominância do indivíduo e não do grupo na prática espiritual. A não existência de “mestres” ou “instrutores” de linhagem, mas de “mestres” auto-instituídos que não deixam sucessores à altura. A não existência de corpos de doutrina coesos, pois todo o ensinamento continua “em aberto”.

Por tudo isso, podemos definir o que se chama de “nova era” mais como uma “tendência de visão espiritual” do que como uma nova religião, seita ou filosofia. Essa tendência pode permear várias práticas religiosas, influenciando-as sutilmente através de uma proposta conhecida por “universalismo” ou “espiritualismo universalista” que seria, em poucas palavras: Ideologia baseada nas teorias do Carma e da Reencarnação que insta cada indivíduo a não aderir com exclusividade a qualquer credo, sistema ou doutrina, mas a fazer sua síntese pessoal das diversas correntes de pensamento espiritual (religiões, filosofias e neociências transcendentais – neocabala, projeciologia, etc.). Esta tendência, portanto, pode se manifestar em diversos graus em várias religiões, filosofias ou seitas, sem ser ela mesma uma religião.

Uma “nova espiritualidade”

Partindo da noção de “espiritualidade nova era”, podemos ampliar a compreensão para um conceito mais amplo: o de uma “nova espiritualidade”.

Até mesmo o Dalai Lama, tempos atrás, deu declarações no sentido de uma nova forma de pensarmos a religião e a espiritualidade. Ele disse: “Todas as maiores religiões do mundo com suas ênfases em amor, compaixão, paciência, tolerância e perdão podem e de fato promovem bons valores internos. Mas a realidade do mundo de hoje é que a ética básica que encontramos nas religiões não são mais adequadas. Esse é o motivo porque estou cada vez mais convencido de que chegou o tempo em que precisamos encontrar uma forma de pensar acerca de espiritualidade e ética que vá além das religiões de forma completa.”

Ir além das religiões é o objetivo da “nova espiritualidade”. Didaticamente, poderíamos dividir a espiritualidade em uma “espiritualidade clássica” e outra “emergente”.

A “espiritualidade clássica” corresponderia à proposta pelas grandes religiões clássicas (tanto antigas quanto modernas), pelas filosofias delas derivadas e pelo espiritualismo, Teosofia e Ocultismo com raízes no Séc. XIX e início do Séc. XIX. Em todas essas vertentes, a razão ainda é respeitada em maior ou menor grau.

A “espiritualidade emergente” corresponderia à proposta pelo pensamento sistêmico, pela visão holística, pelo movimento “nova era”, pelo “espiritualismo universalista” e pela “nova espiritualidade” (isto é, tudo o que não se encaixa no “clássico”). Esta forma de espiritualidade já estaria a influenciar alguns ramos da espiritualidade clássica. Na verdade, a filosofia do extremo oriente tem muito a ver com a emergência de uma nova espiritualidade. A nova espiritualidade inaugura, finalmente, o protagonismo espiritual do indivíduo, contra a massificação de “cordeirinhos” típica da espiritualidade clássica.

No livro “Cuidado de si, consciência do mundo”, o sociólogo Raphaël Lioger descreve o cenário atual de transformação radical da religiosidade, com o sagrado invadindo praticamente todas as esferas da vida social. Numa entrevista concedida a Antoine Dhulster, e publicada na revista Témoignage Chrétien, 23-06-2012, Lioger disse (tradução de Moisés Sbardelotto):

Eu acredito que o nosso mundo desenvolvido, ou pós-industrial, está submetido a uma nova tensão mítica, a um novo grande relato. Nesse novo marco, o indivíduo busca a sua realização, a resposta às suas perguntas metafísicas, em um processo que inclui preocupações globais: a ecologia, a paz mundial, etc. A tensão entre essas duas dimensões – individual e global – é o que chamo indivíduo-globalismo.

(…) Na antiguidade grega, pensava-se o ser humano como uma pessoa que adquiria sua dignidade na participação na vida da polis. Depois, dependendo dos contextos e das épocas, na vida da tribo, da família e da nação. Na época moderna, nasce o indivíduo. O conceito de indivíduo é a ideia segundo a qual o ser humano se volta à sua subjetividade, que é abissal, e que se torna, ela mesma, uma espécie de transcendência. (...) Também a partir da época moderna, se desenvolve uma visão do nosso universo como um conjunto infinito.

(…) Há uma coexistência entre esse esquema e as grandes religiões. Estas continuam existindo porque o velho mundo, que as criou, ainda existe. Mas estamos em um período de transição. E, a meu ver, existem três possibilidades para as grandes religiões: ou resistem agarrando-se ao passado e, nesse caso, haverá a fuga dos fiéis; ou fazem compromissos com a modernidade e se mantêm vivas; ou antecipam as transformações futuras e, nesse caso, aumentarão seus fiéis.

