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domingo, 23 de fevereiro de 2014

Os Anjos no Antigo Testamento

(Trecho do livro "Deuses & Demônios - verdades inauditas e mentiras anunciadas sobre os anjos", de Paulo Stekel - saiba como adquirir acessando: http://stekelmusic.blogspot.com.br/2013/10/livros-de-stekel-e-books-em-pdf.html)

Observação: Para visualizar as letras hebraicas do texto você deve instalar em seu computador a fonte hebraica true type chamada SPTiberian, disponível gratuitamente pela internet)


Considerações iniciais

Sempre é importante “começar pelo começo”. Se nos propomos a fazer uma análise crítica e profunda da questão dos anjos, devemos nos remeter ao Antigo Testamento, fonte mais antiga que os cita. Logo perceberemos que a presença dos anjos na Bíblia é um tanto confusa, a ponto de não haver, em certas passagens, uma diferenciação clara entre as ações de Deus e as de seus mensageiros.

O texto que consultamos é o Tanach hebraico, isto é, a Bíblia judaica, com seus 24 livros. Deixamos de lado os livros deuterocanônicos que fazem parte da Bíblia católica porque foram escritos posteriormente e em grego. Escolhemos um total de cerca de 100 trechos que darão uma idéia bem estatística das concepções dos antigos semitas sobre os seres celestes.

A tradução das passagens foi feita, em sua maior parte, a partir da Bíblia de Jerusalém (Edições Paulinas, 1986), salvo quando a complexidade cabalística do texto exigiu uma tradução mais elaborada. Entre parênteses aparecerão os termos originais, quando conveniente.

1 – Gênese

“E disse Deus (Myhl) – Elohim): 'Façamos o Homem (Md) – Adam) à nossa imagem, como nossa semelhança...” [Gn. 1.26]

O nome utilizado para Deus neste versículo é Elohim, que é o plural de Eloah (hl) – Deus). O seu sentido, por mais que os teólogos criem estratagemas para confundir os leigos, é realmente o de “deuses”. Portanto, os “deuses” fizeram o Homem à sua imagem e semelhança. Mas, quem eram os “deuses”? Eram os anjos. Eloah é, portanto, o primeiro nome dos anjos na Bíblia e Elohim é o seu plural.

A correspondência astrológica destes nomes é simplesmente fantástica, como constataremos. O nome Eloah (singular), somados os valores numéricos de suas letras hebraicas, dá 36, ou seja, o número de decanatos nos quais estão divididos os 12 signos zodiacais [) + l + h = 1 + 30 + 5 = 36]. O plural Elohim dá o número 646, que se reduz assim: 646 = 6 + 4 + 6 = 16 = 1 + 6 = 7. Sete são os planetas conhecidos dos antigos. Se ainda somarmos o nome El (l) – Deus), de onde vem Eloah, temos 31 = 3 + 1 = 4 (os Quatro Elementos).

Esotericamente, diríamos que o trecho se refere à criação da humanidade segundo influências invisíveis dos seres regentes dos Sete Planetas astrológicos. Assim, os anjos conhecidos como Elohim nada mais são que os Espíritos (Logos) regentes dos planetas do sistema solar. São os Anjos Astrológicos, que presidem à formação e ao nascimento do ser humano.

“Mas Deus (Myhl) – Elohim) sabe, que no dia em que dele comerdes [i.e., do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal], vossos olhos se abrirão e vós seres como deuses (Myhl) – Elohim), versados no bem e no mal.” [Gn. 3.5]

O interessante e teologicamente constrangedor aqui é ver o termo Elohim aparecer duas vezes e ser traduzido de formas diferentes: na primeira como “Deus” e na segunda como “deuses” (?). Que contrassenso linguístico é este? Não é mais possível manter o equívoco. Em ambos os casos são os “deuses”, ou melhor, os anjos, seres invisíveis que têm misteriosas ligações com os homens.

“Depois disse Yahveh Deus (Myhl) hwhy – Yahveh Elohim): 'Se o homem já é como um de nós, versado no bem e no mal, que agora ele não estenda a mão e colha também da árvore da vida, e coma e viva para sempre.” [Gn. 3.22]

Nesta passagem, o nome Elohim é modificado para Yahveh Elohim. A numeração, neste caso, passa a ser: Yahveh = 26 = 8 e Elohim = 646 = 16 = 7. Yahveh elohim seria, então, o oitavo Elohim, o chefe dos Sete. Daí a denominação dada a Yahveh de Senhor dos Exércitos – exércitos de Elohim ou Anjos. Isso o identifica com o anjo Metatron (Nwr++m) da Cabala medieval.

O plural para Elohim (“como um de nós”) é mantido no trecho acima. Talvez o Antigo Testamento possuísse muito mais passagens com Elohim no plural, evidenciando serem “os deuses” e não “Deus”, mas devem ter sido eliminadas nos tempos de Esdras, o fundador do judaísmo. Mas ainda restaram alguns resquícios da verdade anterior!

“Ele [Deus] baniu o homem e colocou, diante do jardim de Éden, os querubins (Mybrk – keruvim) e a chama da espada fulgurante para guardar o caminho da árvore da vida.” [Gn. 3.24]

Quem eram os querubins que teriam sido colocados para guardar a árvore da vida? Querubim (plural) soma 832 = 13 = 4 (os Quatro Elementos ou os quatro pontos cardeais). O singular é brk (Keruv), que soma 228 = 12 (os Doze signos zodiacais). Esta matemática sagrada nos leva a concluir serem os Querubins os anjos que presidem os elementos e a própria Terra, sendo os guardiães dos pontos cardeais. Cabalisticamente, o trecho que se refere à “chama da espada fulgurante” colocada “para guardar o caminho da árvore da vida” pode ser entendido como “o véu dos 22 poderes cósmicos [7 planetas + 12 signos + Céu, Terra, Mundo Inferior] posto para guardar a Sabedoria que conduz à Ordem Universal”. Os anjos mantêm esta Sabedoria oculta aos olhos dos homens.

“(...) os filhos de Deus (Myhl)-ynb – bne-Elohim, lit. “filhos de deuses”?) viram que as filhas dos homens (Md)-twnb – bnoth-Adam) eram belas e tomaram como mulheres todas as que lhes agradaram.” [Gn. 6.2]

Até o século IV os Padres interpretaram os “filhos de Deus” como sendo anjos culpados. Depois passaram a considerá-los como os descendentes da linhagem de Set (terceiro filho de Adão), sendo as “filhas dos homens” a descendência de Caim.

Cabalisticamente, Bne-Elohim soma 708 = 15, sendo 15 o número de Yah (hy), a abreviatura de Yahveh (hwhy), o mais sagrado nome de Deus. A rigor, a tradução da expressão é “filhos dos deuses”, isto é, semideuses ou deuses também. Já Bnoth-Adam soma 1063 = 10, que é o número da Divindade (o y – Yod) , sendo também uma abreviatura de Yahveh. Sua tradução literal é “filhas de Adão” ou “filhas do Homem”, sendo aqui homem o gênero humano e não um indivíduo.

Até aqui parece-nos ter identificado três classes de anjos: Elohim (anjos criadores), Querubim (anjos dos elementos e pontos cardeais) e Bne-Elohim (filhos dos Deuses ou anjos menores, semideuses ou algo como “semi-anjos”).

“E Yahveh disse: 'Eis que todos constituem um só povo e falam uma só língua. Isso é o começo de suas iniciativa! Confundamos a sua linguagem para que não mais se entendam uns aos outros.” [Gn. 11.6-7]

Aqui, mais uma vez “Deus” (agora o termo é Yahveh e não Elohim) fala no plural.

“O Anjo de Yahveh (hwhy K)lm – Mal'akh Yahveh) a encontrou [Agar, serva de Abraão] perto de uma certa fonte no deserto (...). A Yahveh, que lhe falou, Agar deu este nome: 'Tu és El-Ro'i (y)r-l))', pois disse ela, 'Vejo eu ainda aqui, depois daquele que me vê?'.” [Gn. 16.7,13]

Este trecho traz pela primeira vez a expressão “Anjo de Yahveh” e, por conseguinte, pela primeira vez o termo “anjo”. Analisemos: “Anjo” é “Mal'akh” (571 = 13 = 4, os 4 elementos); “Anjo de Yahveh” é “Mal'akh Yahveh” (597 = 21 = 3, a Natureza Trina – Céu, Terra, Mundo Inferior/Corpo, Alma, Espírito). O Anjo de Yahveh representa aqui, a Natureza Trina dos seres e das coisas.
O título El-Ro'i dado a Deus é um sinônimo cabalístico de Yahveh, pois o valor numérico de ambos é o mesmo: El-Ro'i soma 242 = 8 e Yahveh soma 26 = 8.

