Sobre o blog

Músicas, Livros, Cursos, Atendimentos, Budismo e Nova Espiritualidade. Blog de Paulo Stekel com todas as novidades do seu trabalho como músico, escritor, instrutor e pesquisador da Espiritualidade Universal. Confira os livros disponíveis, seus álbuns musicais já lançados, a lista de cursos à disposição e os atendimentos. ***** Contato: pstekel@gmail.com ***** © 2014 Paulo Stekel – todos os direitos reservados - all rights reserved

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

[VIA INSTA] A Realidade que é

[VIA INSTA] Não seja feliz com alguém

sábado, 10 de dezembro de 2016

Os quinze links mais interessantes de Stekel (2016)

Entre os diversos resultados que você pode encontrar sobre o trabalho de Paulo Stekel, listamos os quinze mais interessantes. Incluem seu trabalho musical, artigos, vídeos, entrevistas e trabalhos científicos de decifração de escritas antigas. Confira!

- Blog de Stekel - Dharma e Nova Espiritualidade:




- Músicas de Stekel em Palco Mp3, maior site de música independente do Brasil: 





- Músicas de Stekel em Reverbnation: 





- Vídeos de Stekel no Youtube:



- Palestra de Stekel na UFSC sobre Canalização:

(trechos da palestra)

- Entrevistas de Stekel para o Programa VIDA INTELIGENTE, de Eustáquio Patounas (TV Floripa - canal 4 da NET)


CABALA: https://www.youtube.com/watch?v=JMnXd2eW5pk&t=8s

ANATOMIA OCULTA: https://www.youtube.com/watch?v=xO9_JkRwFGk&t=2s


- Caso de Bebedouro – Ufologia (contém trilha sonora de Paulo Stekel): 





- Caso do Embornal – Ufologia (contém a tradução de Paulo Stekel para o material com inscrições encontrado pelos pesquisadores): 

http://averdadeoculta1.blogspot.com.br/2015/02/caso-do-embornal-o-episodio-o-caso-do.html



- A Música de Paulo Stekel, no programa "Educação e Cidadania News", da Record News Florianópolis:

http://educacaoecidadania.com.br/blog/?p=5617





- Artigo de Stekel para o site do Hanamatsuri POA: 

http://www.hanamatsuripoa.com.br/home/9/nos-contra-os-outros




- Trabalho científico de decifração da escrita "glozélica" disponível no site do Museu de Glozel (9 arquivos PDF em Inglês): 

http://www.museedeglozel.com/Trad2000.htm



- Artigo científico de Stekel com análise preliminar da escrita "proto-visoko", encontrada na Bósnia (em Inglês): 

http://www.bosnian-pyramid.org/storage/drop-box/submitted-files/The%20Proto-Script%20Visoko%20in%20%20comparison%20with%20Glozelian%20Writing%20Paper.pdf



- Wikipedia (cita Stekel como um dos espiritualistas universalistas do Brasil): 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Espiritualismo_universalista






[VIA INSTA] O melhor lugar

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Stekel no Programa Vida Inteligente - ANATOMIA OCULTA



https://www.youtube.com/watch?v=xO9_JkRwFGk

Participação de Paulo Stekel no programa Vida Inteligente, de Eustáquio Patounas, no dia 08 de dezembro de 2016, falando sobre ANATOMIA OCULTA. Uma hora e dez minutos de uma entrevista que é praticamente uma palestra sobre o tema. Confiram! E, quem quiser ler o artigo citado no começo da entrevista, de minha autoria, e que fala sobre Anatomia Oculta, confira aqui:

http://stekelmusic.blogspot.com.br/2014/08/o-que-e-anatomia-oculta-do-ser-humano.html

Livros de Stekel - pacote com 30% de desconto em dezembro!


PROMOÇÃO VÁLIDA ATÉ 31 DE DEZEMBRO DE 2016!!!
TODOS os nove livros de Paulo Stekel, num pacote especial de NATAL de R$ 160,00 por APENAS R$ 112,00! Imperdível!!!

Confira os detalhes abaixo:

Livros do Pacote (Promoção de Dezembro / 30% de desconto):

1 - Elohê Israel (Os Deuses de Israel) – Filosofia Esotérica na Bíblia (2001) 
Preço original: R$ 14,00 (catorze reais)

2 - Projeto Aurora – retorno a linguagem da consciência (2003) 
Preço original: R$ 16,00 (dezesseis reais)

3 - Santo & Profano – estudo etimológico das línguas sagradas (2006) 
Preço original: R$ 14,00 (catorze reais)

4 - Deuses & Demônios – verdades inauditas e mentiras anunciadas sobre os anjos (2007) 
Preço original: R$ 14,00 (catorze reais)

5 - Curso de Cabala – com noções de Hebraico & Aramaico – vol. I (2007) 
Preço original: R$ 22,00 (vinte e dois reais)

6 - Curso de Cabala – com noções de Hebraico & Aramaico – vol.II (2008) 
Preço original: R$ 22,00 (vinte e dois reais)

7 - Curso de Sânscrito – com noções de Filosofia Indiana – vol. I (2008) 
Preço original: R$ 22,00 (vinte e dois reais)

8 - Curso de Sânscrito – com noções de Filosofia Indiana – vol. II (2009) 
Preço original: R$ 22,00 (vinte e dois reais)

9 - A Alma da Palavra – o discurso como Filosofia Perene (2011) 
Preço original: R$ 14,00 (catorze reais)

Preço original do pacote: R$ 160,00 (cento e sessenta reais)

Preço da promoção de 30% de desconto: R$ 112,00 (cento e doze reais) 

PARA saber mais sobre CADA um dos livros do pacote e até ler alguns TRECHOS antes de COMPRAR, acesse o link:


http://stekelmusic.blogspot.com.br/2013/10/livros-de-stekel-e-books-em-pdf.html




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

[VIA INSTA] Meditar é...