(…) As religiões se recompõem em torno a uma noção central, a energia, que é, ao mesmo tempo, salvadora e pessoal. Daí a noção de conexão, de conectividade entre o individual e o global, entre o indivíduo e a natureza. Nesse contexto, o próprio dogma católico é reinterpretado com essa ideia de energia. É preciso pensá-lo perto do imaginário da ioga, da espiritualidade oriental. (…) Por exemplo, incensaremos o taoismo ou o budismo, porque se pressupõe que sejam próximos à natureza. E, simetricamente, rejeitaremos o catolicismo... mas só em um primeiro momento, porque certos aspectos do catolicismo permitem pensar a ecologia, a união com a natureza, o equilíbrio global. É neste jogo de confrontos que o rolo compressor indivíduo-global avança e aproxima as religiões, focando-se na sua estética, mas removendo-lhes o seu núcleo dogmático. As religiões tornam-se pouco a pouco intercambiáveis. Na prática, vê-se o aparecimento de híbridos: faz-se ioga cabalística, gi gong cristão ou meditação zen recebendo a comunhão...”

Estas palavras servem-nos como introdução ao que seria a proposta (ainda em aberto) de uma “nova espiritualidade”. Inicialmente, podemos dizer que essa tendência ou visão emergente, alcunhada de “nova espiritualidade”, não é uma religião, não exige um conjunto de rituais e nem depende de mestres, gurus ou intermediários entre o homem e o divino, o transcendente. Ao mesmo tempo, essa visão emergente não contradiz as religiões, mas propõe uma visão universal dos conceitos e princípios espirituais centrada no “seja seu próprio Mestre”, a propósito, um conselho de Buda a seus discípulos.

O renascimento do antigo paganismo também pode ser considerado dentro do contexto da nova espiritualidade, pois este “renascimento” não é o ressurgimento do antigo paganismo tal como fora no passado, mas com as cores da modernidade. Isso se deve a vários fatores, incluindo o fato de que muito do antigo paganismo original se perdeu, tendo de ser completado com noções mais recentes. De qualquer forma, o novo paganismo, como parte da “nova espiritualidade”, é uma cosmovisão, um modo de ver e entender a realidade, que bebe em fontes de religião e filosofia gregas, nas antigas religiões de Mistério, no paganismo romano, celta, escandinavo, etc. Assim como o todo desta “nova espiritualidade”, parece ser essencialmente monista – o Monismo é uma teoria filosófica segundo a qual a realidade consiste num único elemento, num universo uno e harmônico, onde todas as coisas são formas de uma só substância.

A emergência

Tudo começou nos anos de 1960-1970, com a contracultura, os movimentos pacifistas, os hippies e as novas tendências da psicologia. Nesta mesma época nasceu a noção de “nova era”. A nova espiritualidade é a continuação desta tendência, mas agora de um modo mais sério. Tudo começou com a ideia de paz, do respeito à natureza e do amor incondicional. E, continua assim. Mas, agora, novas noções ampliam a ideia original. A insatisfação das pessoas com as antigas formas patriarcais de religião e espiritualidade toma agora a forma de um culto sem igrejas, sem templos, sem sexismo, sem preconceito.

Há pouco tempo, pesquisadores das religiões, especialmente nos EUA, ao aplicar questionários, perceberam que muitas pessoas respondiam não praticar nenhuma religião oficial em particular, mas também não se definiam como ateias, agnósticas ou não-praticantes; se definiam como pessoas sem religião, mas com espiritualidade. Isso chamou a atenção dos pesquisadores, que então, começaram a falar em uma “nova espiritualidade” emergente em suas pesquisas. Na verdade, parece que o caminho que levou à nova espiritualidade passou por três fases:

1ª – A fase da prática de religiões formais, especialmente as grandes religiões instituídas, fase esta que durou até as décadas de 1960-1970;

2ª – A fase do “religioso não-praticante”, do ecumenismo, do universalismo, em que se continuava professando uma religião tradicional, mas com possibilidade de interagir com outros ambientes espirituais, antigos ou novos, fase esta que durou da década de 1970 até recentemente;

3ª – A fase da “nova espiritualidade”, do rompimento com a prática formal das grandes religiões instituídas, com o dogma que impede a expressão do pensamento e dos potenciais do indivíduo, com uma cosmovisão limitada baseada em prazer e dor, em castigo e compensação, fase esta que é bem recente, da década de 1990 para cá.

Este novo padrão e esta nova cosmovisão, ainda que aberta, tem bases firmes, como uma nova sensibilidade cultural, a busca por uma consciência superior, por mais qualidade de vida, por harmonia profunda (física, emocional, mental e espiritual), por paz e relaxamento (através da meditação, por exemplo) e por uma nova ordem mundial, mais justa, ética e equilibrada.