“Yahveh lhe apareceu [a Abraão] no Carvalho de Mamrê', quando ele estava sentado na entrada da tenda, no maior calor do dia. Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens (My#n) – 'anashim) de pé, perto dele (...). E disse: 'Meu Senhor (ynd) – Adonay), eu te peço, se encontrei graça a teus olhos, não passes junto de teu servo sem te deteres. (...) Trarei um pedaço de pão, e vos reconfortareis o coração antes de irdes mais longe (...).' Tomou também coalhada, leite e o vitelo que preparara e colocou tudo diante deles; permaneceu de pé, junto deles, sob a árvore, e eles comeram. (...) O hóspede disse: 'Voltarei a ti no próximo ano; então tua mulher Sara terá um filho.' (...) Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo: 'Agora que estou velha e velho também está o meu senhor, terei ainda prazer?' Mas Yahveh disse a Abraão: 'Por que se ri Sara, (...) Acaso existe algo de tão maravilhoso para Yahveh? 9...).' Tendo-se levantado, os homens partiram de lá e chegaram a Sedomá [Sodoma]. Abraão caminhava com eles, para os encaminhar. (...) Os homens partiram de lá e foram a Sedomá. Yahveh se mantinha ainda junto de Abraão. 9...) Yahveh, tendo acabado de falar, foi-se e Abraão voltou para o seu lugar.
Ao anoitecer, quando os dois anjos (Myk)lm – mal'akhim) chegaram a Sedomá, Lot estava sentado à porta da cidade. (...) Tanto os instou que foram para sua casa e entraram. Preparou-lhes uma refeição, fez cozer pães ázimos, e eles comeram.
Eles não tinham ainda deitado quando a casa foi cercada pelos homens da cidade, os homens de Sedomá, desde os jovens até os velhos, todo o povo sem exceção. Chamaram Lot e disseram: 'Onde estão os homens que vieram para tua casa esta noite? Traze-os para que deles abusemos.'
(...) Arremessaram-se contra ele, Lot, e chegaram a arrombar a porta. Os homens, porém, estendendo o braço, fizeram Lot entrar para junto deles, e fecharam a porta. Quanto aos homens que estavam na entrada da casa, eles os feriram de cegueira (Myrwns – sanverim), do menor até o maior, de modo que não conseguiram encontrar a entrada.” [Gn. 18.1-3, 5, 8, 10, 12-14, 16, 22, 33 e 19.1, 3-5, 9-11]

Temos aqui um dos mais longos trechos relatando uma intervenção angélica na Bíblia. Tratam-se de três anjos, aqui chamados de homens, e um deles é o próprio Yahveh em forma humana. Não há, então, diferença entre Yahveh e seus mensageiros? Certamente esta é uma contradição bíblica muito difícil de se compreender do ponto de vista teológico. Cabalisticamente, entretanto, não é.

O termo para “homens”, 'anashim, soma 961 = 16 = 7, sendo 7 o número-chave dos Sete Elohim ou Anjos planetários. O termo hebraico para anjos, Mal'akhim, soma 701 = 8, o mesmo valor de Yahveh (26 = 8), o que identifica o “Senhor” com seus mensageiros (anjos). Temos aqui a quarta denominação para anjos – Anashim (o singular é #wn)'enosh, “homem”), isto é, “homens”.

Quando se diz que os anjos feriram de cegueira os sodomitas, o termo usado é sanverim, que soma 926 = 17 = 8, o número de Yahveh.

“Deus (Elohim) ouviu os gritos da criança [Ismael] e o Anjo de Deus (Myhl) K)lm – Mal'akh Elohim), dos céus (Mym# - shamáiym), chamou Agar, dizendo: 'Que tens, Agar? Não temas, pois Deus (Elohim) ouviu os gritos da criança, do lugar onde ele está. Ergue-te! Levanta a criança, segura-a firmemente, porque eu farei dela uma grande nação.'” [Gn. 21.17-18]

Aqui o Anjo de Yahveh é chamado de Anjo de Elohim, Mal'akh Elohim, que soma 1217 = 11 = 2 (o número da Sabedoria e da Dualidade). A tradução mais adequada para a expressão é “Mensageiro dos Deuses”. Neste caso, o Anjo de Deus é correlato ao Hermes-Mercúrio greco-romano, ao Thot egípcio e mesmo o Exu-Bará entre os iorubás (Nigéria) e os fon (Benin). Astrologicamente todos esses personagens referem-se a Mercúrio, o planeta e princípio da inteligência ativa, da agilidade, da adaptabilidade e do livre curso em todos os níveis cósmicos. A relação é inegável!

O Anjo de Deus age como o próprio Deus quando diz “eu farei dela uma grande nação”. Isso se repete em Gn. 22.16-18, quando o Anjo de Yahveh promete bênçãos a Abraão e a seus descendentes por este não se ter recusado a oferecer-lhe o seu próprio filho Isaac:

“[Disse o Anjo:] Juro por mim mesmo, palavra de Yahveh (hwhy M)n – ne'um Yahveh): porque não me recusaste teu filho, teu único, eu te cumularei de bênçãos, (...). Por tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra, porque tu me obedeceste.”

A expressão ne'um Yahveh significa “dito” ou “declaração de Yahveh”, mas a declaração é feita pelo Anjo de Yahveh, o que parece ser a mesma coisa. O anjo não apenas fala “em nome” de Yahveh, mas como “o próprio” Yahveh. Ne'um soma 651 = 12 (os Doze signos ou o conclave hierárquico de doze anjos) e ne'um Yahveh soma 677 = 20, símbolo da letra hebraica Kaf (k), a mão que conduz ou que julga.

“Yahveh, o Deus do Céu (Mym#h yhl) – Elohê ha-shamáiym) e o Deus da Terra (Cr)h yhl) – Elohê ha-árets), que me tomou de minha terra paterna e da terra de minha parentela, que me disse e que jurou que daria esta terra à minha descendência, Ele enviará seu anjo (Mal'akh) diante de ti, para que tomes lá uma mulher para meu filho.” [Gn. 24.7]

As expressões “Deus do Céu” e “Deus da Terra” apresentam “Deus” no singular (Eloah) e parecem se referir a Yahveh apenas, já que a numeração cabalística assim o delata: “Deus do Céu” (Elohê ha-shamáiym) soma 991 = 19 = 10 (o número da divindade, a letra yody, abreviatura de Yahveh) e “Deus da Terra” (Elohê ha-árets) soma 1142 = 8 (o número da soma de Yahveh: 26 = 8). Cabalisticamente, portanto, são considerados termos correlatos.

“[Jacó] Teve um sonho: Eis que uma escada (Mls – sullam) se erguia sobre a terra e o seu topo atingia os céus, e anjos (mal'akhim) de Deus (Elohim) subiam e desciam por ela.” [Gn. 28.12]

O termo “escada” se refere a Yahveh, pois sullam soma 690 = 15 (o número de Yahhy, a abreviatura de Yahveh). A escada é o próprio Yahveh no sonho de Jacó. “Anjos de Deus” (Mal'akhê ElohimMyhl) yk)lm) soma 747 = 18 = 9 (o mesmo valor numérico de Eloah, o singular de Elohim).

O Anjo de Deus (Myhl)h K)lm – Mal'akh ha-Elohim) me disse em sonho: 'Jacó.' E eu respondi: 'Sim.' Ele disse: '(...) Eu sou o Deus (l) – El) que te apareceu em Betel, (...).” [Gn. 31.11-13]

Este trecho parece esclarecer que: Eloah é um termo que se refere apenas a Yahveh; El se refere aos anjos, já que o valor numérico de “anjo” (mal'akh) e “Deus” (El) é o mesmo (mal'akh = 571 = 13 = 4; El = 31 = 4). Assim, um “deus” (El) é um “anjo” (mal'akh) genericamente. Um “anjo” se configura aqui como uma “divindade menor” dos panteões politeístas! El é, então, a quinta denominação para anjos, junto com Elohim, Querubim, Bnê Elohim e Anashim. Os valores numéricos colocam os termos em correspondência: Elohim e Anashim valem 7; Querubim e El valem 4, assim como o termo genérico Mal'akh; Bnê Elohim vale 2.

“Como Jacó seguisse seu caminho, anjos de Deus (Mal'akhê Elohim) o afrontaram.” [Gn. 32.2]

O versículo seguinte dá o motivo desta afronta: Jacó havia pisado em solo sagrado, e os anjos o barraram. O texto dá o nome de “Campo dos Deuses” (Myhl) ynxmmaĥanê Elohim) a este lugar. Maĥanê soma 103 = 4, o número dos anjos (mal'akh). Poderíamos aqui nos permitir a pensar numa espécie de “acampamento de anjos”?

