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segunda-feira, 17 de março de 2014

Auto-observação e Espiritualidade

Por Paulo Stekel


Um dos maiores fatores causadores de conflitos cotidianos entre as pessoas é a falta ou incapacidade de observação de si mesmas. Há pessoas que sabem, nem que seja em seu íntimo, que estão erradas, equivocadas, ou incompletas em seus argumentos; mas, há uma boa quantidade de pessoas que realmente não percebe o equívoco e, assim, se acha sempre certa. Este tipo é realmente perigoso para a sanidade alheia, pois pode esconder um elemento psicótico e algo de psicopatia, por vezes.

A pessoa que tem algum grau de auto-observação, mas continua agindo de modo inadequado, tem como característica sempre procurar justificar suas atitudes, para tentar diminuir a angústia que sente por seus atos. É uma pessoa de personalidade “quente”, podemos dizer.

A pessoa que não se observa não justifica nada; ela simplesmente tem razão, e pronto! Os outros que se ajustem a ela. É uma pessoa de personalidade “fria”, impermeável ao outro, podemos dizer. Geralmente esta é uma pessoa inteligente, competente no trabalho, mas também arrogante, orgulhosa de seu comportamento e não admite não ser sempre o centro das atenções. Ela joga, manipula, esconde e, por vezes, agride. Não mente, porém, porque isso evidenciaria que ela se percebe, de alguma forma. Ela não mente porque sempre diz o que pensa ser o certo, sempre faz o que acha ser o certo e sempre tenta, grosseira ou sutilmente, impor isso aos outros, amigos ou desconhecidos. Pelo contrário, esta pessoa tem a fama de ser sincera demais, mas sem qualquer delicadeza, sem qualquer empatia, sem qualquer compaixão. É uma fanática de si mesma, uma “fundamentalista de si”. Uma radical de suas próprias ideias.

Muitos me perguntam se a meditação pode ajudar alguém assim, uma vez que, não se observando, esta pessoa jamais conseguiria ver o que deve mudar em sua vida. A meditação sempre ajuda, mas antes, esta pessoa terá que reconhecer suas limitações, entender que seu comportamento tem prejudicado os outros, desenvolver um arrependimento por este prejuízo, depois amor compassivo pelos demais e, então, poderá, com a prática, vir a superar sua personalidade difícil. O problema maior desta pessoa é o orgulho. Ela sabe que é difícil, mas orgulha-se disso. A pessoa que se observa e que também sabe que é difícil entende que isto não é bom quando prejudica os outros. A pessoa orgulhosa tem uma grande dificuldade de se colocar no lugar do outro, de entender o sofrimento alheio. E, assim, ela continua seu caminho, com uma mente embotada, indiferente às opiniões dos demais, mas muito insatisfeita e infeliz, pois não entende o motivo das pessoas sempre se afastarem dela.

A solução? Se você é uma pessoa deste tipo, primeiro observe a si mesmo. Em seguida, observe as consequências de seus atos. Perceba suas limitações. Arrependa-se de suas atitudes que prejudicaram ou ainda prejudicam os outros. Não se culpe. Não se torture. Não se autoflagele. Mas, definitivamente, decida conscientemente mudar sua visão de mundo, a forma como vê as coisas, os seres e suas próprias emoções. Relaxe, inspire, expire, contemple e viva, pois o que lhe falta é exatamente aprender a viver, viver de um modo relaxado e sem tensões. Não tente moldar uma suposta perfeição do mundo dentro dos seus padrões egocêntricos de perfeição, pois um mundo assim não seria diverso, seria uma ditadura do ego, do seu ego. Solte, abdique, desapegue! Entenda que tudo é uma projeção da sua mente, não a realidade. Você não pode, não deve e não vai conseguir controlar tudo à sua volta. Então, largue! Aprecie! Viva!

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