Neste quadro, as religiões no seu formato antigo não têm mais vez. As que sobreviverem, se adaptarão a esta nova cosmovisão. Já há vislumbres disso aqui e ali, seja no ecumenismo, no diálogo inter-religioso, na visão integral, na troca de informações e experiências entre os praticantes de diversas religiões, ou na relativa liberdade que os religiosos estão tendo em algumas tradições para se envolverem com práticas de outras, sem que isso caracterize alguma heresia.

Para alguns, o que estamos vivendo agora, com a nova espiritualidade, é uma espécie de ressurgimento da Religião-Sabedoria dos antigos, ou algo equivalente, e que durou mil anos, mais ou menos (de 700 a.C. a 300 d.C.). Este período antigo, em que viveram Buda, Zoroastro, Pitágoras, Platão, Moisés, Jesus, etc., influenciou tudo o que vivemos até aqui em nossa sociedade, o bom e o ruim. Agora, com um novo influxo de pensamento, de consciência e de busca de transcendência, novos paradigmas começam a se formar na mente globalizada da sociedade atual, como o paradigma da complementaridade (para substituir a polaridade do antigo mecanicismo), um legado da Mecânica Quântica, que surgiu há pouco mais de cem anos. Daí, surgem as noções de paradigma holográfico e visão holística, também parte da nova espiritualidade.

Em seu estudo “Espiritualidade e Consumo: Relações e Temáticas de Pesquisa”, Paulo Ricardo Zilio Abdala diz:

(...) nos encontramos diante de uma redefinição das antigas formas institucionais de religiosidade. A sociedade contemporânea, impregnada pelo anseio de liberdade e poder individual, deu origem a um novo senso de espiritualidade desprovido de regras rígidas e paradigmáticas, no qual cada indivíduo se utiliza daquilo que mais lhe chamar a atenção sem a necessidade de um comprometimento. Este fenômeno, chamado por alguns pesquisadores de “nova era” (Redden, 2002), também já foi conceituado como espiritualidade “à la carte” (Possamaï, 2000).

(…) No âmbito das ciências sociais, um termo bastante utilizado para designar este fenômeno da nova espiritualidade é “nova era”, ou uma espécie de religiosidade não rigidamente estruturada na qual os indivíduos escolhem livremente no que acreditar de acordo com sua própria vontade e realidade (para maior abrangência desta visão ver Redden, 2002).

Na revista Época, um artigo intitulado “Deus é Pop” trouxe dados de uma pesquisa chamada Religion Monitor realizada em 21 países do mundo pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung
sobre fé e religiosidade (Fernandes, 2009). Os números publicados atestam a força da religião.
Com enfoque no público jovem, a reportagem afirma que 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% profundamente religiosos, colocando-os em terceiro lugar entre os mais religiosos do mundo, atrás apenas de Nigéria e Guatemala.

Comentando sobre o papel da internet neste panorama, o estudo aponta as tecnologias da informação como veículos ideais de uma religião contemporânea e desregulada, que pode ser exercida coletivamente sem sair de casa e submeter-se a qualquer disciplina (Fernandes, 2009).

De fato, observa-se hoje uma busca pela espiritualidade fora dos dogmatismos das seitas e igrejas tradicionais, demonstrada pelo crescimento no ocidente das terapias e práticas orientais de cura, como yoga, reiki, entre outras, conhecidas como terapias alternativas (Bauman, 1998). Estes meios de relacionamento com o mundo espiritual têm por característica serem mais livres do que as antigas igrejas, trazendo em si menos regras de conduta e procedimentos. Na pesquisa alemã antes mencionada, enquanto o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, ele é apenas o décimo em termos de seguir preceitos de uma determinada igreja ou movimento (Fernandes, 2009).

(…) Diferente das antigas formas de religiosidade, nas quais o caráter mercantilista era velado sob promessas de fé incondicional, as novas terapias alternativas e caminhos espirituais têm preço fixado, praticam marketing e trabalham com conceitos de relacionamento com o cliente.
Diversas revistas, clínicas, programas de imersão, universidades, escolas e empresas, com foco na espiritualidade, proliferam-se ao redor do mundo (O ́Guinn e Belk, 1989). (…) De um lado temos o
espiritual sendo consumido, e de outro temos o consumo sendo espiritualizado. (…) o consumidor espiritualizado é mais suscetível a apelos sociais e ecologicamente responsáveis, contendo altas doses de simbologia e poder de reflexão em seus atos de consumo (Shaw, D., & Newholm, T., 2002). Isto se explica a partir do desenvolvimento de valores altruístas (Sánchez-Fernández et al., 2009), ocasionados por uma possível mudança de foco na relação com o mundo, com as pessoas e com os objetos, causada por uma alteração perceptiva ligada a absorção de insights permanentes advindos das experiências místicas vivenciadas – mesmo que estas tenham sido mínimas e transitórias (Gaarder et al., 2000).