“E Jacó ficou só. E um homem (#y) – 'ish) lutou (vaie'aveq) com ele até surgir a aurora. Vendo que não o dominava, [o homem] tocou-lhe na articulação da coxa, e a coxa de Jacó se deslocou enquanto lutava com ele. Ele disse: 'Deixa-me ir, pois já rompeu o dia.' Mas Jacó respondeu: 'Eu não te deixarei se não me abençoares.' Ele lhe perguntou: 'Qual é o teu nome?' - 'Jacó', respondeu ele. Ele retomou: 'Não te chamarás mais Jacó, mas Israel (l)r#y), porque foste forte contra Deus (Elohim) e contra os homens (anashim), e tu prevaleceste.' Jacó fez esta pergunta: 'Revela-me teu nome, por favor.' Mas ele respondeu: 'Por que perguntas pelo meu nome?' E ali mesmo o abençoou.
Jacó deu a este lugar o nome de Peni'el (l)ynp), 'porque', disse ele, 'eu vi a Deus (Elohim) face a face (panim 'el-panim) e a minha vida foi salva.” [Gn. 32.25-31]

Mais um trecho de interferência direta de um anjo, e no qual a confusão entre Deus (Elohim) e seu mensageiro, aqui chamado de “homem”, mais uma vez aparece. O termo “homem” aqui usado para o anjo não é o mesmo que já encontramos (anashim, cujo singular é enosh; o plural valendo 7 e o singular, 9), mas 'ish, que soma 311 = 5, e cujo plural, 'ishim (My#y)), soma 921 = 12 (os Doze signos zodiacais), o mesmo valor de Qeruv, o singular de Querubim.

O termo “lutou” (vaie'aveq) vem do verbo hebraico 'avaq (qb)), que soma 103 = 4, o número dos anjos (Mal'akh). É a confirmação de que Jacó lutou com um anjo.

A questão da mudança de nome de Jacó é reveladora: Jacó (bq(yYa'aqov) soma 182 = 11 (um número pouco apreciado pela Cabala, por somar 2, o número do antagonismo); Israel soma 541 = 10 (o número da Divindade, o Yod, abreviatura de Yahveh).

O texto diz que Jacó foi forte contra Deus e contra os homens, ou seja, Elohim e Anashim, dois nomes angélicos que somam 7 analisados anteriormente. Os “homens” do trecho seriam os anjos ou os homens da terra?

O termo Peni'el, dado ao local da luta soma 171 = 9, o número de Eloah.

Não parecem ser Israel e Peni'el nomes de anjos? Muito provavelmente. Israel significaria “a força de Deus” e Peni'el, “a face de Deus”.

“Lá ele [Jacó] construiu um altar e chamou o lugar de El-Bet-El, porque os Deuses (Elohim) aí se revelaram (niglú) a ele quando fugia da presença de seu irmão.” [Gn. 35.7]

Neste trecho raro está pela primeira vez tudo no plural, pois “Elohim niglú” significa literalmente “os deuses se revelaram”. Mas o trecho anterior diz que Jacó só viu e lutou com um “homem”. Talvez o trecho original relatasse dois anjos. Seriam eles os anjos Israel e Peni'el que sugerimos antes?

“Ele [Jacó, agora Israel] abençoou a José, dizendo: 'Que o Deus (Elohim) diante de quem caminharam meus pais Abraão e Isaac, que o Deus (Elohim) que foi meu pastor desde que eu vivo até hoje, que o anjo (Mal'akh) que me salvou de todo o mal abençoe estas crianças, (...).'” [Gn. 48.15-16]

Eis mais uma vez a confusão ou identidade metafísica entre Deus (na verdade “Deuses”) e Anjos!


2 – Êxodo – Números – Deuteronômio

“O Anjo de Yahveh (Mal'akh Yahveh) lhe apareceu [a Moisés] numa chama de fogo (#) tbl – labath 'esh), do meio de uma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. Então disse Moisés: 'Darei uma volta, e verei este fenômeno estranho, porque a sarça não se consome.' Viu Yahveh que ele deu uma volta para ver. E Deus (Elohim) o chamou do meio da sarça. Disse: 'Moisés, Moisés.' Este respondeu: 'Eis-me aqui.' Ele disse: 'Não te aproximes daqui; tira as sandálias dos pés porque o lugar em que estás é uma terra santa.' Disse mais: 'Eu sou o Deus (Eloah) de teus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó.' Então Moisés cobriu o rosto, porque temia olhar para Deus (Elohim).” [Ex. 3.2-6]

Novamente aqui o Anjo de Yahveh se confunde com Yahveh. Ele aparece numa “chama de fogo” (labath 'esh), que tem o valor numérico 733 = 13 = 4, o número dos anjos (mal'akh).

Temos razões para crer que o trecho original descrevia a aparição de vários anjos, pois o trecho “viu Yahveh que ele deu uma volta para ver. E Deus (Elohim) o chamou do meio da sarça” deveria ser traduzido como: “Viu Yahveh que ele deu uma volta para ver. E os Deuses o chamaram do meio da sarça.”

A fórmula “Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó”, muito frequente no Pentateuco, parece guardar alguns mistérios. O termo para “Deus” aí é Eloah (singular). Como, todavia, o trecho traz também Elohim, não poderíamos pensar ser o eloah (Deus) de Abrão um, o de Isaac outro e o de Jacó um terceiro? Isso explicaria a expressão Elohim!

A expressão hebraica “Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó” possui exatamente 26 letras, ou seja, o valor numérico de Yahveh. O original é bq(y yhl)w qxcy yhl) Mhrb) yhl) (Elohê Avrahám, Elohê Ytsĥáq velohê Ya'aqôv) e tem como valor total 1342 = 10, o número de Yahveh (na verdade, da letra Yod, a abreviatura de Yahveh).

“Então o Anjo de Deus (Mal'akh Elohim), que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles. Também a coluna de nuvem (Nn( dwm( - 'ammud 'anan) se retirou de diante deles e se pôs atrás, ficando entre o acampamento dos egípcios e o acampamento de Israel. Houve a nuvem ('anan) e a escuridão (K#x – ĥoshekh); e ela alumiou a noite, sem que um pudesse se aproximar do outro durante toda a noite. Então Moisés estendeu a mão sobre o mar. E Yahveh, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez o mar se retirar. Este se tornou terra seca, e as águas foram divididas.” [Ex. 14.19-21]

Estes são os três famosos versículos cabalísticos dos quais – poucos o sabem – são retirados os nomes dos 72 Anjos da Cabala.

O que importa agora é que aqui temos novamente o Anjo de Deus e mais uma indicação da presença de anjos: a expressão “coluna de nuvem” ('ammud 'anan), que soma 940 = 13 = 4, o número dos anjos. Esta “coluna”, ou é uma outra classificação angélica ou uma denominação para o Anjo de Deus.

Os termos “nuvem” e “escuridão” são marcas do divino, pois “nuvem” ('anan) soma 820 = 10 (número de Yahveh) e “escuridão” (ĥoshekh) soma 808 = 16 = 7 (número dos anjos planetários).

“Eis que envio um anjo (mal'akh) diante de ti para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti.” [Ex. 23.20]

Trata-se de um anjo protetor, como o citado em Gn. 24.7, e parece distinto de Yahveh, conforme Gn. 16.7.

Em Ex. 32.34 este anjo aparece novamente: “Eis que o meu anjo irá adiante de ti.” E, em Ex. 33.2, mais uma vez: “Enviarei diante de ti um anjo e expulsarei os cananeus (...).”

Do livro de Números temos apenas um trecho relevante. Trata-se do episódio da jumenta de Balaão (um adivinho das margens do Eufrates que reconhece Yahveh como seu Deus), a qual foi barrada pelo Anjo de Yahveh, na estrada:

“A sua partida excitou a ira de Deus (Elohim) e o Anjo de Yahveh se colocou na estrada, para barrar-lhe a passagem. Ele [Balaão] montava a sua jumenta, e os seus dois servos o acompanhavam. A jumenta viu o Anjo de Yahveh parado na estrada, com a sua espada desembainhada na mão; desviou-se da estrada, em direção ao campo. Balaão, contudo, espancou a jumenta para fazê-la voltar à estrada. (...) Então Yahveh abriu os olhos de Balaão. E viu o Anjo de Yahveh parado na estrada, tendo a sua espada desembainhada na mão.” [Nm 22.22-23, 31]

Observe-se que inicialmente só a jumenta via o Anjo de Yahveh e depois, quando Balaão já a havia espancado três vezes (número da confirmação), o anjo se mostrou para este também.

Em Deuteronômio temos dois trechos relevantes:

“Levantando teus olhos ao céu e vendo o sol, a lua, as estrelas e todo o exército dos céus (Mym#h )bc – tseva' ha-shamáiym), não te deixes seduzir para adorá-los e servi-los! São coisas que Yahveh teu Deus (Eloah) repartiu entre todos os povos que vivem sob o céu.” [Dt. 4.19]

Uma vez que o trecho fala do sol, da lua e das estrelas, entendemos que o “exército dos céus” não sejam os astros citados, mas as cortes angélicas. Por isso Yahveh é chamado “Senhor dos Exércitos (dos Céus)”. A expressão “exércitos dos céus” (tseva' ha-shamáiym) soma 1048 = 13 = 4, o número dos anjos, sendo mais uma denominação para eles. O termo tseva' (exército) soma 93 = 12 (os doze signos). O termo “exército dos céus” talvez se refira, então, aos anjos regentes dos signos zodiacais.

