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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Canalização - formas modernas de um fenômeno antigo

Por Paulo Stekel


Em geral, o público brasileiro está acostumado à forma francesa e espírita do fenômeno que chamamos aqui de Mediunidade. Este sistema foi desenvolvido e descrito no Séc. XIX nos livros de Allan Kardec, como é de conhecimento geral. Contudo, no continente americano, especialmente na América do Norte, as coisas se desenvolveram de um modo um pouco mais amplo e, lá, o que aqui chamamos de mediunidade se chama "channeling" (Canalização), enquanto o que chamamos de "médiuns" lá se chamam "canais", "canalizadores", e ainda sensitivos e psíquicos.

Na segunda metade do Séc. XX, a Mediunidade Ocidental se desenvolveu em duas vias diferentes. Um tipo envolve psíquicos ou sensitivos que falam com espíritos e depois retransmitem o que ouvem a seus clientes. Chamo isso de "canalização por proximidade" ou, como se diz popularmente no Brasil, o "encostar" da entidade, sem se manifestar completamente. A outra forma de mediunidade não-física é uma forma de canalização (Channeling) em que o canalizador entra em transe, ou "deixa o corpo", permitindo que uma entidade espiritual tome de empréstimo seu corpo, e que então fala através dele. Quando em transe o médium/canalizador parece estar sob o controle do espírito de uma alma que partiu, às vezes entrando em um estado cataléptico, embora os canalizadores modernos não entrem neste estado, necessariamente. Alguns canalizadores abrem os olhos quando canalizam, e continuam a ser capazes de andar e de se comportar normalmente. O ritmo e a entonação da voz também pode mudar completamente. À medida que o tempo passa, a Canalização tem se tornado um fenômeno mais leve, enquanto a qualidade da informação se torna mais clara e conectada aos conhecimentos da Ciência Moderna. Há, inclusive, muitas canalizações que versam sobre conhecimentos científicos e tecnológicos, com dados ainda não-confirmáveis pelos nosso cientistas.

Um canalizador bem conhecido desta variedade é J. Z. Knight, que afirma canalizar o espírito de Ramtha, um homem de 30 mil anos de idade. Outros dizem canalizar espíritos de "futuras dimensões", mestres ascensos, ou, no caso dos médiuns em transe da Brahma Kumaris, Deus. Outros canais notáveis ​​são Jane Roberts (canal de "Seth"), Esther Hicks (canal de "Abraão") e Carla L. Rueckert (canal de "Ra").

Ainda que o que chamamos de Canalização exista há milhares de anos, provavelmente, devido à evolução da humanidade, o fenômeno vai sofrendo modificações e adaptações. A lista abaixo apresenta alguns exemplos do que podemos chamar de "canalizações modernas", ocorridas em várias doutrinas diferentes (cristã, mórmon, nova era, magia, etc.):

1828-1844 Livro dos Mandamentos (chamado "Doutrina e Convênios" nas edições mais antigas), por Joseph Smith Jr.

1880-1881 - Bíblia Oahspe, através de escrita automática, por John Ballou Newbrough

1900 em diante - A Tradição Cósmica de Max Theon e Alma Theon

1904 - Livro da Lei, por Aleister Crowley

1913-1918 - Em Direção à Luz, por Johanne Agerskov e publicado por Michael Agerskov

1952-1978 - Ashtar (um ser extraterrestre), por George Van Tassel

1953-1971 - Deus, por Eileen Caddy

1963-1984 - Seth, por Jane Roberts

1965-1972 - A Course In Miracles [Um Curso em Milagres], ditado por Jesus, por Helen Schucman (com a assistência de William Thetford)

1973–presente - Os Ensinamentos de Miguel, por Chelsea Quinn Yarbro

1977–presente - Ramtha, por JZ Knight

1981-1984 - Ra, por Carla Rueckert

1988–presente - Abraham, por Esther Hicks

1989–presente - Kryon, por Lee Carroll

1991-2005 - Deus, por Neale Donald Walsch

1992-presente - Arten e Pursah, por Gary Renard

1997–presente - Tobias, por Geoffrey Hoppe

No Brasil, a extinta Revista Amaluz, publicada na década de 1990, ajudou a divulgar a Canalização por aqui, pois muitos dos canalizadores dos EUA apareceram nela. Alguns brasileiros, também. Ali, era possível se ler canalizações de entidades como Bashar, Luz Pleiadiana, Tsade Diesté, Gaia, Os Nove Senhores do Tempo, P'taah, Sananda, Assembleia de Luz, Kuthumi, Salem, Germane, O que fala muitas Verdades, Obehon, etc. Em 2000 a revista encerrou suas publicações.

