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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Visão Holística

(Trecho do livro "Projeto Aurora - retorno a linguagem da consciência", de Paulo Stekel - saiba como adquirir acessando: http://stekelmusic.blogspot.com.br/2013/10/livros-de-stekel-e-books-em-pdf.html)



Visão Holística

A Visão Holística é a proposta emergente de transcendência dos velhos métodos mecanicistas. Mas sempre há o risco de que algo novo como a Holística venha a se transformar num mero modismo1., o que pode fazerem fracassar seus objetivos de melhora da humanidade, beneficiando apenas os que vivem às custas dos problemas mundiais. Sabemos da facilidade que os sistemas têm de se unir a seus inimigos ideológicos de forma mascarada, como forma de os ter sob controle.

Talvez o caráter excessivamente pacífico, ou antes passivo da maioria dos “holistas”, que parecem ainda maravilhados com as recentes descobertas da Ciência oficial e as últimas conquistas políticas (mascaradas) do mundo na “nova ordem”, seja o que mais contribua para um fracasso da visão holística. Como boa parte dos “holistas teóricos” - os que lançaram as bases desta “nova” visão - vieram das fileiras da Ciência oficial, lhes parece difícil se desatrelarem dela. Há ainda uma certa soberba com relação a ela!

A continuar assim, uma visão holística só mudaria a “visão” mas não o domínio da Ciência oficial sobre a humanidade, estabelecido há cerca de três séculos. Deixaria de promover a verdadeira revolução que se faz necessária quanto a este domínio pérfido.

Quando os holistas teóricos falam da Tradição Esotérica da humanidade como um de seus objetos de estudo, se esquecem que esta mesma tradição sempre deu ênfase ao estudo individual do conhecimento, a uma busca pela experiência pessoal, ao contrário das experiências acadêmicas, fadadas à mediocridade por causa dos métodos caducos a que estão atrelados os estudantes.

Sem o rompimento definitivo com o “oficial” e “acadêmico” não há como se falar em visão holística, pelo menos em sentido efetivo, real e prático.

Mas antes de ir adiante nesta análise crítica dos procedimentos dos holistas (estamos criticando a posição dos holistas, não a proposta de visão ampla da Holística), se faz necessário esclarecer alguns conceitos básicos da Holística.

O termo Holismo (hoje se prefere a palavra Holística), originado do grego hólos (“todo, inteiro”), apareceu primeiramente no livro “Holism and Evolution” (1925), do pensador sul-africano Jan Smuts.
A concepção holística é a de que tudo é interdependente: as partes de um sistema estão no todo, e os princípios que regem este todo estão em cada parte, sendo que todos os fenômenos estão sujeitos a uma ação global de interligação. O budismo ensina esta verdade há mais de 2500 anos!

O conceito de Hólon, criado por Arthur Koestler em 1967, também é muito importante na Holística. Nasceu da percepção de que partes e todo em seu sentido absoluto não passam de uma mera ilusão. Todas as entidades universais (atômicas, moleculares, biológicas e sociais) são consideradas todos (hólon), por serem estruturas integradas e também partes de outros todos, dentro do que podemos chamar de encadeamento hierárquico universal.

O homem, sendo um hólon, possui uma tendência integrativa, que o faz ter consciência de que faz parte de um todo (grupal, social, familiar, etc.), e uma tendência auto-afirmativa, que o faz ter a consciência de individualidade e de diferenciação em relação ao “resto” do todo. O ideal é que exista um equilíbrio dinâmico entre estas duas tendências, comuns a todos nós, o que é raramente acontece.

O pensamento holístico é convergente com os movimentos contraculturais da década de 1960, com as terapias alternativas e com a consciência ecológica, agora em voga com o nome de consciência sistêmica.2. Apesar de ter relações com estes movimentos, cuja característica é o desejo da libertação humana do grilhão mecanicista que nos atormenta há três séculos, a maioria dos holistas continua, se não de forma ideológica, pelo menos na prática, atrelada ao mecanicismo e a uma atitude de pacífica conivência com os sistemas dominantes, com o oficial, o governamental e o acadêmico. Essa passividade não combina com quem quer uma transformação definitiva da consciência humana, o que implica, necessariamente, em liberdade social plena.

Precisamos, não de liberdade ideológica (coisa que a China comunista ainda não conquistou), mas de uma liberdade de resultados em prol do coletivo e do indivíduo ao mesmo tempo. Isso não mudará enquanto as cabeças pensantes continuarem agindo nas elites, se esquecendo da parcela humana que é maioria e exatamente a maior vítima do descaso oficial: o homem comum.

É muito fácil divulgar ideias amplas como as da holística para médicos, advogados, diretores de grandes empresas, governantes, cientistas e líderes religiosos, continuando a manter as grandes massas alienadas. Pois, nada disso terá valor se esses líderes não estiverem interessados em passar o conhecimento a seus subordinados que, não tendo acesso nem à educação básica, jamais poderão perceber uma proposta tão abrangente como a holística. Se quisermos que esta visão adentra a consciência do homem, devemos levá-la até ele, indistintamente. Enquanto ficarmos esperando por atitudes governamentais, isso não ocorrerá. Enquanto a humanidade não aprender a se autogerir, a ser autossuficiente sem seus governantes corruptos, isso não será mais que uma utopia.