“Quando o Altíssimo (Nwyl( - 'Elyon) repartia as nações, quando espalhava os filhos de Adão (bne Adam) ele fixou fronteiras para os povos, conforme o número dos filhos de Israel (bne Israel).” [Aqui a versão judaica, em hebraico, traz “filhos de Israel”, enquanto a versão grega dos Setenta, talvez baseada em manuscritos mais antigos, traz “filhos de Deus”, o que tem mais lógica, pois contrapõem-se a “filhos de Adão”.] (Dt. 32.8]

Aqui, Bne Adam soma 667 = 19 = 10 (o número de Yahveh) e Bne Elohim soma 708 = 15 (o valor de Yah, abreviatura de Yahveh), que é o mesmo valor do nome divino “Altíssimo” ('Elyon): 816 = 15. A tradução cabalística que adviria desta constatação é, no mínimo, curiosa: “Quando Yahveh repartia as nações, quando espalhava os Deuses ele fixou fronteiras para os povos, conforme o número dos filhos dos Deuses.” Estes Deuses podem ser os mesmos Anjos Caídos que tomaram as filhas de Adão e foram dispersos por Deus ou, segundo o apócrifo Livro de Enoch, encadeados até o Juízo Final. Todavia, a compreensão possível dada por esta análise indica que o termo “dispersar” ou “espalhar” (drpparad) traz, na realidade, a noção de dividir não por dispersação, mas por distribuição eqüitativa. Os Anjos Caídos ou Filhos de Elohim não foram, então, dispersos, mas distribuídos por toda a Terra.


3 – Josué – Juízes – I e II Samuel – I e II Reis

“Encontrando-se Josué perto de Jericó, levantou os olhos e viu um homem ('ish) que se achava diante dele, com uma espada desembainhada na mão. Josué aproximou-se dele e disse-lhe: 'És tu dos nossos ou dos nossos inimigos?' Ele respondeu: “Não! Mas sou Chefe do Exército de Yahveh (hwhy )bc r# - Sar tseva' Yahveh) e acabo de chegar.'” [Js. 5.13-14]

Outra vez um anjo é chamado de “homem”. Neste caso, é o chefe do exército de Yahveh, talvez Miguel (l)kymMikhael), que encontraremos em trechos mais tardios. A expressão “chefe do exército de Yahveh” (Sar tseva' Yahveh) soma 619 = 16 = 7, os sete planetas dos quais Mikhael, se for o anjo em questão, representa o Sol. Há sentido nisso porque nos trechos seguintes Yahveh solicita aos israelitas que marchem sete dias ao redor de Jericó, preparando a conquista da cidade. No espaço de 11 versículo o número sete aparece 11 vezes. E, 7 X 11 = 77, que é o valor das palavras hebraicas z( ('ôz), “vigor, força, poder; proteção, refúgio, abrigo”, ldgm (migdal), “torre, fortaleza” e lzm (mazzal), “constelação zodiacal”. Os termos remetem à batalha pela conquista da fortaleza de Jericó e as relações com um provável culto astrolátrico aos anjos planetários.

“O Anjo de Yahveh subiu de Guilgal a Bet-El e disse: “Eu vos fiz subir do Egito e vos trouxe a esta terra que eu tinha prometido por juramento a vossos pais. (...) No entanto, não escutastes a minha voz. (...).' Assim que o Anjo do Senhor (Yahveh) pronunciou estas palavras a todos os filhos de Israel, o povo começou a clamar e a chorar.” [Jz. 2.1-2.4]

O Anjo de Yahveh fala como se fosse o próprio Yahveh. Seria, então, Yahveh também um anjo? Neste caso, quem lhe seria superior? A Cabala diz que seu superior tem um caráter trino e possui três nomes, cada vez mais elevados: rw)-Pws-Ny) (Ên-Sôf-Ôr, O Sem Limites Luminoso, a “luz divina”), Pws-Ny) (Ên-Sôf, O Sem Limites, “o Infinito”) e Ny) (Áiyn, O Nada, o “vazio que é pleno”, a Divindade no nível mais secreto e incognoscível).

“Barac respondeu-lhe [à profetisa Débora]: 'Se tu vieres comigo, eu irei, mas se não vieres comigo, não irei, porque não sei [em que dia o Anjo de Yahveh me fará] bem sucedido.” [Jz. 4.8]

O trecho “...em que dia o Anjo de Yahveh me fará...” aparece na versão grega, mas falta na hebraica, e por isso o estamos considerando. Aqui se esclarece que o Anjo de Yahveh é o anjo do destino, do mérito e do demérito ou, em palavras orientais, da Lei de Causa e Efeito ou Karma.

“O Anjo de Yahveh veio e assentou-se debaixo do terebinto de Efra, que pertencia a Joás de Abiezer. Gedeão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para salvá-lo dos madianitas, e o Anjo de Yahveh lhe apareceu e lhe disse: 'Yahveh esteja contigo, valente guerreiro!' (...) Então Yahveh [na verdade o Anjo] se voltou para ele e lhe disse: 'Vai com a força que te anima, e salvarás a Israel das mãos de Madiã. Não sou eu quem te envia?' (...) E Gedeão lhe disse: '(...) Não te afastes daqui, rogo-te, até que eu volte e traga a minha oferenda e a deposite diante de ti.' (...)Gedeão saiu, preparou um cabrito e, com um almude de farinha, fez pães sem fermento. (...) Quando se aproximava, o Anjo de Yahveh lhe disse: 'Toma a carne e os pães sem fermento e coloca-os sobre esta pedra e derrama o caldo sobre eles.' E Gedeão assim fez. Então o Anjo de Yahveh estendeu a ponta do cajado que tinha mão e tocou a carne e os pães sem fermento. O fogo se ergueu da pedra e devorou a carne e os pães sem fermento, e o Anjo de Yahveh desapareceu dos seus olhos. Então viu Gedeão que era o Anjo de Yahveh, e exclamou: 'Ah! Meu Senhor Yahveh (hwhy ynd) – Adonay Yahveh)! Eu vi o Anjo de Yahveh face a face!' Yahveh lhe disse: 'A paz esteja contigo (Kl Mwl# - Shalôm lekhá)! Não temas, não morrerás.' Gedeão ergueu ali um altar a Yahveh e o chamou: Yahveh é paz (Mwl# hwhy – Yahveh shalôm).” [Jz. 6.11-12, 14, 17-24]

Aqui, outra confusão entre Yahveh e seu Anjo. A separação entre ambos é cada vez menos nítida. A oferenda que o anjo recebe é comum no Pentateuco. É um holocausto, no qual a oferenda é toda queimada. O anjo não come a oferenda, apenas a incendeia, realizando uma espécie de rito propiciatório. A carne do cabrito representa o sangue, os pães o corpo, a pedra o fundamento da vida e o fogo, a própria vida, benefício de Deus aos seres.

“O Anjo de Yahveh apareceu a essa mulher [a futura mãe de Sansão] e lhe disse: 'Tu és estéril e não tiveste filhos, mas conceberás e darás à luz um filho.' (...) A mulher entrou e disse ao marido: 'Um homem de Deus (Myhl)h #y) – 'ish ha-Elohim) me falou, um homem que tinha a aparência do Anjo de Deus (Myhl)h K)lm – Mal'akh ha-Elohim), tal era a sua majestade.' (...) Disse então Manué ao Anjo de Yahveh: 'Permite que te detenhamos e te ofereçamos um cabrito.' Porque Manué ignorava que era o Anjo de Yahveh. E o Anjo de Yahveh disse a Manué: 'Ainda que me detivesses, não comeria da tua comida; mas, se quiseres preparar um holocausto, oferece-o a Yahveh.' [Aqui, parece que a confusão entre Yahveh e seu Anjo é desfeita!] Manué disse então ao Anjo de Yahveh: 'Qual é o teu nome para que, assim que cumprir a tua palavra, possamos prestar-te homenagem?' O Anjo de Yahveh lhe respondeu: 'Por que te falar do meu nome? Ele é maravilhoso (y)lp – pile'í).' Então Manué tomou o cabrito, com a oblação, e, no rochedo, o ofereceu em holocausto a Yahveh, que realiza coisas maravilhosas. Manué e sua mulher observaram. Ora, subindo a chama do altar para o céu, subiu na chama do altar o Anjo de Yahveh (...).” [Jz. 13.3-4, 6, 15-20]

Nesta passagem o Anjo solicita uma oferenda não para si, mas para Yahveh. Há, então, pelo menos aqui, uma diferenciação entre ambos. Quando Manué pergunta o nome do Anjo de Yahveh, este diz que seu nome é “maravilhoso” ou “Pile'í”, que soma 121=4, o número dos anjos. Podemos até pensar em chamá-lo especificamente de l)y)lpPile'iel, “O Maravilhoso de Deus”!