[VIA INSTA] Budismo, Direitos Humanos e Filosofia Yogacâra

Hoje pela manhã tive a grata satisfação de receber dois presentes do amigo e irmão no Dharma, o Prof. Joaquim Monteiro (Ciências das Religiões, Universidade da Paraíba): o livro "O Budismo Yogacâra - uma introdução" e seu artigo muito pertinente para os dias atuais, "O Budismo e o conceito dos direitos humanos - uma reflexão". Material de primeira qualidade deste que considero o principal pensador budista brasileiro vivo que trata o Budismo como deve ser: um caminho engajado e pró-direitos humanos. Muito grato, professor! Ótimas leituras para aumentar a inspiração na composição de meu livro " Caminhos do Dharma", que está demorado, mas sairá. Aguardem! #budismo #budismoyogacara #buddhism #yogacarabuddhism #joaquimmonteiro #direitos #direitoshumanos #budismoengajado #budismoedireitoshumanos
Uma foto publicada por Paulo Stekel (@pstekel) em

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

[VIA INSTA] Ilusão, aparências e normose

[VIA INSTA] Essência além da substância

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

[VIA INSTA] A dança da vida

[VIA INSTA] A outra margem

[VIA INSTA] Sorrindo em meio às aparências

[VIA INSTA] Energia inteligente

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Aromatologia na Saúde - curso online

Descubra o poder dos óleos essenciais

Curso 100% online com acesso vitalício
e emissão de Certificado pelo IBRA


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CONHEÇA FÁBIÁN LÁSZLO

Fabian Laszlo, 39 anos, é aromatólogo com mais de 20 anos de vida dedicados à pesquisa de óleos essenciais. Este curso é aguardado há anos em todo o Brasil de forma ansiosa por inúmeros aromaterapeutas, profissionais de saúde, pesquisadores e cientistas, assim como por pessoas que buscam compreender de forma profunda como os óleos essenciais agem.

A capacidade de Fábian tornar conhecimentos técnicos e científicos fáceis para a compreensão do leigo é um diferencial de suas aulas, além de sua generosidade em repassar informações raras e preciosas que chegaram nas últimas décadas ao Brasil graças ao seu trabalhado dedicado e à sua paixão pelo tema.

Fabian é o criador da empresa Laszlo (www.laszlo.com.br), de cosméticos, produtos de aromaterapia e, agora, editora de livros. Organiza o maior Congresso Internacional de Aromatologia (www.congressoaromatologia.com.br) no País e possui uma escola (www.ibraromatologia.com.br) voltada ao estudo dos óleos essenciais.

Confira o vídeo:



Neste Curso você vai aprender:

MÓDULO 1

Evolução das famílias botânicas e os motivos que levaram as plantas a fabricarem cada grupo químico aromático ao longo das eras terrestres. Visão do óleo essencial como a “voz das plantas”

Angiospermas, gimnospermas X evolução do encéfalo animal.

Metabolismo secundário: via do mevalonato e shikimato na percussão das moléculas de óleos essenciais.

Estudo da farmacocinética dos óleos essenciais (fase 1 e 2, albumina plasmática, citocromo P450, modificações químicas, metabolismo, vias de excreção e interaçções medicamentosas)

Estudo do sistema antioxidante do corpo (catalase, glutationa e superóxido), radicais livres, potencial antioxidante, regenerador, indutor e inibidor enzimático dos óleos essenciais.

pH do corpo e celular, pH de enzimas induzidas por óleos essenciais, fatores alcalinizantes e acidificantes , sistema tampão e meios de alcalinizar o corpo via alimentação e de suplementos.

Estudo da classe dos menoterpenos hidrocarbonetos (1ª família química que surgiu na Terra) e os óleos ricos nestes compostos (estudo botânico, fotoquímico e quântico)


MÓDULO 2

Metabolismo secundário e a via do acetato-mevalonato na síntese de ácidos graxos e colesterol

Estudo das 12 famílias de ácidos graxos, ações farmacológicas e terapêuticas, principais plantas e onde são encontradas

Ácidos graxos como precursores de hormônios e sinalizadores imunológicos, e sua participação nas inflamações (prostaglandinas e citocinas)

Omega 3 X Omega 6: seu papel na definição da hetero ou homossexualidade durante a gestação, influências psíquicas e no comportamento por parte destas gorduras, papel nas doenças imunológicas (alergias e inflamações), circulatórias e outras.

Mecanismo anti-inflamatórios dos óleos essenciais e de seus principais grupos químicos (inibição da COX, prostaglandinas, citocinas, ação antioxidante dos fosfolipídios)

Potencial de aplicações e vias de ação analgésica dos OE.

Minerais e vitaminas essenciais e suplementação para ativação de enzimas, citocinas e prostaglandinas anti-inflamatórias.


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domingo, 27 de novembro de 2016

Como vencer medos à beira do precipício

Por Paulo Stekel


Advertência! Antes de ler, sigam à risca a velha recomendação: não façam isso em casa, crianças!!! Os relatos contidos no texto não são uma apologia ao risco, embora ele permeie a vida humana o tempo todo e, por vezes, devamos nos servir de métodos pouco ortodoxos para enfrentar medos. Que cada um meça a sua loucura e siga até onde necessário para encontrar-se neste vasto universo.

Quando tinha 13 anos, meu medo de altura me impedia de seguir meu irmão do meio, 11 meses mais novo que eu. Ele era meio aloucado desde novinho, e a altura não lhe era problema. Sempre desafiou a vida, às vezes sem medir consequências, até morrer em um incêndio, em 2012. Na época dos meus 13 anos, íamos todos os finais de semana fazer trilhas nas montanhas da Serra Geral em Santa Maria e Itaara (hoje uma cidade emancipada no RS) e, não poucas vezes escalamos paredões e nos embrenhamos na mata sem qualquer conhecimento prévio, à cata de cachoeiras e lugares de difícil acesso, guiados apenas por nossa intuição e paixão pela natureza.

