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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

[CAMINHOS DO DHARMA 07] A Ordem Cósmica


"Os antigos hindus entenderam que há uma ordem cósmica (inicialmente chamada “Rta” - se lê “rita”, de onde também vem a palavra “ritual” - não esqueçamos que, como o Latim, o Sânscrito é uma língua indo-europeia). Esta ordem regula tudo, inclusive nossas ações e seus resultados. Na visão do Buda, isso não acontece por influência de uma divindade, mas pelo próprio mecanismo cósmico original sem início nem fim. Conforme acionamos este mecanismo através de nossas ações, suas consequências cármicas são inevitáveis. E, enquanto formos presas deste ciclo – chamado Samsara -, renasceremos infinitas vezes em variadas condições, até que nos libertemos em definitivo. Buscar a libertação (moksha no Hinduísmo, nirvana no Budismo) é, desde o conceito original pré-budista, a compreensão de que a satisfação dos desejos nunca traz felicidade permanente, de modo que apenas a liberação definitiva do senso de limitação que leva ao sofrimento é aceitável para um iogue consciente de seu lugar na ordem cósmica. Na visão hinduísta, um iogue é aquele que busca a união com o Divino através das técnicas do Yoga (lit. “união”, em Sânscrito); na visão budista, especialmente no Budismo Vajrayana, é um iogue aquele que busca a união com a mente primordial, com a Natureza da Mente, com a Mente de Buda, Samantabhadra, Vajradhara, Adi-Buddha, etc., através de técnicas de Yoga hinduístas adaptadas ao contexto budista. Em ambos os casos, uma vida de Yoga é uma vida dármica. Mas, cada um deve compreender o “seu” Dharma, praticá-lo, e atingir a libertação do sofrimento. Para isso, podemos nos valer dos ensinamentos de pessoas mais qualificadas, mais experientes, preceptores, mestres, gurus... Não é a única possibilidade para a libertação definitiva, mas certamente um dos caminhos viáveis."

[Trecho do livro "Caminhos do Dharma", de Pema Dorje/Paulo Stekel, a ser lançado em breve]

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