(…) Outra modificação importante na lógica da nova espiritualidade diz respeito a uma mudança nas formas de intermediação entre a fé e o indivíduo. Nestas, a pessoa em questão possui a opção de fazer contato direto com o conhecimento espiritual de seu interesse por intermédio do mercado. Seja na internet, nas livrarias, nas bancas, nos centros de práticas espirituais ou nas lojas especializadas, o buscador da fé tem à sua disposição uma série de possibilidades para se aproximar daquilo que almeja conhecer, bastando para isso ter o dinheiro suficiente para efetivar uma transação. Nisto está também envolvido outro princípio sagrado das práticas religiosas pós-modernas, a liberdade individual para escolher e traçar o próprio destino (Redden, 2002).”

A visão integral de Ken Wilber (1949- ), famoso pensador norte-americano e criador da Psicologia Integral, e de forma mais geral, do chamado Movimento Integral, especialmente no que concerne a uma Espiritualidade Integral, pinta a noção de “nova espiritualidade” com cores mais sérias, mais científicas, mais observadoras.

A sua obra propõe, em suma, a integração de todas as áreas do conhecimento (ciência, arte, filosofia, espiritualidade). A preocupação em unir ciência e religião é recente. A vemos em uma das primeiras vezes nas obras da mística russa Helena P. Blavatsky (1831-1890), na segunda metade do Século XIX, que propunha um estudo comparado de ciência, filosofia e religião.

O fato é que, desde os tempos do guru indiano Maharishi Mahesh Yogi (com sua Meditação Transcendental, nos anos de 1970), passando pela “Cura Quântica” de outro indiano, Deepak Chopra (a partir dos anos de 1980) e por filmes recentes como What the Bleep Do We Know? (Quem somos nós?) e The Secret (O segredo), chegando à gama infinita de Terapias Holísticas e técnicas “quânticas” (o termo virou jargão!) que não param de surgir no mundo todo, junto a novas filosofias espirituais dos mais variados tipos, o que temos visto é a emergência de uma nova forma de busca espiritual, uma busca oposta ao método utilizado até então pelas grandes religiões instituídas. Antes, o corpo hierárquico, o papa, o líder, a comunidade, o dogma, a insensibilidade ao outro fora da comunidade; agora, o indivíduo, o mestre de si mesmo, o líder de si, o servidor da comunidade, a liberdade, o altruísmo direcionado a todos, em amor incondicional.

Em uma entrevista recente, Ken Wilber disse o seguinte sobre sua visão de religião e espiritualidade (http://papodehomem.com.br/ken-wilber-entrevista-brasileira-parte-2/):

(...) a espiritualidade e a religião são interessantes porque ambas estão se tornando cada vez mais separadas. É comum para as pessoas nos Estados Unidos dizerem que “são espirituais mas não religiosas”, ou seja, elas estão separando ambas, elas se identificam com o espiritual mas não com a religião, existe algo sobre a religião que eles não apreciam e existe algo na espiritualidade que eles gostam e esta é a razão deles se definirem daquela forma.

A espiritualidade significa uma consciência mística de uma experiência imediata, que passa diretamente por alguma forma de experiência que não pode ser descrita como parte de alguma mitologia ou dogma, mas pura e simplesmente uma experiência imediata. A religião para essas pessoas significa as formas institucionais de religião e seus mitos, crenças e dogmas; e elas não se sentem mais confortáveis com esse tipo de religião mas se sentem confortáveis com aquilo que eles denominam de espiritualidade, que consiste em não acreditar em dogmas e sim em um processo que emerge na consciência pessoal.”

Os caminhos futuros da espiritualidade humana – o que agora identificamos como “nova espiritualidade” – ainda estão se definindo. A partir do caos dos velhos paradigmas (dogmatismo, em religião; mecanicismo, em ciência) vai sendo gerado um outro, mais abrangente, holístico, humano, coletivo, altruísta e baseado no amor incondicional, na liberdade, na ampliação de consciência e na paz interior. Contemplemos, pois, esta proposta e, na medida do chamado de nossos corações, acerquemo-nos dela!

Neste quadro, o que constitui “pseudo-espiritualidade”?

Pelo exposto, está clara a existência de uma tendência de visão espiritual perfeitamente válida para a caótica humanidade atual. As religiões instituídas estão decadentes e seu espaço está sendo ocupado por movimentos renovadores e de síntese.

Mas, na carona deste movimento, nos seus extremos, também está se gerando uma forma de “pseudo-espiritualidade” muito perigosa, que se assemelha bastante aos movimentos “evangélicos” que pregam a distorcida “Teologia da Prosperidade”. As semelhanças se devem a três características principais: fanatismo, abdicação da razão e forte apelo comercial.