Há um relato muito interesante em I Samuel. O rei Saul consulta a feiticeira de Endor e pede a esta que chame Samuel do mundo dos mortos, pois este havia morrido. Todavia, como Saul está disfarçado, a feiticeira não sabe que se trata do rei. Mas:

“Então a mulher viu Samuel e, soltando um grito medonho, disse a Saul: 'Por que me enganaste? Tu és Saul!' Disse-lhe o rei: 'Não temas! Mas o que vês?' E a mulher respondeu a Saul: 'Vejo um Elohim [que a Bíblia de Jerusalém traduz como “espectro”] que sobre da terra.' Saul indagou: 'Qual é a sua aparência?' A mulher respondeu: 'É um velho que está subindo; veste um manto.' Então Saul viu que era Samuel e, inclinando-se com o rosto no chão, prostrou-se.” [I Sm. 28.12-14]

Estranhamente o termo “Elohim” aqui é aplicado a um morto, o profeta Samuel. Resquícios da divinização de heróis e figuras importantes, origem da maior parte dos deuses dos antigos? Talvez, porque a etimologia da palavra “Elohim” remete a um ser muito elevado. Então, poderiam ser estes homens divinizados voltar depois como “mensageiros de Deus” ou, mais especificamente, como seus “anjos”? Se for o caso, há alguma relação entre os espíritos de mortos santificados e os anjos!

“Ele [Yahveh] inclinou os céus e desceu, uma névoa escura debaixo dos seus pés; cavalgou (vairekav) um querubim (Keruv) e alçou vôo, planou sobre as asas do vento.” [II Sm. 22.10-11]

Aqui há um trocadilho entre o verbo bkr (rakhav - “cavalgar”) e bwrk (keruv - “querubim”); tratam-se das mesmas letras hebraicas, trocadas. A soma das letras dá 222=6, se retirarmos o w (“u”) de Keruv, por ser uma vogal de apoio. O seis, na Cabala, traz a noção de “som, sopro, união íntima”. Keruv é, então, a cavalgadura de Yahveh, seu “veículo”, assim como na Índia um elefante branco é a cavalgadura do deus Indra, o deus dos céus. Este trecho tem nítida inspiração na mitologia mesopotâmica.

“O Anjo [de Yahveh] estendeu a sua mão sobre Jerusalém para a exterminar, mas Yahveh se arrependeu desse mal, e disse ao Anjo que exterminava o povo: 'Basta! Retira a tua mão agora!'” [II Sm. 24.16]

Este trecho também diferencia Yahveh de seu Anjo, que funciona como seu “exterminador”. Alguns pesquisadores atribuem esse e outros relatos de extermínio ao advento de pestes, interpretadas pelos semitas como castigo divino.

[Elias] Deitou-se e dormiu debaixo do junípero. Mas eis que um Anjo o tocou e disse-lhe: 'Levanta-te e come.' Abriu os olhos e eis que, à sua cabeceira, havia um pão cozido sobre pedras quentes e um jarro de água. Comeu, bebeu e depois tornou a deitar-se. Mas o Anjo de Yahveh veio pela segunda vez, tocou-o e disse: 'Levanta-te e come, pois do contrário o caminho te será longo demais.' Levantou-se, comeu e bebeu e depois, sustentado por aquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até a montanha de Deus (Elohim), Horêv.” [I Rs. 19.5-8]

A tradução mais adequada seria “Montanha dos Deuses” - Horêv, que seria qual um “Olimpo bíblico”. Parece ser o mesmo Monte Sinai, embora nas diferentes tradições bíblicas o nome varie. Estariam os anjos instalados nesta montanha? Seria ela a versão semita do Monte Meru ou Sumeru da Índia hinduísta e budista? O Meru indiano representa o universo, o eixo do mundo e é onde vivem os “Deuses”. No Extremo Oriente o Meru está relacionado a Shambala, uma Terra Pura ou mágica onde seres muito evoluídos vivem milhares de anos!
Os quarenta dias e quarenta noites são uma lembrança da tradição simbólica dos quarenta anos dos hebreus no deserto.

“Miquéias retrucou: 'Escuta a palavra de Yahveh: Eu vi Yahveh assentado sobre seu trono ()sk – kisê'); todo o exército dos céus (Mym#h )bc – Tseva' ha-shamáiym) estava diante dele, à sua direita e à sua esquerda.” [I Rs. 22.19]

O termo “trono” (kisê') soma 81=9, o número de Eloah, indicando ser Yahveh um dos Elohim.

“Naquela mesma noite, saiu o Anjo de Yahveh e exterminou no acampamento assírio cento e oitenta mil homens [um número simbólico, não real!]. De manhã, ao despertar, só havia cadáveres.” [II Rs. 19.35]

Mais uma verz o Anjo Exterminador, como em II Sm. 24.16. A indicação de que os assírios podem ter sido atacados por uma peste é o número de mortos: 180 mil, um número cabalístico que, transposto para letras hebraicas, dá a palavra qp (piq - “tremedeira”).

[O rei Manassés] (...) prostrou-se diante de todo o exército dos céus e lhe prestou culto. (...) Edificou altares para todo o exército dos céus nos dois pátios do Templo de Yahveh.” [II Rs. 21.3,5]

Eis o indício de um culto aos anjos no século VII a.C., culto este que foi proibido pela reforma de Josias, algumas décadas depois. Todavia, pelo que indica o próprio texto bíblico, esse culto aos exércitos celestes – os anjos, uma vez que os planetas e as constelações são citados em separado em II Rs. 23.5 – já era praticado pelos povos vizinhos a Israel.


4 – Crônicas – Neemias – Tobias – Jó

“Satã levantou-se contra Israel e induziu Davi a fazer o recenseamento de Israel.” [I Cr. 21.1]

Este trecho possui um similar em II Sm. 24.1, que é anterior ao citado acima. Em Samuel, Satã é chamado de hwhy P) (af Yahveh - “ira de Yahveh”). Ora, esta expressão soma 827=17=8, a mesma soma de Yahveh (26=8), enquanto o nome “Satã” soma 1009=10, o número da primeira letra do nome de Yahveh, que o representa por inteiro. Podemos, então, identificar Satã com o outro lado de Yahveh, que Crônicas chama de “Ira de Yahveh”. E, uma vez que Jó, mais adiante, esclarecerá ser Satã um anjo, Yahveh também deve ser.

“Veio pois, Gad [um vidente] até Davi e disse-lhe: 'Assim fala Yahveh. Escolhe: ou três anos de fome, ou uma derrota de três meses diante dos teus adversários, atingindo-te a espada de teus adversários, ou ainda a espada de Yahveh e três dias de peste na terra, devastando o Anjo de Yahveh todo o território de Israel!' (...) Yahveh enviou, portanto, a peste (rbd – déver) sobre Israel e pereceram setenta mil homens de Israel. Depois Deus (Myhl)h – ha-Elohim) enviou o Anjo a Jerusalém para exterminá-la; mas. No momento de exterminá-la, Yahveh viu e se arrependeu deste mal; e disse ao Anjo Exterminador (tyx#m K)lm – Mal'akh Mash-híth): 'Basta! Retira a tua mão.' (...) Erguendo os olhos, Davi viu o Anjo de Yahveh entre a terra e o céu, tendo na mão a espada desembainhada, voltada contra Jerusalém.” [I Cr. 21.11-12,14-16]

Percebem-se alguns trocadilhos cabalísticos aqui. O termo “peste” (déver) soma 206=8, o número da soma de Yahveh. A expressão “Anjo de Yahveh” soma 597=21. A expressão “Anjo Exterminador” soma 1329=15, valor de Yah, abreviatura de Yahveh. Porém, se definirmos que o Anjo Exterminador é a peste (déver) e o chamarmos de rbd K)lm (Mal'akh Déver - “Anjo da Peste”), teremos 777=21, ou seja, o mesmo valor (21) de “Anjo de Yahveh”. O número de homens mortos – 70 mil – representa a letra hebraica ( (áin), que vale tanto 70 quanto 70 mil, e cabalisticamente significa “destruição”. Então, o Anjo Exterminador seria apenas a destruição pela peste, um símbolo e nada mais. Isso mostra que também para os semitas as doenças e epidemias eram consideradas castigos divinos ou sinais da interferência de algum ser celestial justiceiro ou vingador.