Mas, até isso ser possível, tive que vencer meu medo de altura. Havia um prédio em construção na mesma quadra de casa, no centro de Santa Maria. Tinha uns cinco andares e estava só no esqueleto, recém erguido. Então, as bordas do último andar não possuíam qualquer contenção ou segurança. Meu irmão invadia o prédio e se equilibrava nas bordas sem o menor receio de cair. A autoconfiança dele parecia evocar um poder. Resolvi testar. Mas, como bom virginiano (ele era leonino), fui tateando cada passo, até perceber que o segredo era não olhar para baixo com atenção na altura e também me concentrar a ponto de sentir o prédio como parte de mim. Assim, fui até o fim do percurso sem nenhum acidente, nem medo. Sentia a altura, o frio na barriga, o vento e isso acabou por me dar prazer. Um misto de respeito, atração e um medo subliminar como medida de segurança. Escaladores relatam estas mesmas sensações, em geral. Enfrentar os medos requer um pouco de risco, sim. Não imprudência completa, loucura ou achar que nada vai acontecer de ruim. A realidade é dura. O mundo é inconstante, incontrolável e impermanente.

Entre meus 13 e 18 anos, eu e meu irmão saímos quase todos os finais de semana para as montanhas, em busca de lugares novos, desafios, paisagens lindas e um contato maior com a natureza. Escalamos paredões de antigas pedreiras nesta época. As pedreiras são relativamente perigosas, por causa das pedras soltas. Mas, felizmente, nunca tivemos quedas sérias. Meu pai só ficou sabendo do que fazíamos aos finais de semana quando eu atingi a maioridade. Como ele mesmo disse, já que nunca voltamos de maca para casa, estava tudo bem...

Por volta dos meus 23 anos, passei por outra experiência com altura. Estava numa situação complicada de romance com uma pessoa que, apesar de ter uma inteligência privilegiada (era um superdotado, com QI muito acima da média), tinha vários problemas emocionais causados, entre outras coisas, pela evidente homofobia do pai, que achava que poderia impedi-lo de expressar sua orientação sexual por meios de reversão (ele tentou até Rebirthing {Renascimento} para isso!), o que, obviamente, não obteve sucesso.

Num momento em que o objeto de meus sentimentos entrou numa fase meio suicida, resolvi usar um método que minha intuição me fizera acessar em um instante. Levei-o até o precipício do paredão que eu mesmo já escalara várias vezes e o conduzi até a beirada. Lá, o fiz pensar sobre o equívoco de se recorrer ao suicídio, quando a vida possui tanto para se ver, sentir, ouvir e vivenciar. Então, disse-lhe: se você pular, eu pulo com você e morremos os dois, pois não vou largar o seu braço. Esta atitude fez ele pensar na existência do outro e o quanto os pensamentos suicidas escondiam um egoísmo angustiante. Após o insight, ele se afastou da borda e se sentou como se tivesse tirado toneladas de sobre os ombros.

Poucos anos depois, um amigo que também escalava comigo, mas que era muito mais jovem e imprudente, sofreu um acidente sério numa escalada. Eu o conduzia pelo binóculo e percebi que por determinado lado era bem mais perigoso. O avisei, mas ele mesmo assim quis ir por ali. Sob risco, a teimosia pode ser muito mais perigosa. Ele caiu por uns cinco a sete metros e conseguiu se segurar em um arbusto, quase rasgando a virilha. Como estava num ponto em que não poderia voltar, apenas subir mais, teve que completar a subida mesmo ferido e fazer a volta para descer. A adrenalina ajudou, pois ele aguentou até descer e, quando chegou à minha frente e das pessoas que viam tudo de baixo, desmaiou por alguns instantes, extenuado. Nunca mais escalou. Eu mesmo, escalei poucas vezes depois.

Numa de minhas últimas escaladas, fui atacado por formigas bem no meio do percurso. Onde estava, mal podia me movimentar. Espernear, era queda na certa. Eu sempre escalei sem equipamentos. Então, o perigo era bem maior. Ao lado, um pessoal fazia rapel e perguntou se eu precisava de ajuda. Disse que não. Mesmo sendo mordido por elas, entrei em processo de meditação, algo que já tinha aprendido, e consegui suportar a dor como nunca, até subir um pouco mais e conseguir retirar as formigas grudas em minhas mãos e braços, já avermelhados. Respirei fundo, e consegui. Se me apavorasse, seria o fim. Mas, nesta época, o medo de altura não me era mais problema, e a tolerância à dor através da respiração e meditação era uma técnica que estava testando.

Eu devia ter uns 28 anos quando fui chamado por um amigo para conversar com uma parente de sua mulher que tentara se jogar do alto do prédio naquela manhã. Ela devia ter uns quarenta e poucos anos, e eu perguntei o que teria a dizer a alguém bem mais velha, professora, diretora de escola, com mestrado, etc. Ele disse que apenas sentia intuitivamente que eu poderia dizer alguma coisa que a fizesse recobrar a sanidade. Ela tentara jogar-se do alto do prédio e, na hora derradeira, a empregada da casa a agarrou pelas pernas e impediu que ela morresse. Ou seja, ela realmente estava se suicidando! Desde então, ela não deixou mais ninguém entrar no quarto, nem um psiquiatra. Pensei que não teria a menor chance de entrar e lhe falar.

Quando a porta se abriu, e ela viu aquele rapaz de 28 anos com cara de 18, nada ameaçador, resolveu aceitar conversar comigo. Sentei com ela e conversamos por uma hora sobre crenças, religião, Deus, Buda, ela me falou da vida de casada, da escola. Seu marido tinha amantes e gastava muito dinheiro com elas. Quando ela pediu a separação, ele ameaçou lhe tirar a filha e fez várias chantagens, tornando a vida desta mulher um inferno. Ela surtou.

Depois de ouvir o relato atentamente, lhe perguntei: o que você sentiu quando se atirou pela janela hoje pela manhã? Não teve uma sensação de liberdade? De desapego total? Sim, pois, para se matar, uma pessoa abdica de tudo, dos problemas, das pessoas odiadas, das amadas, e até da própria vida e da noção do eu.

Ela concordou comigo. Sentira tudo isso. Então, lhe desafiei: se você se desapegou de tudo quando se atirou, por que deveria pegar tudo de volta agora?

Como assim?, ela perguntou.

Simples, respondi. Se você se desapegou de tudo, de seu marido, da filha e do seu trabalho, que eram fontes de estresse, mesmo não tento morrido, porque a empregada a salvou, por que você teria que pegar isso tudo de volta com todo o seu peso? Mantenha-se sem o peso do apego. Mude o inferno de lugar!!! Ou se atire por esta janela novamente – abri a janela e lhe dei a opção.