Contudo, é exatamente no seio da “espiritualidade emergente”, que descrevemos acima, que um grupo de indivíduos mal-intencionados e/ou equivocados parece imiscuído: o dos “pseudo-espiritualistas”. Não se trata das doutrinas a que eles aderem, mas a forma como sua ética distorcida funciona que acaba sendo o aspecto mais preocupante. “Pseudo” significa “falso”, “mentiroso”. Então, um pseudo-espiritualista é um mentiroso, uma pessoa equivocada que não entendeu nada do que seja espiritualidade. É alguém que usa tudo para reforçar o ego e não para contribuir para a harmonia universal entre os seres. Algo como um “psicopata espiritual”. Entre estes, há psicopatas de fato, mas também pessoas comuns que deixam a paranoia de suas mentes contaminar tudo o que fazem no campo espiritual. Elas têm uma mente fértil e criativa, mas a utilizam para ludibriar os outros e fazê-los crer que está tudo certo, tudo bem e nada precisa ser feito, contestado ou estudado. É o retorno ao velho método das religiões clássicas que não privilegiam o pensamento lógico e a experimentação.

Os indivíduos deste grupo pseudo-espiritualista têm algumas características fáceis de identificar (não consideremos as características em separado, mas em conjunto):

São pessoas que estiveram em conflito com a religião de origem; são pessoas com necessidade de proeminência e reconhecimento; apresentam suas ideias de forma isolante, sem participar de ações de outros grupos espirituais, embora preguem o universalismo e a fraternidade; são incapazes de ações sociais mínimas, como ajudar os mais carentes, pois tudo o que fazem é baseado num “comercialismo espiritual” e os carentes não podem pagar (!); se consideram mestres de si mesmos mas não têm vergonha de serem os mestres dos outros, seus fiéis e clientes; em suma, são pessoas egoístas com uma ideia fixa de salvação; por fim, não aceitam ideias em contrário. Não há nada de universalidade nesta postura!

Uma das principais características da pseudo-espiritualidade é um caráter apocalíptico, uma espécie de “derrotismo espiritual” e uma vontade de ver “o circo pegar fogo” a que chamamos de “apocalismo”. Até algumas décadas atrás essa postura era apenas comum a grupos protestantes fanáticos à espera do arrebatamento da Igreja de Cristo. Hoje, temos a tendência a um “terrorismo espiritual” semeando o terror aos quatro cantos e fazendo um desserviço à verdadeira espiritualidade. Para evitar surpresas, quando se aproximarem de movimentos ou grupos que professem ideias estranhas, peçam informações detalhadas e se permitam o direito da contestação. Os verdadeiros Mestres não têm medo de debater, pois o próprio Jesus debateu com os doutores da Lei em Jerusalém e o Buda passou debatendo com toda espécie de pessoas até os 80 anos de idade. Se exigirem de vocês crença e obediência cega, algo está muito errado. Salvem-se enquanto há tempo!



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A Cabala e os Números

Por Paulo Stekel

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Ainda que, originalmente, os números fossem representados pelos povos semitas pelas letras dos seus respectivos alfabetos, assim que a Cabala travou conhecimentos com a alquimia e a numerologia árabe, que trouxe seus dados do sistema indiano (os números “arábicos” são, na verdade, indianos!), passou a dar uma importância enorme aos cálculos envolvendo nomes, letras e palavras. Esta conversão de letras em números representa um momento importante no conhecimento cabalístico, e certamente ocorreu na Idade Média.
A relação das letras hebraicas com os números é, então, a base da Numerologia Cabalística. A relação disto com os Nomes Divinos e sua recitação é uma parte prática da Cabala. Ao converter um nome em números, as forças que eles representam se tornam evidentes e podem ser trabalhadas magicamente. Da mesma forma, o Tarô é uma parte prática da Cabala e, no caso do Baralho Cabalístico (como, por exemplo, o Tarô dos Boêmios desenvolvido pelo Dr. Papus com conhecimentos de Eliphas Levi), a relação letras-números também existe. Isso permite que, numa só colocada das cartas, se possa definir códigos mântricos gerais ou pessoais que possam ser usados pelos indivíduos para diversos fins.

[Continue lendo sobre este assunto no ebook "Cabala Prática para a Vida", que você pode obter gratuitamente, enviando mensagem para o email pstekel@gmail.com agora mesmo!]

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Amor-Alma ao vivo - Stekel e Vanessa Castro





Versão ao vivo da música "Amor-Alma" (Stekel), em duo de Stekel (Florianópolis - SC) com Vanessa Castro (Arroio do Tigre - RS), realizado durante evento na cidade de Segredo - RS, em 27/10/2016.



Confira o clip da versão original de Amor-Alma em https://www.youtube.com/watch?v=sxi3FC5iHQM



Confira a versão 2011 de Amor-Alma em https://www.youtube.com/watch?v=T0w_anFaNxw

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Se você não quer mais problemas, não busque a Espiritualidade!