“És tu, Yahveh, que és o único! Fizeste os céus (Mym# - shamáiym), os céus dos céus (Mym#h ym# - shmê ha-shmáiym) e todo o seu exército (M)bc – tseva'ám), a terra e tudo o que ela contém, os mares e tudo o que eles encerram. A tudo isso és tu que dás vida, e o exército dos céus (Mym#h )bc – tseva' ha-shamáiym) diante de ti se prostra.” [Ne. 9.6]

“Shamáiym” (Céus) soma 950=14=5, o número do espírito divino ou da “Vida” que anima a tudo. “Shmê ha-shamáiym” (Os Céus dos Céus) soma 1305=9, o número de Eloáh – aqui temos uma indicação de que os Céus dos Céus é o Céu dos anjos, chamados individualmente de Eloáh (um deus) e coletivamente de Elohim (deuses). Por isso “Tseva'ám” (Exército) soma 693=18=9 (Eloáh). A interpretação cabalística do versículo permite a seguinte tradução: “(...) Moldaste a Vida [a Consciência ou Espírito?], o Céu dos Anjos [o Espaço?] e todo o seu exército [os astros?] (...). A tudo isso és tu que dás vida, e os Anjos diante de ti se prostram.”

Os trechos a seguir são do Livro de Tobias. Não constam da Bíblia Hebraica porque foi escrito em grego, mas faz parte da Bíblia Católica. Mas têm alguma importância os quatro trechos que seguem:

“Naquele instante, na Glória de Deus, foi ouvida a oração de ambos e foi enviado Rafael para curar os dois (...).” [Tb. 3.16-17]
“Tobias saiu em busca de alguém que conhecesse o caminho e que fosse com ele à Média. Ao sair, encontrou Rafael, o anjo, de pé diante dele; mas não sabia que era um anjo de Deus. (...) Partiu, pois, Tobias em companhia do anjo, e o cão os seguia.” [Tb. 5.4 e 6.2]
“Recordou-se Tobias dos conselhos de Rafael e, tirando o fígado e o coração do peixe dentro do saco onde os guardara, colocou-os sobre as brasas do perfumador. O cheiro do peixe expulsou o demônio, que fugiu pelos ares até o Egito. Rafael seguiu-o, prendeu-o e acorrentou-o imediatamente.” [Tb. 8.1-3]
“Quando tu e Sara fazíeis oração, era eu quem apresentava vossas súplicas diante da Glória do Senhor e as lia; eu fazia o mesmo quando enterrava os mortos. Quando não hesitaste em te levantares da mesa, deixando a refeição, para ires sepultar um morto, fui enviado para provar tua fé, e Deus enviou-me, ao mesmo tempo para curar-te a ti e a tua nora Sara. Eu sou Rafael, um dos sete anjos que estão sempre presentes e têm acesso junto à Glória do Senhor.” [Tb. 12.12-15]

Os trechos descrevem as atividades do anjo Rafael, um dos três anjos citados na Bíblia e um dos Sete Anjos do Senhor (ou Anjos da Face), juntamente com Mikhael (Miguel) e Gabriel. Mikhael é um anjo combatente, Gabriel é um anunciador e Rafael, ao que parece, é um anjo da cura e um anjo-guia, pois foi o guia da Tobias em sua viagem, além de tê-lo curado.

Vamos, então, aos trechos de Jó!

“No dia em que os Filhos de Deus (Myhl)h ynb – Bnê ha-Elohim) vieram se apresentar a Yahveh, entre eles veio também Satã. Yahveh então perguntou a Satã: 'Donde vens?' - 'Venho de dar uma volta pela terra, andando a esmo', respondeu Satã.” [Jó 1.6-7]
“Num outro dia em que os Filhos de Deus vieram se apresentar novamente a Yahveh, entre eles, para apresentar-se diante de Yahveh, veio também Satã.” [Jó 2.1]
“Dos próprios servos (wydb( - 'avadáyv) ele [Deus] desconfia, até mesmo a seus anjos verbera o erro (hlht – taholáh).” [Jó 4.18]
“Grita, para ver se alguém te responde. A qual dos Santos (My#dq – Qedoshím) te dirigirás?” [Jó 5.1]
“Até em seus Santos (wy#dq – Qedosháyv) Deus não confia, e os Céus (Mym# - Shamáiym) não são puros aos seus olhos.” [Jó 15.15]
“Sua alma aproxima-se da sepultura, e sua vida dos que fazem morrer, a não ser que encontre um Anjo favorável (Cylm K)lm – Mal'akh Melíts), um Mediador (ynym – Miní) entre mil, que dê testemunho de sua retidão, (...).” [Jó 33.22-23]
Aqui Satã é definido como um dos “Bnê Elohim”, os “Filhos de Deus [ou Deuses]”, sendo, portanto, um anjo.

Temos ainda termos novos para designar os anjos. O termo “servo” ('éved), que soma 76=13=4 (o número dos anjos), é um deles. “Santo” (Qadosh), que soma 404=8 (o número da soma de Yahveh), é outro. O número de Yahveh ainda aparece na expressão “Anjo favorável ou Mediador”, onde o termo “Melits” (lit. “intérprete”) soma 980=17=8.

Quando se diz que os anjos podem errar, o termo “erro” (taholáh) soma 440=8. Estariam eles sujeitos ao erro pelo fato de estarem próximos dos homens, fazendo a ligação entre a Divindade imaculada e suas criaturas?

5 – Salmos

Dos 150 Salmos, apenas 11 citam algo referente aos anjos, e na maior parte das vezes, repetindo o que já vimos. Citemos, então, estes trechos num só bloco:

“Quando vejo o céu, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que fixaste, que é um mortal, para dele te lembrares, e um filho de Adão, que venhas visitá-lo? E o fizeste pouco menor do que os Elohim [deuses], coroando-o de glória e beleza.” [Sl. 8.4-6]
“Ele inclinou o céu e desceu, tendo aos pés uma nuvem escura; cavalgou um querubim e voou, planando sobre as asas do vento.” [Sl. 18.10-11, repretindo II Sm 22.10-11, que já analisamos]
“(...) Tributai a Yahveh, ó filhos de Deus (Myl) ynb _ Bnê Elim e não Myhl) ynb _ Bnê Elohim, como de costume), tributai a Yahveh glória e poder, (...).” [Sl. 29.1 – Se Bnê Elohim soma 708=15 – número de Yah – e Bnê Elim soma 703=10 – número da primeira letra de Yahveh –, há correspondência entre ambos, que estão no plural.]
“O Anjo de Yahveh acampa ao redor dos que o temem, e os liberta.” [Sl. 34.8]
“Lançou contra eles o fogo de sua ira (P) _ 'af): cólera (hrb( _ 'evrah), furor e aflição (hrc _ tsarah), uma legião de anjos portadores de desgraças [My(r yk)lm _ Mal'akhê Ra'iym]; (...).” [Sl. 78.49 – Os termos 'evrah e tsarah somam ambos 16, o número da destruição na Cabala. Pois, Ra'iym (“desgraças”), também soma 16. Seriam os “Anjos da Desgraça” (Mal'akhê Ra'iym) outra classe angélica?]
“Deus (Elohim) se levanta no conselho divino (l)-td( _ 'adath-'el), em meio aos deuses (Elohim) ele julga: (...).” [Sl. 82.1 – 'Adath-'El, o conselho divino, soma 505=10, o número de Yahveh. O termo Elohim aparece duas vezes, sendo, na Bíblia de Jerusalém, primeiro traduzido no singular, depois no plural. Mas, se a tradução correta for o plural, o versículo seria assim: “Os Deuses se levantam no conselho divino, em meio aos (outros) Deuses, eles julgam.”]
“E quem, sobre as nuvens, é como Yahveh? Dentre os filhos dos deuses (Bnê Elim), quem é como Yahveh? Deus (El) é terrível no Conselho dos Santos (My#dq dws _ Sod Qedoshim), grande e terrível com todos os que o cercam.” [Sl. 89.7-8 - “Conselho dos Santos” soma 1084=13=4, o número dos anjos. Os “Santos” seriam os “Anjos”?]
“Pois em teu favor ele ordenou aos seus anjos que te guardem em teus caminhos todos.” [Sl. 91.11]
“Yahveh firmou nos céus o seu trono e sua realeza (twklm _ Malkhuth) governa todo o universo. Bendizei a Yahveh, anjos seus, executores poderosos da sua palavra, obedientes ao som da sua palavra. Bendizei a Yahveh, seus exércitos todos, Ministros (wytr#m _ meshartháv) que cumpris a sua vontade.” [Sl. 103.19-21 – O termo “realeza” (Malkhuth, a 10ª Sefirah da Cabala) soma 496=19=10, o número de Yahveh. Já Mesharth (Ministro) soma 940=13=4, o número dos anjos.]
“Louvai-o todos os anjos, louvai-o, seus exércitos todos! [Este versículo – Sl. 148.2 – possui exatamente 26 letras hebraicas, ou seja, a soma total do nome Yahveh.]

