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domingo, 16 de agosto de 2015

[CAMINHOS DO DHARMA 08] Buda não era budista


"Temos que perceber que o verdadeiro e profundo significado de Dharma não está nas palavras, no racional, mas na experiência, na observação verdadeira e na compreensão. Ele pode ser entendido como o Caminho das Verdades Mais Elevadas, a Ordem subjacente à Natureza (o modo como as coisas realmente são, indo além do que percebemos pelos sentidos e pela mente, que interpreta os dados dos sentidos) e a realização de uma natureza inerente, a Natureza de Buda, a Natureza da Mente. Não é teoria religiosa nem filosófica, pois a teoria do Dharma ou a filosofia do Dharma são o Dharma Relativo, não o Absoluto, ao qual me refiro aqui. Religiões são relativas. Numa interpretação última, são todas formas de Dharma Relativo! Verdades parciais, dharmas relativos! Ao entendermos assim, estamos avaliando a palavra Dharma sob a perspectiva do Buda, não do homem comum, que vê muitas verdades relativas, muitos caminhos, que ele pode seguir. O Buda seguiu estes muitos caminhos antes de encontrar o Dharma profundo. Ao encontrá-lo, descobriu que TUDO é Dharma, que Dharma é o coração de tudo, é a essência natural do Ser, é a totalidade (Sâns. Tathata), é a ordem cósmica, é “secreto” (porque não o podemos perceber sem transcendermos o “eu” relativo que julgamos permanente). Por fim, despojou-se dos conceitos anteriores de religião e mesmo da visão tradicional hinduísta de sanatana dharma que conhecia até então. Literalmente, estou dizendo que o Buda não era budista! Talvez, ele chama-se a seus discípulos de “darmistas” (aqueles que buscam a Verdade, a Realidade Absoluta, o Dharma), não de budistas. Mas, Cristo também não era cristão...!"

[Trecho do livro "Caminhos do Dharma", de Pema Dorje/Paulo Stekel, a ser lançado em breve]

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

[CAMINHOS DO DHARMA 07] A Ordem Cósmica


"Os antigos hindus entenderam que há uma ordem cósmica (inicialmente chamada “Rta” - se lê “rita”, de onde também vem a palavra “ritual” - não esqueçamos que, como o Latim, o Sânscrito é uma língua indo-europeia). Esta ordem regula tudo, inclusive nossas ações e seus resultados. Na visão do Buda, isso não acontece por influência de uma divindade, mas pelo próprio mecanismo cósmico original sem início nem fim. Conforme acionamos este mecanismo através de nossas ações, suas consequências cármicas são inevitáveis. E, enquanto formos presas deste ciclo – chamado Samsara -, renasceremos infinitas vezes em variadas condições, até que nos libertemos em definitivo. Buscar a libertação (moksha no Hinduísmo, nirvana no Budismo) é, desde o conceito original pré-budista, a compreensão de que a satisfação dos desejos nunca traz felicidade permanente, de modo que apenas a liberação definitiva do senso de limitação que leva ao sofrimento é aceitável para um iogue consciente de seu lugar na ordem cósmica. Na visão hinduísta, um iogue é aquele que busca a união com o Divino através das técnicas do Yoga (lit. “união”, em Sânscrito); na visão budista, especialmente no Budismo Vajrayana, é um iogue aquele que busca a união com a mente primordial, com a Natureza da Mente, com a Mente de Buda, Samantabhadra, Vajradhara, Adi-Buddha, etc., através de técnicas de Yoga hinduístas adaptadas ao contexto budista. Em ambos os casos, uma vida de Yoga é uma vida dármica. Mas, cada um deve compreender o “seu” Dharma, praticá-lo, e atingir a libertação do sofrimento. Para isso, podemos nos valer dos ensinamentos de pessoas mais qualificadas, mais experientes, preceptores, mestres, gurus... Não é a única possibilidade para a libertação definitiva, mas certamente um dos caminhos viáveis."

[Trecho do livro "Caminhos do Dharma", de Pema Dorje/Paulo Stekel, a ser lançado em breve]