Por Paulo Stekel (Pema Dorje)

Este texto pode parecer uma afirmação, mas na verdade é uma reflexão. Ouço o tempo todo pessoas entendendo equivocadamente a proposta da espiritualidade ou, melhor dizendo, das “espiritualidades”, especialmente a modalidade que chamo de Nova Espiritualidade.

Muitas pessoas pensam em uma busca espiritual como uma barganha com Deus, Buda, seres de luz, anjos, ou o que os valha. Na verdade, elas pretendem estar deixando a visão materialista para praticar algo espiritual, mas continuam com os mesmos conceitos materialistas, agora travestidos de uma suposta elevação espiritual, sutilização do ser e amor incondicional. Muitas vezes, isso é pura balela do ego para continuar no domínio, uma armadilha urdida com perfeição para que o buscador se imagine “salvo” em suas crenças e se sinta seguro para julgar os outros, que não pensam como ele.

Vejo muita gente julgando o outro o tempo todo. Julgam o que acontece aos outros como se a busca da espiritualidade fosse retirar os problemas de nossa frente num piscar de olhos. Não é assim que a coisa funciona.

Em primeiro lugar, quando passamos a praticar espiritualidade, mantemos nosso livre-arbítrio, e isso traz consequências. O fato de sermos “praticantes” significa que estamos buscando, não que já encontramos ou que atingimos a perfeição. Na verdade, em 99,99999....% dos casos, com certeza, não!

Em segundo lugar, Deus, Buda, os seres de luz, anjos, mentores, etc., presentes em cada proposta espiritual, não podem se sobrepôr ao nosso próprio Carma, retirando-o simplesmente ou absorvendo-o por osmose. Nosso carma é nosso carma. Ele vem sendo gerado há vidas sem conta e terá que, invariavelmente, ser vivido. No que nossa busca espiritual vai ajudar neste sentido é no modo como encaramos o que nos acontece por instância cármica. Se nos revoltamos, sofremos mais e o carma pode aumentar; se compreendemos o propósito do que acontece, podemos dissolver o carma pelo aprendizado envolvido ter sido acessado.

Grandes Mestres da humanidade sofreram doenças terríveis, mas a diferença com relação a qualquer um de nós é que para eles estava tudo bem. Eles entendiam o propósito do que lhes ocorria. O sofrimento de Cristo na Cruz reflete bem esta consciência. A doença de Ramakrishna - um câncer na garganta - também. Até o alcoolismo de Chogyam Trungpa, o lama tibetano que foi o maior responsável pela vinda do Budismo Vajrayana (popularmente chamado Tibetano) para o Ocidente, reflete isso. Todos eles entenderam que a doença é um mestre poderoso.

Mas, não apenas a doença, as dificuldades gerais da vida são mestres poderosos, e ao buscarmos a espiritualidade, em princípio, a única coisa que muda é nossa compreensão destas dificuldades. Elas não nos são retiradas como por encanto ou impedidas de se manifestar. Quem pensa que isso pode ser assim, não entendeu nada de espiritualidade. É preciso entender que a paz, a estabilidade, a ausência de problemas, num mundo regido pelas leis cíclicas e pela impermanência, é algo impossível. Um ser de luz, um bodhisattva (um quase Buda) só deixa de ter “problemas” quando atinge o Despertar Definitivo. Até lá, ainda se vê às voltas com as armadilhas da própria mente. E, o que resta para nós, simples mortais, então? Há muito Caminho pela frente, muita prática e muitos mestres-dificuldade para encontrar.

O julgamento do outro é uma das atitudes que causa maior atraso no caminho espiritual. Deixar de observar seu próprio trilhar para observar de modo indiscreto o caminho alheio é uma forma de “fofoca espiritual” que, além de gerar carma, atrasa o desenvolvimento e o cultivo de uma mente saudável.

O julgamento do caminho espiritual do outro, além de uma falha ética, é um preconceito evidente. Ninguém pode realmente saber qual é o desenvolvimento e a elevação espiritual de uma pessoa apenas observando-a de fora. Podemos estar diante de um verdadeiro mestre espiritual e não sorvermos nada da energia dele porque estamos imersos em preconceitos sobre como DEVE ser uma pessoa espiritualizada.

Uns dizem: “Ah, como ele pode ser espiritualizado e passar por problemas pessoais?”, “Como pode ter ficado doente?” “Como pode estar com câncer?”, “Como pode ter se separado da esposa ou marido?”, “Como foi assaltado, agredido, ter sofrido atentado, quase sido assassinado, etc.?” Como, como, como...?