6 – Isaías – Jeremias – Ezequiel – Daniel – Oséias – Sofonias – Zacarias – Malaquias

“No ano em que faleceu o rei Ozias, vi o Senhor (Adonay) sentado sobre um trono alto e elevado. A cauda da sua veste enchia o santuário.
Acima dele, em pé, estavam Serafins (Mypr# _ Serafim, plural de Saraf, “abrasador”) , cada um com seis asas; com duas cobriam a face, com duas cobriam os pés e com duas voavam. Eles clamavam uns para os outros e diziam: 'Santo, Santo, Santo é Yahveh dos Exércitos; a sua glória enche [ou preenche] toda a terra (wdwbk Cr)h-lk )lm tw)bc hwhy #wdq #wdq #wdq _ Qadosh, Qadosh, Qadosh, Yahveh tsevaôth melô khol-ha-árets kevodo.).” [Is. 6.1-3]

Neste trecho de Isaías aparecem os Serafins, uma ordem angélica. Serafim é o plural e soma 1090=10, o número de Yahveh. O singular, que é Saraf, soma 1300=4, o número dos anjos.

Nesta passagem aparece um “mantra cabalístico” muito apreciado pelos adeptos do que se chama de “neo-cabala”, uma pseudo-visão que mistura idéias tradicionais com deslumbres do movimento chamado “nova era” - falaremos disso na Parte III. A única diferença é que os adeptos da “neo-cabala” trocaram a expressão bíblica original tw)bc hwhy (Yahveh Tsevaoth - “Yahveh dos Exércitos”) por tw)bc ynd) (Adonay Tsevaoth - “Senhor dos Exércitos”), o que não altera o significado, uma vez que Adonay é um termo utilizado na Bíblia para esconder o nome Yahveh. Todavia, o resultado numérico (o número é a chave energética da Cabala!) é bem diferente. Yahveh soma 26=8, enquanto Adonay soma 65=11=2. O mantra em questão, em sua versão original, possui 35 letras hebraicas e 9 palavras, sendo 9 o número de Eloah. Há aqui uma seqüência cabalística que descobrimos somando o valor destas 9 palavras: 5 – 5 – 5 – 8 – 4 – 8 – 50 – 8 – 2. Veremos mais detalhes na Parte II.

“Todo o exército dos céus se desfaz; os céus se enrolam como um livro, todo o seu exército fenece, (...).” [Is. 34.4]
“Nessa mesma noite, saiu o Anjo de Yahveh e feriu cento e oitenta e cinco mil homens no acampamento dos assírios.” [Is. 37.36]
“Elevai os olhos para o alto e vede: Quem criou estas coisas? É ele que faz sair o seu exército em número certo e fixo; a todos chama pelo nome. Tal é o seu vigor, tão grande a sua força que nenhum deles deixa de apresentar-se.” [Is. 40.26]
“Foram as minhas mãos que estenderam os céus, eu é que dei ordens a todo o seu exército.” [Is 45.12]

Estes quatro trechos não requerem comentário algum, pois repetem o que já analisamos sobre o exército celeste. O mesmo vale para o seguinte trecho de Jeremias:

“Eles os espalharão diante do sol, da lua e de todo o exército dos céus, que eles amaram, seguiram e interrogaram e diante dos quais eles se prostraram.” [Jr. 8.2]

Os trechos de Ezequiel são particularmente interessantes por descreverem detalhadamente os anjos contactados por este profeta:

“(...) eis que os céus se abriram e tive visões de Deus (Elohim). (...) Eu olhei: havia um vento tempestuoso que soprava do norte, uma grande nuvem e um fogo chamejante; em torno, de uma grande claridade e no centro algo que parecia electro (lm#x _ hashmal), no meio do fogo. No centro, algo com forma semelhante a quatro animais, mas cuja aparência fazia lembrar uma forma humana. Cada qual tinha quatro faces e quatro asas.
(...) No meio dos animais havia algo como brasas ardentes, com a aparência de tochas, que se movia por entre os animais. O fogo era brilhante e do fogo saíam relâmpagos. Os animais iam e vinham à semelhança de um relâmpago.
“Olhei para os animais e eis que junto aos animais de quatro faces havia, no chão, uma roda (Npw) _ 'ofan). O aspecto das Rodas (Mynpw) _ 'Ofanim) e a sua estrutura tinham o brilho do crisólito. Todas as quatro eram semelhantes entre si. Quanto ao seu aspecto e à sua estrutura, davam a impressão de que uma roda estava no meio da outra. (...) As rodas se moviam para o espírito (xwr _ Ruah) a fim de avançarem na direção em que o espírito as conduzia e se levantavam com ele, porque o espírito do animal estava nas Rodas.” [Ez. 1.1,4-6,13-16,20]
“Olhei e eis sobre a abóbada que estava por cima da cabeça dos Querubins, por cima deles surgiu algo semelhante a uma pedra de safira, que tinha a aparência de um trono. (...) Ora, os Querubins estavam de pé do lado direito do Templo quando o homem entrou, e a nuvem enchia o átrio interior. A Glória de Yahveh (hwhy dwbk _ Kevod Yahveh) ergueu-se de sobre o querubim, movendo-se em direção ao limiar do Templo. Ao quê o Templo se encheu com a nuvem e o átrio ficou cheio do resplendor da Glória de Yahveh. O ruído das asas dos Querubins podia ser ouvido desde o átrio exterior, como a voz de El Shaday quando ele fala. (...) Em seguida, a Glória de Yahveh saiu de sobre o limiar do Templo e pousou sobre os Querubins. Os Querubins levantaram as asas e se ergueram do solo, à minha vista. Ao saírem, as Rodas estavam com eles.” [Ez. 10.1,3-5,18-19]
“Então os querubins ergueram as suas asas, enquanto com eles, ao seu lado, iam as Rodas, e a Glória do Deus (Eloah) de Israel estava por cima, sobre eles. A Glória de Yahveh elevou-se de sobre a cidade e pousou em cima do monte que ficava para o oriente.” [Ez. 11.22-23]
“Fiz de ti o Querubim Mimeshah (x#mm bwrk _ Keruv Mimeshah, termo de significado incerto traduzido por São Jerônimo como “querubim de asas abertas”); estavas no monte santo de Deus (Elohim) e movias-te por entre pedras de fogo.” [Ez. 28.14]
“Conduziu-me para lá e eis aí um homem (#y) _ 'ish), cujo aspecto era como o bronze, e que tinha na mão um cordel de linho e uma cana de medir. Ele estava em pé no pórtico.” [Ez. 40.3]

Estes trechos trazem alguns termos complicados, alguns, inclusive, de significação desconhecida. O primeiro deles é hashmal, traduzido na Bíblia de Jerusalém como “electro” (o âmbar amarelo), mas cuja significação exata não é conhecida. O texto diz que hashmal estava no centro, no meio do fogo, assim como os quatro animais e as “Rodas”. O termo deve, portanto, ter alguma ligação com estas classes angélicas. Cabalisticamente, hashmal soma 378=18=9, o número de Eloah.

O termo “animais” (twyx _ hayoth) soma 424=10, o número de Yahveh. O termo Ofanim (Rodas) soma 747=18=9, o número de Eloah. Seu singular Ofan (Roda) soma 787=22, o número das letras do alfabeto hebraico e, na Cabala, o número das Leis Cósmicas que regem o universo. As Rodas estão, portanto, associadas à Ordem Universal. Diz o texto que elas estão associadas ao “espírito” (divino), que é Ruah, o qual soma 214=7, o número perfeito e também o número dos planetas e dos Anjos Planetários. As Rodas podem, então, referir-se aos anjos regentes dos planetas.

Uma expressão de tradução incerta é “Keruv Mimeshah”, traduzida livremente como “querubim de asas abertas”. Keruv soma 228=12 (os signos do zodíaco); Mimeshah soma 388=19=10 (o número de Yahveh); “Keruv Mimeshah” soma 616=13=4 (o número dos anjos). No caso de Mimeshah, a soma cabalística (388) nos remete a outro termo hebraico – xp# (shofeh) – que significa “servo, criado”. A tradução, então, poderia ser: “Fiz de ti o servo querubim...”