Ela teve o insight, e não se atirou, pois entendeu o poder que tinha dentro de si. Ela tinha se permitido fragilizar, e tinha a opção de se fortalecer. Enfrentou o marido com unhas e dentes, se separou, ficou com a guarda da filha, voltou a trabalhar na escola e começou a estudar a espiritualidade. Um ano depois, me ligou para agradecer a ajuda e dizer que tinha se tornado uma outra pessoa. Lera livros, começara a fazer cursos de Reiki, terapias, etc., e estava vendo a vida de uma outra forma. Vencera o medo de viver.

Vencer os medos requer assumir riscos. E, riscos, não podem ser cem por cento controlados. São como cirurgias. Por mais simples que sejam, sempre há um risco. Há risco em viver, risco em amar, risco em atravessar a rua, risco em interagir com o outro. Enfim, a vida é um risco e todos nós, que ainda estamos vivos, somos, de alguma forma, heróis.

Meu desafio mais recente foi aprender a nadar. Passei 44 anos de minha vida sem o saber. Escalava paredões, mas não nadava. Meu falecido irmão era um exímio nadador. Fiz natação por um ano e resolvi este medo de não sentir os pés na areia quando mergulhava. O elemento que me faltava foi integrado a meu ser... Moro numa ilha mágica – Florianópolis – e tenho uma mescla do que já vivenciei ao longo da vida: montanhas, rios, altura, praia e muita meditação.

Ao nos vermos à beira dos precipícios da vida, este é o momento exato em que devemos perder os medos, enfrentá-los, e bem ao estilo “se der medo, vai com medo mesmo”. Sem o reconhecimento dos próprios limites, o ego não se libera e não é possível que brote a coragem, a energia necessária para o ato de libertação. Nossos medos, quando vistos como propulsores, podem nos conduzir a grandes realizações. Foi a lição que aprendi até aqui, enfrentando meus próprios medos à beira dos meus precipícios. Permita-se apreciar seus precipícios e contemplá-los como paisagens deslumbrantes. Sentir o cheiro de liberdade é algo muito precioso. Vencer o medo é um modo de iluminação.



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Trechos de Palestra de Stekel sobre Canalização na UFSC

Canalização na Academia

Trechos de palestra de Paulo Stekel sobre Canalização para o NEDECC - Núcleo de Estudos e Desenvolvimentos em Conhecimento e Consciência (UFSC - Florianópolis/SC) em 21/11/2016.


Ebook gratuito sobre Cabala para você



Se você gosta de Cabala, Nomes Divinos e Códigos Cabalísticos, temos para você este ebook gratuito chamado "Cabala Prática para a Vida".

Ele faz parte do Método Códigos Cabalísticos Pessoais & Gerais, organizado e desenvolvido pelo cabalista Paulo Stekel. Para pedir seu ebook gratuito, envie mensagem para pstekel@gmail.com e você receberá em seguida o arquivo digital.

Confira abaixo alguns dos Códigos Cabalísticos ensinados no método:










sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Espiritualidade, Nova Espiritualidade e Pseudo-espiritualidade

Por Paulo Stekel



Espiritualidade X Religião

A palavra “espiritualidade” é um conceito mais amplo que “religiosidade” ou “religião”. Religião está mais associada à prática formal de uma doutrina ou crença baseada num conjunto sistematizado de regras, dogmas, promessas e proposições. As religiões dogmáticas (Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Parsismo, etc.) enfatizam mais as promessas (Salvação, Vida Eterna), enquanto as religiões filosóficas (Budismo, Taoismo, Confucionismo, etc.) enfatizam mais as proposições (Libertação, Comunhão, Iluminação, Perfeição, Despertar). As primeiras tentam convencer pelo medo, enquanto as últimas tentam seu objetivo pela ideia de livre-arbítrio.

As religiões mais dogmáticas não são muito amigas do pensamento livre, do questionamento crucial e da análise do dogma, salvo nos círculos fechados onde os interesses do clero religioso são gestados, alimentados e conservados.

As religiões filosóficas enfatizam muito o pensamento livre, o questionamento e mesmo a prova lógica do ensinamento, como acontece no Budismo.

Ambos os tipos de religiosidade estão dentro do conceito mais amplo de “espiritualidade”, que é uma tendência natural no ser humano. Uma tendência de buscar respostas aos questionamentos básicos da vida e da morte numa base transcendental. A espiritualidade não se apega a dogmas, como a religião/religiosidade, mas sim a experiências. Para a espiritualidade, o vivenciar é muito mais importante e desejado que a sistematização de tudo num dogma que pretenda dar todas as respostas. Vemos muito disso nas práticas espirituais xamânicas, mediúnicas e psíquicas. Neste tipo, o dogma não tem a mesma força que possui nas grandes religiões formais organizadas. Cada indivíduo (xamã, médium, canal) é um repositório de conhecimentos universais transmitidos em sua manifestação de consciência alterada e a pessoa de maior autoridade no grupo espiritual enquanto a manifestação se produz. Neste caso, o fenômeno místico é o aspecto mais importante. O antigo Profetismo de Israel se encaixava também neste conceito. Os Profetas se opunham claramente aos sacerdotes, eram mais incisivos, e a maior parte deles morreu de forma terrível (enforcados, decapitados, defenestrados, apedrejados), devido à represália dos detentores do poder religioso (sacerdotes e governantes a eles aliados).

Enquanto a religião segue ditames predefinidos (os dogmas), a espiritualidade privilegia a espontaneidade do fenômeno místico, da comunhão com o Transcendente e da integração com o Universo, em variadas modalidades (teísta, não-teísta, ateísta, etc.). A Espiritualidade é uma dimensão humana que traduz, conforme várias “linguagens sagradas”, o modo de ser e de viver característico de alguém que busca a perfeição na relação com o Transcendental (Deus, Buda, Absoluto, Mente Cósmica). Espiritualidade é um estado de consciência não-condicionada pela mente; teria mais a ver com essência e consciência do que com crença religiosa.