As classes mais altas sempre têm uma maneira autossuficiente de se desvencilhar dos problemas causados pelo descontrole do sistema de poder, mas as classes mais baixas não têm, e então, não surge ninguém para auxiliá-las, pois neste caso, é cada um por si.

Ora, esta é a verdadeira fraternidade? Quantas humanidades coexistem no mundo de hoje? Até parece que estas “humanidades” vivem em planetas diferentes! A indiferença, no seu mais amplo e cruel sentido, é o maior problema que a humanidade enfrenta agora, seja esta indiferença individual, coletiva ou governamental. É o único empecilho para o desenvolvimento da consciência global da humanidade.3. Para resolvermos a situação, não necessitamos mais de propostas amplas e eficazes, mas de ações amplas e eficazes.

Se a Holística não adotar uma posição mais séria e mais próxima do grande público, tenderá a servir somente às elites, que continuarão dominando as massas.

Os holistas definem que Holística não é Ciência, nem Filosofia e nem Religião. É uma espécie de visão antimecanicista que permite um intercâmbio dinâmico entre Ciência, Arte, Filosofia e Tradição (na qual englobam a Religião). Achamos que a Política, no sentido de arte de (bem) conduzir os homens, deveria constar como uma quinta proposição de intercâmbio, pois tudo depende dela, tudo está à sua mercê. De uma forma ou de outra, tudo depende de contingências políticas.

Definitivamente não podemos concordar com a divisão da Holística em dois caminhos, estabelecida pelo eminente psicólogo francês radicado no Brasil Pierre Weil, a quem muito admiramos e que tivemos oportunidade de conhecer em 2005, na UNIPAZ – Brasília.4. Este dividiu a Holística em Holologia e Holopráxis.

A Holologia é definida como “o enfoque intelectual, especulativo e experimental da Holística. Consiste nas atividades acadêmicas e científicas comuns, onde através do raciocínio lógico prepara-se o intelecto para empreender a aventura da especulação filosófica, da compreensão e da discussão dos textos, da elaboração das idéias”. Já a Holopráxis é definida como “o caminho vivencial para a experiência holística, de natureza transpessoal. (...) Consiste no uso do aspecto intuitivo da mente com a finalidade de despertar a vivência transpessoal, (...)”.5. A Holopráxis trabalha com a prática de técnicas tradicionais, como yoga, tai-chi-chuan, lutas marciais, etc.

Esta ideia de separação parece guardar a intenção de não se querer unir definitivamente o lado acadêmico com o da tradição. Contudo, a separação entre Ciência (Holologia) e Tradição (Holopráxis) não é real, pois pensamos que a Tradição é a Ciência pura de outros tempos. Seus métodos é que são diferentes; privilegia a experiência individual (veja e creia) e não a avaliação de outros, vê o todo sem fragmentar e afirma ser este plano físico apenas um entre muitos possíveis.

Como a maioria dos holistas não conhece a fundo a Tradição, se limita apenas a estabelecer relações filosóficas ou psicológicas dela com a Ciência moderna, e não percebe a relação de conhecimento de uma com a outra.

Nos próximos capítulos demonstraremos que a visão holística pode ser válida se unir a Ciência e a Tradição sem fragmentação, o que representa bem o conceito de Holognose que definiremos no Cap. IV.6. Com esta visão chegamos às conclusões de nossa teoria logolinguística, apresentada neste livro.

A Ciência (oficial) fragmenta; a Tradição considera o todo. Portanto, a Tradição sempre foi holística, ao passo que a Ciência ainda é seccionante e autodestrutiva, tendo entregado ao homem a possibilidade de destruir o seu pequeno mundo um sem-número de vezes.

1.Todo modismo é um idiotismo. É o uso popular de determinada coisa ou conhecimento, porém de forma geralmente adversa da original, a mais das vezes desregrada. Assim, temos o “modismo esotérico” da década de 1990 e o modismo das abduções, que esconde o lado sério do assunto.
2.A mídia está de olho na ordem do dia. Tudo pode virar um simples modismo se faltar a conscientização adequada e interesses coletivos acima dos individuais.
3.A consciência global seria, prevemos, a antítese do nacionalismo retrógrado, a atitude fragmentária mais antiga do mundo. Onde existisse uma consciência global não haveria necessidade de separação em nações, estados, raças ou grupos minoritários. Muitos dos problemas sócio-políticos da atualidade estariam, então, solucionados. Se pátria é o lugar onde nascemos, quem tem a consciência global sabe que nasceu no universo – é um universalista, não um nacionalista. Infelizmente, vemos que hoje alguns países andam na contramão destas idéias, vivenciando um surto violento de nacionalismo, que geralmente é preconceituoso e cerceia a liberdade de pensamento. Se considerarmos que democracia significa a soberania popular, é lógico que os povos soberanos das democracias têm o pleno direito de se decidirem pelo nacionalismo ou pelo universalismo. Tememos que a decisão da maioria não viesse a ser respeitada, aliás, o que é muito comum nas democracias de papel em que se converteu a maioria das nações.
4.Fragmentar quando a idéia é não fragmentar parece uma contradição, não é mesmo? A Tradição dos antigos não fragmentava.
5.Pierre Weil, citado em Iniciação à visão holística, de Clotilde Tavares, pág. 63 – Ed. Record, 1993.
6.A Holognose atua com uma abordagem que denominamos estratégia holística de guerra (guerra no sentido de campanha, luta por um ideal), e que será explicada no Cap. IV.

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