Vejamos, então, os trechos do Livro de Daniel:

“E ele [o rei Nabucodonosor] prosseguiu: 'Mas estou vendo quatro homens (o original traz a expressão aramaica Nyrbg _ guvrin, homens) sem amarras, os quais passeiam no meio do fogo sem sofrerem dano algum, e o quarto deles tem o aspecto de um filho dos deuses (aramaico Nyhl)-rb _ bar-'elahin)!' (...) Exclamou então Nabucodonosor: 'Bendito seja o Deus (aramaico hl) _ Elah, equivalente ao hebraico Eloah) de Sidrac, Misac e Abdênago, que enviou o seu anjo e libertou os seus servos, os quais, confiando nele, desobedeceram à ordem do rei e preferiram expor os seus corpos a servir ou adorar qualquer outro deus (Elah) senão o seu Deus (Elah).'” [Dn. 3.25,28 – Aqui, o termo guvrin, “homens” em aramaico, equivale ao hebraico Myrbg _ gevarim. Todavia, faz mais sentido o cálculo cabalístico se feito em aramaico, pois este trecho está nesta língua, que assimilou o hebraico anterior. Guvrin soma 915=15, o valor de Yah, abreviatura de Yahveh. Os “homens” são, portanto, enviados (anjos) de Yahveh. A expressão “filho dos deuses” soma 948=21=3, sendo este número a fecundidade e a primeira letra do nome divino lwdg _ Gadol, que significa “Grande”. É um sinal da Divindade.]
“Eu continuava a contemplar as visões da minha cabeça, sobre o meu leito, quando vi um Vigilante (ry( _ 'ir), um santo (#ydq _ Qadish) que descia do céu e que bradava com voz possante: '(...) Eis a sentença que pronunciam os Vigilantes (Nyry( _ 'irin), a questão decidida pelos santos (Ny#ydq _ qadishin), a fim de que todo ser vivo saiba que o Altíssimo (h)l( _ 'Illa'ah) é quem domina sobre o reino dos homens: (...).' (...) Quanto ao fato de o rei ter visto um Vigilante, um santo que descia do céu (...). (...) Todos os habitantes da terra são contados como nada, e ele dispõe a seu bel-prazer do Exército dos Céus (aramaico )ym# lyx _ Hel Shemaiá') e dos habitantes da terra.” [Dn. 4.10,14, 20, 32 – Nestes trechos aparece pela primeira vez o termo “Vigilante” para designar um anjo. O termo no singular ('ir) soma 280=10 (Yahveh) e no plural ('irin) soma 990=18=9 (Eloah).]
“Meu Deus enviou-me seu anjo e fechou a boca dos leões, de tal modo que não me fizeram mal.” [Dn. 6.23]
“Então ouvi um santo (#wdq _ qadosh) a falar. E outro santo disse àquele que falava: 'Até quando irá a visão do sacrifício perpétuo, (...)?' (...) Enquanto contemplava esta visão, eu, Daniel, procurava o seu significado. Foi quando, de pé diante de mim, vi uma como aparência de homem (rbg – gaver). E ouvi uma voz humana (Md)-lwq _ qol-adam) sobre o Ulai gritando e dizendo: 'Gabriel, explica a este a visão!' Ele dirigiu-se para o lugar onde eu estava. À sua chegada, fui tomado de terror e caí com a face por terra. (...) Ele me fez reerguer no lugar onde eu estava. (...) Então, eu, Daniel, desfaleci e fiquei doente por vários dias.” [Dn. 8.13, 15-18, 27 – Aqui temos a chave do nome do anjo Gabriel. Daniel descreve alguém com a aparência de um homem (gaver). Ora, Gabriel (orig. l)yrbg _ Gavriel) nada mais significa que “homem de Deus”. É um nome genérico, portanto. Como Gabriel soma 246=12, parece haver alguma relação com os signos zodiacais.]
“(...) eu estava ainda falando, em oração, quando Gabriel, aquele homem que eu tinha notado antes, na visão, aproximou-se de mim, num vôo rápido, pela hora da oblação da tarde. Ele veio para falar-me, e disse: 'Daniel, eu saí para vir instruir-te na inteligência (hnyb _ binah, a 2ª Sefirah da Cabala).” [Dn. 9.21-22 – Seria Gabriel o anjo da inteligência, além do seu já conhecido papel de anunciador? De fato, o termo “inteligência” (binah) soma 67=13=4, o número dos anjos.]
“(...) levantei os olhos para observar. E vi: Um homem revestido de linho, com os rins cingidos de ouro puro, seu corpo tinha a aparência do crisólito e seu rosto o aspecto do relâmpago, seus olhos como lâmpadas de fogo, seus braços e suas pernas como o fulgor do bronze polido, e o som de suas palavras como o clamor de uma multidão. Somente eu, Daniel, vi esta aparição. Os homens que estavam comigo não viam a visão, (...). Ouvi, então, o som de suas palavras. (...) E ele disse-me: '(...) E é por causa de tuas palavras que eu vim. O Príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias, mas Miguel (l)kym _ Mikhael), um dos primeiros Príncipes (Myr# _ Sarim), veio em meu auxílio. Fui deixado afrontando os reis da Pérsia e vim para fazer-te compreender o que sucederá a teu povo, no fim dos dias, (...).” [Dn. 10.5-7, 9, 11-14 – Este trecho é difícil, já que parece tratar-se de dois anjos, o que enviou Miguel e o próprio Miguel, aqui citado. Todavia, o anjo diz “fui deixado afrontando” e não “eu deixei (Miguel) afrontando”, fazendo-nos pensar que quem fala é o próprio Miguel. O termo “Príncipes” soma 1110=3, e se constitui noutra classe angélica.]
Nesse tempo levantar-se-á Miguel, o grande Príncipe, que se conserva junto dos filhos do teu povo. Será um tempo de tal angústia qual jamais terá havido até aquele momento, desde que as nações existem. Mas nesse tempo o teu povo escapará, isto é, todos os que se encontrarem inscritos no Livro.” [Dn. 12.1 – Nesta fase do texto bíblico, Miguel toma as funções que, no Pentateuco, eram atribuídas ao Anjo de Yahveh. Talvez Miguel seja o próprio Anjo de Yahveh, já que o significado do hebraico Mikhael é “o semelhante a Deus”. Isso explicaria a confusão entre Yahveh e seu Anjo, que seria, então, a expressão de Deus como ou através de uma manifestação fenomênica.]

Para encerrar nossa análise do Antigo Testamento, apresentamos em bloco os trechos relevantes de Oséias, Sofonias, Malaquias e Zacarias:

“No seio materno ele suplantou seu irmão, e em seu vigor lutou com Deus (Elohim). Ele lutou contra o anjo e o venceu, ele chorou e lho implorou. Em Bet-El o reencontrou. Ali ele nos falou. Yahveh, Deus dos Exércitos (tw)bch yhl) _ Elohê ha-tsevaoth), Yahveh é o seu nome.” [Os. 12.4-6 – Aqui, o anjo que lutou com Jacó é definido como o próprio Yahveh. A expressão “Deus dos Exércitos” soma 550=10, o número de Yahveh.]
“Estenderei a minha mão contra Juda e contra (...) os que se prostram nos telhados diante do exército dos céus, os que se prostram diante de Yahveh, mas juram por seu rei, os que se afastam de Yahveh, que não procuram a Yahveh nem o consultam.” [Sf. 1.4-6]
“Eis que vou enviar o meu mensageiro (yk)lm _ Mal'akhí) para que prepare um caminho diante de mim. Então, de repente, entrará em seu Templo o Senhor que vós procurais; o Anjo da Aliança (tyrbh K)lm _ Mal'akh ha-beríth), que vós desejais, eis que ele vem, disse Yahveh dos Exércitos.” [Ml. 3.1 – Este mensageiro enviado por Deus é identificado pelos teólogos como sendo o Cristo. Ele é chamado “Anjo da Aliança”, expressão que soma 1183=13=4, o número dos anjos. Temos aqui, então, a identificação do Cristo com um anjo. Afinal, a palavra “anjo”, em hebraico “mal'akh”, significa “mensageiro”. Mas há uma diferença entre Cristo e Jesus – Ver adiante.]
“Eu tive uma visão durante a noite. Eis: Um homem montado em um cavalo vermelho estava parado entre as murtas que havia num vale profundo; atrás dele estavam cavalos vermelhos, alazões e brancos. E eu disse: 'Quem são eles, meu Senhor?' Disse-me o anjo que falava comigo: 'Vou mostrar-te quem são eles.' E o homem que estava entre as murtas respondeu: 'Estes são os que Yahveh enviou para percorrerem a terra.' Então eles se dirigiram ao Anjo de Yahveh, que estava entre as murtas e lhe disseram: 'Acabamos de percorrer a terra e eis que toda a terra repousa e está tranqüila!.'” [Zc 1.8-11]
“Depois Yahveh fez-me ver quatro ferreiros (My#rx _ harashim).” [Zc 2.3 – Há, aqui, outro nome para anjos. Eles são chamados de “ferreiros”, o que soma 1118=11=2. O singular “ferreiro” soma 508=13=4, o número dos anjos!]
“Ele me fez ver Josué, sumo sacerdote, que estava de pé diante do Anjo de Yahveh, e Satã, que estava de pé à sua direita para acusá-lo. Yahveh disse a Satã: 'Que Yahveh te reprima, Satã, reprima-te Yahveh, que elegeu Jerusalém.'” [Zc. 3.1-2 – O trecho confunde três personagens: Yahveh, Satã e o Anjo de Yahveh, identificado há pouco com Miguel.]
“E eu disse: 'Vejo um lampadário todo de ouro com um reservatório em sua parte superior; sete lâmpadas estão sobre ele (...).' Então eu perguntei ao anjo que falava comigo: 'O que significam estas coisas, meu Senhor?' (...) E ele respondeu-me: 'Estes sete são os olhos de Yahveh, que percorrem toda a terra.'” [Zc. 4.2-4, 6a, 10b – Estes seriam os Sete Anjos Planetários ou Sete Anjos da Face.]


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