Todos os fundadores de novas tradições espirituais de certa forma “subverteram” a visão espiritual dominante em sua época, mas sempre apresentaram novas alternativas. Isso os diferencia dos simples contestadores da religião, que nada de bom e de novo apresentam para a humanidade. Buda contestou o sistema de castas de sua época, Jesus criticou fariseus e saduceus e sua visão elitista da religião, Maomé combateu a idolatria cega e hipócrita de seu tempo, Moisés lutou contra a relação superficial meramente propiciatória do povo hebreu com a Divindade.

Divergências à parte, todos estes fundadores de religiões apresentaram argumentos novos junto a algo palpável para auxiliar os sofredores. Isso está na raiz da espiritualidade. Quando eles morreram é que tudo mudou e o dogma se inseriu, deturpando a mensagem original.

A noção de uma “Espiritualidade da Nova Era”

Alguns consideram o movimento popularmente chamado de “Nova Era” como uma religião com muitas subdivisões, uma coleção de metafísicas de influência oriental, uma mescla de teologias, pensamento positivo, poder mental, ética e amor pela Natureza. De acordo com esta visão, o movimento “new age” (lit. “nova era”) seria uma teologia ou uma filosofia de bem-estar, tolerância universal, fraternidade, universalidade e relativismo moral.

Contudo, uma análise rápida do que seja uma religião prova que este pensamento é equivocado. Entre as características principais de qualquer religião, estão: crenças relacionadas com o sobrenatural, o divino e o sagrado; derivação de rituais e códigos baseados nestas crenças; a religião inspira certas normas e motiva certas práticas; conceitos-padrão como sacro-profano-deus; relatos sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, sobre a morte e o pós-morte; exigência de uma fé individual e adesão a um certo grupo social; crença em seres superiores que influenciam ou determinam o destino humano; determinação da moral, dos códigos de conduta e do senso cooperativo em uma comunidade; origem da religião através de uma “revelação”; sacralização de certos locais; um corpo de doutrina coeso e geralmente “fechado”, ou seja, que não admite modificações, pelo menos nos pontos cruciais da doutrina (a crença em Deus, por exemplo, no caso das religiões teístas).

Muitos destes elementos faltam ao que se chama de movimento “nova era”. Não é uma religião ou filosofia “codificada”. É uma mescla de muitos pensamentos distintos sobre espiritualidade. Enquanto nas religiões as diferenças são sentidas no nível das “seitas” e “escolas”, no movimento “nova era” são sentidas no nível dos “indivíduos”, o que dificulta qualquer coesão. O grupo social parece substituído por adesão a certas organizações quase empresariais, nas quais tudo funciona na base do comércio. Falta de senso cooperativo, exatamente pela predominância do indivíduo e não do grupo na prática espiritual. A não existência de “mestres” ou “instrutores” de linhagem, mas de “mestres” auto-instituídos que não deixam sucessores à altura. A não existência de corpos de doutrina coesos, pois todo o ensinamento continua “em aberto”.

Por tudo isso, podemos definir o que se chama de “nova era” mais como uma “tendência de visão espiritual” do que como uma nova religião, seita ou filosofia. Essa tendência pode permear várias práticas religiosas, influenciando-as sutilmente através de uma proposta conhecida por “universalismo” ou “espiritualismo universalista” que seria, em poucas palavras: Ideologia baseada nas teorias do Carma e da Reencarnação que insta cada indivíduo a não aderir com exclusividade a qualquer credo, sistema ou doutrina, mas a fazer sua síntese pessoal das diversas correntes de pensamento espiritual (religiões, filosofias e neociências transcendentais – neocabala, projeciologia, etc.). Esta tendência, portanto, pode se manifestar em diversos graus em várias religiões, filosofias ou seitas, sem ser ela mesma uma religião.

Uma “nova espiritualidade”

Partindo da noção de “espiritualidade nova era”, podemos ampliar a compreensão para um conceito mais amplo: o de uma “nova espiritualidade”.

Até mesmo o Dalai Lama, tempos atrás, deu declarações no sentido de uma nova forma de pensarmos a religião e a espiritualidade. Ele disse: “Todas as maiores religiões do mundo com suas ênfases em amor, compaixão, paciência, tolerância e perdão podem e de fato promovem bons valores internos. Mas a realidade do mundo de hoje é que a ética básica que encontramos nas religiões não são mais adequadas. Esse é o motivo porque estou cada vez mais convencido de que chegou o tempo em que precisamos encontrar uma forma de pensar acerca de espiritualidade e ética que vá além das religiões de forma completa.”

Ir além das religiões é o objetivo da “nova espiritualidade”. Didaticamente, poderíamos dividir a espiritualidade em uma “espiritualidade clássica” e outra “emergente”.

A “espiritualidade clássica” corresponderia à proposta pelas grandes religiões clássicas (tanto antigas quanto modernas), pelas filosofias delas derivadas e pelo espiritualismo, Teosofia e Ocultismo com raízes no Séc. XIX e início do Séc. XIX. Em todas essas vertentes, a razão ainda é respeitada em maior ou menor grau.

A “espiritualidade emergente” corresponderia à proposta pelo pensamento sistêmico, pela visão holística, pelo movimento “nova era”, pelo “espiritualismo universalista” e pela “nova espiritualidade” (isto é, tudo o que não se encaixa no “clássico”). Esta forma de espiritualidade já estaria a influenciar alguns ramos da espiritualidade clássica. Na verdade, a filosofia do extremo oriente tem muito a ver com a emergência de uma nova espiritualidade. A nova espiritualidade inaugura, finalmente, o protagonismo espiritual do indivíduo, contra a massificação de “cordeirinhos” típica da espiritualidade clássica.

No livro “Cuidado de si, consciência do mundo”, o sociólogo Raphaël Lioger descreve o cenário atual de transformação radical da religiosidade, com o sagrado invadindo praticamente todas as esferas da vida social. Numa entrevista concedida a Antoine Dhulster, e publicada na revista Témoignage Chrétien, 23-06-2012, Lioger disse (tradução de Moisés Sbardelotto):

Eu acredito que o nosso mundo desenvolvido, ou pós-industrial, está submetido a uma nova tensão mítica, a um novo grande relato. Nesse novo marco, o indivíduo busca a sua realização, a resposta às suas perguntas metafísicas, em um processo que inclui preocupações globais: a ecologia, a paz mundial, etc. A tensão entre essas duas dimensões – individual e global – é o que chamo indivíduo-globalismo.