Nesta época, mais especificamente por volta de 1995, também comecei a tornar públicas algumas das canalizações minhas através de meu mentor principal, Danea Tage, além de alguns outros. Depois de cerca de 14 anos ministrando o Curso de Canalização, muita gente já conhece o assunto no Brasil, e ele já não causa mais tanta estranheza como antes. Digo isso, porque Canalização é um fenômeno que se processa fora das casas espíritas convencionais, onde a mediunidade é entendida como algo que não se pode praticar fora. Canalização não funciona assim! Qualquer pessoa pode canalizar, se estiver preparada, mesmo que não seja em um centro espírita. Devemos entender estas diferenças e respeitá-las. Os canalizadores dos EUA, em geral, canalizam para grandes públicos ou mesmo em atendimentos particulares. É o processo que utilizo há anos.

Na Revista Amaluz (nºs 119 e 120), no artigo intitulado "Saved by the Light" [Salvo pela Luz], de Dannion Brinkley e Paul Perry, (nº 119, pág. 127 e nº 120, pág. 30), aparece uma das primeiras definições do que é Canalização em Português, bem como uma diferenciação clara entre Canalização e Mediunidade (os grifos são meus):

"Neste século a canalização passou por grande transformação. Hoje em dia já não é mais necessário ter um intermediário que sirva de ponte entre uma pessoa e Deus. A canalização não exige necessariamente que o canal entre em estado de transe, voltando sem nenhuma lembrança ou responsabilidade sobre o que vem através dele.

(...) Uma importante distinção precisa ser feita entre canalização e mediunidade. O termo "mediunidade" é freqüentemente usado em lugar de "canalização". Mediunidade é um termo mais antigo e canalização vem sendo usado principalmente desde a década de sessenta. Ambos significam sintonizar finamente em um mostrador (dial) específico no espectro eletromagnético (semelhante a um rádio), que permite a conexão com outras partes de nós mesmos, com a Fonte e com outras entidades. Pode-se ser ou um médium ou um canal; algumas pessoas são ambos.

Tanto a mediunidade quanto a canalização são co-criações, embora existam diferenças entre elas. Gosto desta explicação, e a compartilho aqui com vocês com a permissão de um de meus instrutores, Shawn Randall, canalizando Torah: "Canalização é quando se está fornecendo um serviço de aconselhamento, ensinamento ou cura, para si mesmos e para os outros. Mediunização é prestar um serviço para entidades espirituais que têm suas agendas (intenções) específicas."

A canalização permite que nos abramos para conectar com nosso próprio Eu Superior (nossa própria essência) e com a Fonte. Ela permite que uma amorosa entidade se expresse através de nós. O foco dessa entidade é compartilhar a sabedoria, o conhecimento, a ajuda através de conselhos, a cura, o auto-poder e outras formas de criatividade que beneficiam o canal e também a humanidade como um todo. Os canais também são abastecidos de informações por um mentor, telepaticamente, sem estar completamente em transe. Canalizar é compartilhar energias, uma criação de novas energias, e um processo reflexivo, no qual o canal, o auditório, e até o ser que está sendo canalizado, estão recebendo muito desse processo.

Mediunidade é a forma de canalização que permite que nos comuniquemos, ou que canalizemos diretamente, energias astrais que desejam comunicar mensagens para membros da família ou que desejam ou pedem ajuda para se transformar e fazer a transição de uma dimensão para outra, ajudando em seu crescimento. Esses espíritos têm suas próprias agendas. A mediunidade ao longo dessas linhas é uma prática muito específica e às vezes exige que se trabalhe com outros médiuns a fim de realizar a tarefa.

Seja canalização ou mediunidade, a energia atrai energia semelhante. Assim, seja qual for nosso sistema de crenças, focos ou agendas escondidas ou abertas, é isso que atrairemos em nossa prática."

Muito esclarecedor, com certeza! Esta definição deixa claro que a principal atividade da Mediunidade é a comunicação com os falecidos, enquanto que a Canalização se volta mais para cura, ensinamentos espirituais em geral, aconselhamento e empoderamento do ser. Ou seja, são duas atividades com objetivos específicos.

Um comentário:

  1. ESCLARECIMENTO!

    Devido a alguns comentários de pessoas desinformadas sobre o assunto tratado neste artigo, declaro o seguinte:

    O artigo, em nenhum momento, desmerece a doutrina de Allan Kardec. Apenas situa as coisas nos seus devidos lugares e estabelece as diferenças entre a mediunidade espírita (especificamente a "kardecista") e a canalização, na modalidade praticada nos EUA. São duas visões diferentes das mesmas capacidades psíquicas do ser humano. Afinal, a doutrina de Kardec não pode pretender ser a dona da verdade no tocante ao assunto "mediunidade", "canalização" ou potenciais psíquicos do ser humano. Respeito muito o Kardecismo, que pratiquei décadas atrás, mas tenho consciência disso. Espero que entenda meu posicionamento como quem está praticando Canalização (Channeling), não mediunidade espírita kardecista. Meus artigos estão aí para informar as diferenças. Cabe às pessoas entenderem ou não, aceitarem ou não, mas respeitarem, com certeza!!!

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