Pessoas que julgam desta forma ainda não encontraram a verdadeira sombra humana, nem caíram em suas garras... Quando seus carmas amadurecerem, não perceberão que todos padecem de dores relativas a atos antigos, desta e de outras vidas. Não percebendo, continuarão caindo nas armadilhas do ego, julgando, caindo e sendo infelizes. Mas, os verdadeiros buscadores, em seu desapego, independente do que lhes ocorra, saberão enfrentar as sombras e sair ilesos em suas almas das consequências aparentes, externas, que aos incautos e ignorantes amedronta tanto.

Não existe nenhuma fórmula mágica ou antídoto definitivo contra o sofrimento que não o atingimento da Perfeição espiritual, que uns chamam Iluminação, Despertar ou Liberação. Até lá, estamos todos no mesmo barco e o que deveríamos fazer é compreender o outro com muita boa vontade. Este compreender também implica respeitar o livre-arbítrio do outro, o que significa que, se a única coisa a se fazer, é o afastamento, que assim seja. Que ninguém precise aviltar sua própria alma na vã pretensão de uma compaixão ou solidariedade irrealista que a ninguém educa. Para almas endurecidas e impermeáveis ao amor, o melhor é o afastamento quando as ligações se tornam tóxicas ou perigosas. Ficar se envolvendo em intrigas alheias não é o ideal para quem busca o caminho espiritual. Que cada um resolva, primeiro, suas próprias intrigas criadas pelo ego e olhe para o outro com serenidade e amor.

A busca espiritual ajuda na compreensão das dificuldades, dá mais serenidade para se passar pelos momentos de testes e de crises, nos faz perceber melhor quem são nossos amigos e apoiadores e nos dá intuição para nos afastarmos dos maus amigos. Isso, sim, é conquistado com a prática espiritual. Agora, se você quer buscar a espiritualidade para que ela lhe deixe completamente sem problemas, então você não aprenderá mais nada, pois são as dificuldades que nos fazem humanos, e são elas, à medida que são superadas, que nos farão um sobre-humano ou, nas palavras do Buda, um verdadeiro ser humano, um Desperto. Então, sem dificuldades, sem evolução; sem dificuldades, sem crescimento; sem dificuldades, sem Perfeição!

Se você não quer problemas, não busque a espiritualidade. Busque alguma outra coisa que lhe prometa facilidade, milagres e paz contínua. Mas, sinto lhe dizer que será decepcionante em pouquíssimo tempo! Espiritualidade não é para se ficar rico, para não se ter doença alguma e muito menos para se adquirir algum poder sobre os outros. Isso, na verdade, nada mais é do que puro “materialismo espiritual”, como dizia o lama Chogyam Trungpa. Isso não significa que os ensinamentos não mereçam compensação para a sobrevivência dos instrutores, que o trabalho espiritual realizado em atendimento no qual o tempo é dedicado às pessoas não possa ser compensado financeiramente, nem que alguém não possa dedicar cem por cento de seu tempo às coisas espirituais. O problema não está nisso, mas no apegar-se a isso como se fosse uma carreira material. A dedicação espiritual é mais profunda que a dedicação a uma profissão. É algo que vem da alma, não da razão. Vem de uma convicção interna e não de uma decisão externa baseada em perspectivas de ganho. Ou seja, a verdadeira prática espiritual também não é antídoto contra problemas financeiros. Com certeza, não!

Se alguém julga o nível espiritual de alguém por seu sucesso financeiro, o que resta para o Cristo, que vivia com seus discípulos dependendo das doações das pessoas o tempo todo? Se alguém julga o nível espiritual de alguém por sua condição miserável, o que resta para o Buda, que era um príncipe muito próspero? Não é isto o que importa, mas o desapego que ambos possuíam, independente do que tinham. Podemos fazer isso, também, tenhamos o que tenhamos.

Quem quer ser um “carreirista” da espiritualidade, que não a busque. Procure uma carreira material promissora. Quem quer ser um espiritualista de verdade, incorpore a espiritualidade ao seu dia a dia, a cem por cento de suas ações, incluindo seu trabalho profissional. O que importa é o que vai dentro do coração.

Alguns citam muito a frase “Dai de graça o que de graça recebeste”. Ok. Mas, se não saiu de graça, deve haver uma compensação mínima. A compensação para os ensinamentos do Cristo era dada na hospedagem a ele e seus discípulos, alimentação, vestuário, etc. Então, não era tão de graça assim! Muitas pessoas usam este argumento distorcido para receberem sem qualquer compensação ou responsabilidade o conhecimento espiritual, que logo depois, nem sequer valorizarão. Mikao Usui, o sintonizador do Reiki, percebeu muito bem isso, e passou a pedir uma compensação para a iniciação e a aplicação desta técnica. Entre os tibetanos e indianos também era – e ainda é – comum a doação de valores consideráveis aos mestres antes de se receber ensinamentos. Dentro de um bom senso, desde que ninguém seja impedido de fazer algo simplesmente porque não tem meios financeiros, creio que se pode pedir compensação pelo ensinamento espiritual. Mas, sem falsas promessas de que os problemas desaparecerão da vida do praticante logo em seguida. A prática é a verdadeira distância entre o sofrimento e a compreensão do sofrimento. Desta compreensão é que surge a dissolução do sofrimento e a saída do ciclo vicioso de nascimento, doença, morte e renascimento.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Stekel no Programa VIDA INTELIGENTE - CABALA