(…) Na antiguidade grega, pensava-se o ser humano como uma pessoa que adquiria sua dignidade na participação na vida da polis. Depois, dependendo dos contextos e das épocas, na vida da tribo, da família e da nação. Na época moderna, nasce o indivíduo. O conceito de indivíduo é a ideia segundo a qual o ser humano se volta à sua subjetividade, que é abissal, e que se torna, ela mesma, uma espécie de transcendência. (...) Também a partir da época moderna, se desenvolve uma visão do nosso universo como um conjunto infinito.

(…) Há uma coexistência entre esse esquema e as grandes religiões. Estas continuam existindo porque o velho mundo, que as criou, ainda existe. Mas estamos em um período de transição. E, a meu ver, existem três possibilidades para as grandes religiões: ou resistem agarrando-se ao passado e, nesse caso, haverá a fuga dos fiéis; ou fazem compromissos com a modernidade e se mantêm vivas; ou antecipam as transformações futuras e, nesse caso, aumentarão seus fiéis.

(…) As religiões se recompõem em torno a uma noção central, a energia, que é, ao mesmo tempo, salvadora e pessoal. Daí a noção de conexão, de conectividade entre o individual e o global, entre o indivíduo e a natureza. Nesse contexto, o próprio dogma católico é reinterpretado com essa ideia de energia. É preciso pensá-lo perto do imaginário da ioga, da espiritualidade oriental. (…) Por exemplo, incensaremos o taoismo ou o budismo, porque se pressupõe que sejam próximos à natureza. E, simetricamente, rejeitaremos o catolicismo... mas só em um primeiro momento, porque certos aspectos do catolicismo permitem pensar a ecologia, a união com a natureza, o equilíbrio global. É neste jogo de confrontos que o rolo compressor indivíduo-global avança e aproxima as religiões, focando-se na sua estética, mas removendo-lhes o seu núcleo dogmático. As religiões tornam-se pouco a pouco intercambiáveis. Na prática, vê-se o aparecimento de híbridos: faz-se ioga cabalística, gi gong cristão ou meditação zen recebendo a comunhão...”

Estas palavras servem-nos como introdução ao que seria a proposta (ainda em aberto) de uma “nova espiritualidade”. Inicialmente, podemos dizer que essa tendência ou visão emergente, alcunhada de “nova espiritualidade”, não é uma religião, não exige um conjunto de rituais e nem depende de mestres, gurus ou intermediários entre o homem e o divino, o transcendente. Ao mesmo tempo, essa visão emergente não contradiz as religiões, mas propõe uma visão universal dos conceitos e princípios espirituais centrada no “seja seu próprio Mestre”, a propósito, um conselho de Buda a seus discípulos.

O renascimento do antigo paganismo também pode ser considerado dentro do contexto da nova espiritualidade, pois este “renascimento” não é o ressurgimento do antigo paganismo tal como fora no passado, mas com as cores da modernidade. Isso se deve a vários fatores, incluindo o fato de que muito do antigo paganismo original se perdeu, tendo de ser completado com noções mais recentes. De qualquer forma, o novo paganismo, como parte da “nova espiritualidade”, é uma cosmovisão, um modo de ver e entender a realidade, que bebe em fontes de religião e filosofia gregas, nas antigas religiões de Mistério, no paganismo romano, celta, escandinavo, etc. Assim como o todo desta “nova espiritualidade”, parece ser essencialmente monista – o Monismo é uma teoria filosófica segundo a qual a realidade consiste num único elemento, num universo uno e harmônico, onde todas as coisas são formas de uma só substância.

A emergência

Tudo começou nos anos de 1960-1970, com a contracultura, os movimentos pacifistas, os hippies e as novas tendências da psicologia. Nesta mesma época nasceu a noção de “nova era”. A nova espiritualidade é a continuação desta tendência, mas agora de um modo mais sério. Tudo começou com a ideia de paz, do respeito à natureza e do amor incondicional. E, continua assim. Mas, agora, novas noções ampliam a ideia original. A insatisfação das pessoas com as antigas formas patriarcais de religião e espiritualidade toma agora a forma de um culto sem igrejas, sem templos, sem sexismo, sem preconceito.

Há pouco tempo, pesquisadores das religiões, especialmente nos EUA, ao aplicar questionários, perceberam que muitas pessoas respondiam não praticar nenhuma religião oficial em particular, mas também não se definiam como ateias, agnósticas ou não-praticantes; se definiam como pessoas sem religião, mas com espiritualidade. Isso chamou a atenção dos pesquisadores, que então, começaram a falar em uma “nova espiritualidade” emergente em suas pesquisas. Na verdade, parece que o caminho que levou à nova espiritualidade passou por três fases:

1ª – A fase da prática de religiões formais, especialmente as grandes religiões instituídas, fase esta que durou até as décadas de 1960-1970;

2ª – A fase do “religioso não-praticante”, do ecumenismo, do universalismo, em que se continuava professando uma religião tradicional, mas com possibilidade de interagir com outros ambientes espirituais, antigos ou novos, fase esta que durou da década de 1970 até recentemente;

3ª – A fase da “nova espiritualidade”, do rompimento com a prática formal das grandes religiões instituídas, com o dogma que impede a expressão do pensamento e dos potenciais do indivíduo, com uma cosmovisão limitada baseada em prazer e dor, em castigo e compensação, fase esta que é bem recente, da década de 1990 para cá.

Este novo padrão e esta nova cosmovisão, ainda que aberta, tem bases firmes, como uma nova sensibilidade cultural, a busca por uma consciência superior, por mais qualidade de vida, por harmonia profunda (física, emocional, mental e espiritual), por paz e relaxamento (através da meditação, por exemplo) e por uma nova ordem mundial, mais justa, ética e equilibrada.

Neste quadro, as religiões no seu formato antigo não têm mais vez. As que sobreviverem, se adaptarão a esta nova cosmovisão. Já há vislumbres disso aqui e ali, seja no ecumenismo, no diálogo inter-religioso, na visão integral, na troca de informações e experiências entre os praticantes de diversas religiões, ou na relativa liberdade que os religiosos estão tendo em algumas tradições para se envolverem com práticas de outras, sem que isso caracterize alguma heresia.

Para alguns, o que estamos vivendo agora, com a nova espiritualidade, é uma espécie de ressurgimento da Religião-Sabedoria dos antigos, ou algo equivalente, e que durou mil anos, mais ou menos (de 700 a.C. a 300 d.C.). Este período antigo, em que viveram Buda, Zoroastro, Pitágoras, Platão, Moisés, Jesus, etc., influenciou tudo o que vivemos até aqui em nossa sociedade, o bom e o ruim. Agora, com um novo influxo de pensamento, de consciência e de busca de transcendência, novos paradigmas começam a se formar na mente globalizada da sociedade atual, como o paradigma da complementaridade (para substituir a polaridade do antigo mecanicismo), um legado da Mecânica Quântica, que surgiu há pouco mais de cem anos. Daí, surgem as noções de paradigma holográfico e visão holística, também parte da nova espiritualidade.

Em seu estudo “Espiritualidade e Consumo: Relações e Temáticas de Pesquisa”, Paulo Ricardo Zilio Abdala diz:

(...) nos encontramos diante de uma redefinição das antigas formas institucionais de religiosidade. A sociedade contemporânea, impregnada pelo anseio de liberdade e poder individual, deu origem a um novo senso de espiritualidade desprovido de regras rígidas e paradigmáticas, no qual cada indivíduo se utiliza daquilo que mais lhe chamar a atenção sem a necessidade de um comprometimento. Este fenômeno, chamado por alguns pesquisadores de “nova era” (Redden, 2002), também já foi conceituado como espiritualidade “à la carte” (Possamaï, 2000).

(…) No âmbito das ciências sociais, um termo bastante utilizado para designar este fenômeno da nova espiritualidade é “nova era”, ou uma espécie de religiosidade não rigidamente estruturada na qual os indivíduos escolhem livremente no que acreditar de acordo com sua própria vontade e realidade (para maior abrangência desta visão ver Redden, 2002).

Na revista Época, um artigo intitulado “Deus é Pop” trouxe dados de uma pesquisa chamada Religion Monitor realizada em 21 países do mundo pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung
sobre fé e religiosidade (Fernandes, 2009). Os números publicados atestam a força da religião.
Com enfoque no público jovem, a reportagem afirma que 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% profundamente religiosos, colocando-os em terceiro lugar entre os mais religiosos do mundo, atrás apenas de Nigéria e Guatemala.

Comentando sobre o papel da internet neste panorama, o estudo aponta as tecnologias da informação como veículos ideais de uma religião contemporânea e desregulada, que pode ser exercida coletivamente sem sair de casa e submeter-se a qualquer disciplina (Fernandes, 2009).

De fato, observa-se hoje uma busca pela espiritualidade fora dos dogmatismos das seitas e igrejas tradicionais, demonstrada pelo crescimento no ocidente das terapias e práticas orientais de cura, como yoga, reiki, entre outras, conhecidas como terapias alternativas (Bauman, 1998). Estes meios de relacionamento com o mundo espiritual têm por característica serem mais livres do que as antigas igrejas, trazendo em si menos regras de conduta e procedimentos. Na pesquisa alemã antes mencionada, enquanto o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, ele é apenas o décimo em termos de seguir preceitos de uma determinada igreja ou movimento (Fernandes, 2009).

(…) Diferente das antigas formas de religiosidade, nas quais o caráter mercantilista era velado sob promessas de fé incondicional, as novas terapias alternativas e caminhos espirituais têm preço fixado, praticam marketing e trabalham com conceitos de relacionamento com o cliente.
Diversas revistas, clínicas, programas de imersão, universidades, escolas e empresas, com foco na espiritualidade, proliferam-se ao redor do mundo (O ́Guinn e Belk, 1989). (…) De um lado temos o
espiritual sendo consumido, e de outro temos o consumo sendo espiritualizado. (…) o consumidor espiritualizado é mais suscetível a apelos sociais e ecologicamente responsáveis, contendo altas doses de simbologia e poder de reflexão em seus atos de consumo (Shaw, D., & Newholm, T., 2002). Isto se explica a partir do desenvolvimento de valores altruístas (Sánchez-Fernández et al., 2009), ocasionados por uma possível mudança de foco na relação com o mundo, com as pessoas e com os objetos, causada por uma alteração perceptiva ligada a absorção de insights permanentes advindos das experiências místicas vivenciadas – mesmo que estas tenham sido mínimas e transitórias (Gaarder et al., 2000).

(…) Outra modificação importante na lógica da nova espiritualidade diz respeito a uma mudança nas formas de intermediação entre a fé e o indivíduo. Nestas, a pessoa em questão possui a opção de fazer contato direto com o conhecimento espiritual de seu interesse por intermédio do mercado. Seja na internet, nas livrarias, nas bancas, nos centros de práticas espirituais ou nas lojas especializadas, o buscador da fé tem à sua disposição uma série de possibilidades para se aproximar daquilo que almeja conhecer, bastando para isso ter o dinheiro suficiente para efetivar uma transação. Nisto está também envolvido outro princípio sagrado das práticas religiosas pós-modernas, a liberdade individual para escolher e traçar o próprio destino (Redden, 2002).”

A visão integral de Ken Wilber (1949- ), famoso pensador norte-americano e criador da Psicologia Integral, e de forma mais geral, do chamado Movimento Integral, especialmente no que concerne a uma Espiritualidade Integral, pinta a noção de “nova espiritualidade” com cores mais sérias, mais científicas, mais observadoras.

A sua obra propõe, em suma, a integração de todas as áreas do conhecimento (ciência, arte, filosofia, espiritualidade). A preocupação em unir ciência e religião é recente. A vemos em uma das primeiras vezes nas obras da mística russa Helena P. Blavatsky (1831-1890), na segunda metade do Século XIX, que propunha um estudo comparado de ciência, filosofia e religião.