Participação de Paulo Stekel no programa Vida Inteligente, de Eustáquio Patounas, no dia 13 de outubro de 2016, falando sobre CABALA. Uma hora e meia de uma entrevista que é praticamente uma palestra sobre o tema. Confiram!

E, quem quiser ler o artigo citado no começo da entrevista, de minha autoria, e que fala sobre Pseudo-espiritualidade, confira aqui: http://revistahorizonte.blogspot.com.br/2007/04/nova-era-e-pseudo-espiritualidade-verso.html 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O que é Cabala - uma introdução

Por Paulo Stekel



Uma Tradição é um conjunto de cultura, usos e costumes de uma determinada cultura, civilização, religião, etc.

Uma Tradição Espiritual é um conjunto de ensinamentos relativos a determinada crença, fé ou religião.

Uma Tradição Mística é um conjunto de ensinamentos espirituais de uso mais reservado, restrito, destinado a um círculo mais seleto.

Neste último sentido, Cabala é uma Tradição Mística, enquanto o Judaísmo, onde ela foi expressa, é uma Tradição Espiritual. A religião judaica compreende o aspecto externo, “exotérico”, desta espiritualidade. A Cabala compreende o aspecto interno, “esotérico”, da mesma espiritualidade. O aspecto externo se baseia no dogma e na crença, onde nada pode ser mudado, apenas aceito. O aspecto interno se baseia na experiência mística, a experiência do próprio praticante no silêncio de seu coração, experiência esta que pode envolver recitação, oração e meditação. Vemos isso em várias tradições. A Cabala não é diferente.

A palavra Cabala, originalmente em Hebraico, QBLH – se translitera Qaballah e se lê “cabalá”, provém do verbo hebraico Qibbel ("aceitar, receber, tomar algo") e, neste sentido, significa Tradição. Assim, Cabala era, no início, uma tradição espiritual dos hebreus que vinha desde Moisés, sendo oral, passada de pai para filho (e de mestre para discípulo) ao longo dos séculos. Antes de ser chamado de Cabala, o estudo dos Mistérios da Torah (A Lei judaica consignada nos cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco), foi conhecido pelo nome de Mistorin (“mistérios”, uma corruptela do grego mysterion).

Em princípio, a Cabala (esta é a forma da palavra em português) versa sobre os cálculos místicos com os nomes e as letras (Cabala Simbólica), as Hierarquias de Anjos e Demônios e a transmigração das almas (Cabala Dogmática), as Sefirot, a Árvore da Vida e a Divindade (Cabala Metafísica). O ensinamento tradicional da Cabala é ao mesmo tempo Histórico, Moral e Místico.

Outra forma de definir do que trata a Tradição Mística da Cabala é através do Trinômio Deus – Homem – Natureza.

Deus (Mente Cósmica, Absoluto, Áyin, Divindade)
Δ
Natureza (Criação)                         Homem (Consciência)

A relação entre Deus e a Natureza trata da Criação do Universo (Ma'assê Bereshith – a Obra da Criação); a relação entre Deus e o Homem trata da Redenção (Ma'assê Merkavah - a Obra do Carro Celeste, o retorno ou ascensão ao Pai); a relação entre a Natureza e o Homem é a vida no mundo, o qual pode ser desfrutado, conhecido, controlado, modificado e adaptado pelo Homem, se tiver conhecimento de como fazê-lo. É nesta terceira relação que está a Magia Cabalística (Teurgia e Goetia), também chamada Ars Magna (A Grande Obra) e o uso da Numerologia para invocar aspectos divinos em nossa vida, para torná-la mais harmônica.


A Cabala não é uma fonte exclusivamente judaica. Historicamente, há provas suficientes de, pelo menos, cinco fontes de seu conhecimento: uma fonte egípcia (via Moisés), uma fonte Hebréia (via Patriarcas e Reis no período dos Reinos de Israel e Judá), uma fonte Babilônia (via Esdras durante o Cativeiro), uma fonte grega (influência da Filosofia em geral e do Pitagorismo em particular) e, quiçá, uma fonte árabe (especialmente a alquimia árabe). Assim, entendemos que a Cabala tem um quê de universalidade que casa bem com o gosto moderno pela integração dos conhecimentos. O pano de fundo da Cabala é judaico, mas seu conhecimento é universal!