O fato é que, desde os tempos do guru indiano Maharishi Mahesh Yogi (com sua Meditação Transcendental, nos anos de 1970), passando pela “Cura Quântica” de outro indiano, Deepak Chopra (a partir dos anos de 1980) e por filmes recentes como What the Bleep Do We Know? (Quem somos nós?) e The Secret (O segredo), chegando à gama infinita de Terapias Holísticas e técnicas “quânticas” (o termo virou jargão!) que não param de surgir no mundo todo, junto a novas filosofias espirituais dos mais variados tipos, o que temos visto é a emergência de uma nova forma de busca espiritual, uma busca oposta ao método utilizado até então pelas grandes religiões instituídas. Antes, o corpo hierárquico, o papa, o líder, a comunidade, o dogma, a insensibilidade ao outro fora da comunidade; agora, o indivíduo, o mestre de si mesmo, o líder de si, o servidor da comunidade, a liberdade, o altruísmo direcionado a todos, em amor incondicional.

Em uma entrevista recente, Ken Wilber disse o seguinte sobre sua visão de religião e espiritualidade (http://papodehomem.com.br/ken-wilber-entrevista-brasileira-parte-2/):

(...) a espiritualidade e a religião são interessantes porque ambas estão se tornando cada vez mais separadas. É comum para as pessoas nos Estados Unidos dizerem que “são espirituais mas não religiosas”, ou seja, elas estão separando ambas, elas se identificam com o espiritual mas não com a religião, existe algo sobre a religião que eles não apreciam e existe algo na espiritualidade que eles gostam e esta é a razão deles se definirem daquela forma.

A espiritualidade significa uma consciência mística de uma experiência imediata, que passa diretamente por alguma forma de experiência que não pode ser descrita como parte de alguma mitologia ou dogma, mas pura e simplesmente uma experiência imediata. A religião para essas pessoas significa as formas institucionais de religião e seus mitos, crenças e dogmas; e elas não se sentem mais confortáveis com esse tipo de religião mas se sentem confortáveis com aquilo que eles denominam de espiritualidade, que consiste em não acreditar em dogmas e sim em um processo que emerge na consciência pessoal.”

Os caminhos futuros da espiritualidade humana – o que agora identificamos como “nova espiritualidade” – ainda estão se definindo. A partir do caos dos velhos paradigmas (dogmatismo, em religião; mecanicismo, em ciência) vai sendo gerado um outro, mais abrangente, holístico, humano, coletivo, altruísta e baseado no amor incondicional, na liberdade, na ampliação de consciência e na paz interior. Contemplemos, pois, esta proposta e, na medida do chamado de nossos corações, acerquemo-nos dela!

Neste quadro, o que constitui “pseudo-espiritualidade”?

Pelo exposto, está clara a existência de uma tendência de visão espiritual perfeitamente válida para a caótica humanidade atual. As religiões instituídas estão decadentes e seu espaço está sendo ocupado por movimentos renovadores e de síntese.

Mas, na carona deste movimento, nos seus extremos, também está se gerando uma forma de “pseudo-espiritualidade” muito perigosa, que se assemelha bastante aos movimentos “evangélicos” que pregam a distorcida “Teologia da Prosperidade”. As semelhanças se devem a três características principais: fanatismo, abdicação da razão e forte apelo comercial.

Contudo, é exatamente no seio da “espiritualidade emergente”, que descrevemos acima, que um grupo de indivíduos mal-intencionados e/ou equivocados parece imiscuído: o dos “pseudo-espiritualistas”. Não se trata das doutrinas a que eles aderem, mas a forma como sua ética distorcida funciona que acaba sendo o aspecto mais preocupante. “Pseudo” significa “falso”, “mentiroso”. Então, um pseudo-espiritualista é um mentiroso, uma pessoa equivocada que não entendeu nada do que seja espiritualidade. É alguém que usa tudo para reforçar o ego e não para contribuir para a harmonia universal entre os seres. Algo como um “psicopata espiritual”. Entre estes, há psicopatas de fato, mas também pessoas comuns que deixam a paranoia de suas mentes contaminar tudo o que fazem no campo espiritual. Elas têm uma mente fértil e criativa, mas a utilizam para ludibriar os outros e fazê-los crer que está tudo certo, tudo bem e nada precisa ser feito, contestado ou estudado. É o retorno ao velho método das religiões clássicas que não privilegiam o pensamento lógico e a experimentação.

Os indivíduos deste grupo pseudo-espiritualista têm algumas características fáceis de identificar (não consideremos as características em separado, mas em conjunto):

São pessoas que estiveram em conflito com a religião de origem; são pessoas com necessidade de proeminência e reconhecimento; apresentam suas ideias de forma isolante, sem participar de ações de outros grupos espirituais, embora preguem o universalismo e a fraternidade; são incapazes de ações sociais mínimas, como ajudar os mais carentes, pois tudo o que fazem é baseado num “comercialismo espiritual” e os carentes não podem pagar (!); se consideram mestres de si mesmos mas não têm vergonha de serem os mestres dos outros, seus fiéis e clientes; em suma, são pessoas egoístas com uma ideia fixa de salvação; por fim, não aceitam ideias em contrário. Não há nada de universalidade nesta postura!

Uma das principais características da pseudo-espiritualidade é um caráter apocalíptico, uma espécie de “derrotismo espiritual” e uma vontade de ver “o circo pegar fogo” a que chamamos de “apocalismo”. Até algumas décadas atrás essa postura era apenas comum a grupos protestantes fanáticos à espera do arrebatamento da Igreja de Cristo. Hoje, temos a tendência a um “terrorismo espiritual” semeando o terror aos quatro cantos e fazendo um desserviço à verdadeira espiritualidade. Para evitar surpresas, quando se aproximarem de movimentos ou grupos que professem ideias estranhas, peçam informações detalhadas e se permitam o direito da contestação. Os verdadeiros Mestres não têm medo de debater, pois o próprio Jesus debateu com os doutores da Lei em Jerusalém e o Buda passou debatendo com toda espécie de pessoas até os 80 anos de idade. Se exigirem de vocês crença e obediência cega, algo está muito errado. Salvem-se enquanto há tempo!