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sábado, 6 de agosto de 2016

O que canalizamos, afinal?


Por Paulo Stekel

Esta é uma dúvida geral. Muitas pessoas querem saber exatamente o que se canaliza, se há incorporação, transe ou o que. Este artigo é uma resposta à pergunta feita por um membro do grupo de Canalização que mantenho no Facebook. Eis a pergunta do Gustavo:

Afinal o que se canaliza ou "incorpora"? Uma consciência (espírito) que já habitou este planeta? Uma consciência de outro planeta? Uma vibração? Uma energia? Uma forma-pensamento? Uma egrégora? É um insight nosso de elevação da percepção da consciência? Ou todas as alternativas podem estar corretas?” (Gustavo)

Primeiramente, temos que entender o que se quer dizer com o termo “incorporação”. É um termo mal-compreendido. Originalmente, desde o Séc. XIX, era usado porque se entendia que algo espiritual “entrava” no corpo, ou seja IN-corporava. Associado a isso, se tinha a ideia de que o médium, uma vez incorporado, era um mero instrumento passivo de um espírito ou entidade, e isso mereceu críticas severas, por exemplo, dos adeptos da Teosofia.

A visão da Canalização é um pouco diferente. Nela, não se imagina que algo “entre” no corpo. Apenas uma comunicação mental, por frequências, é o que ocorre, sem que algo precise entrar no corpo. Há uma sintonização, não incorporação.

A questão é simples: no Séc. XIX, quando a Mecânica Quântica (popularmente, Física Quântica) ainda não existia como teoria, a única explicação possível para o processo de como um espírito tomava conta da consciência de um médium era a de que algo entrava no corpo e afastava seu perispírito para poder se manifestar. Mas, no final, isso é um resquício do materialismo e da lei que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.

Numa visão quântica as coisas mudam, pois a mente e a consciência são consideradas eventos não-locais. Então, o corpo não precisa ser tomado de fato para que uma comunicação ocorra. Tudo acontece em nível mental. Nada é afastado. É uma questão de frequência sintonizada, como uma estação de rádio. Contudo, essa explicação só passa a fazer sentido após os estudos sobre eletro-magnetismo e aspectos quânticos dos átomos. Não poderíamos exigir isso dos primeiros médiuns, no Séc. XIX. Mas, o conhecimento espiritual sempre tem se adaptado aos tempos, e agora podemos entender tudo de um modo mais claro.

No Brasil, a noção de “incorporação” está mais associada ao grau de profundidade do transe mediúnico. Se diz que há incorporação quando o médium recebe um espírito mais pesado, que o faz apresentar alterações corporais, ficar inconsciente, arrastar-se no chão, mudar totalmente a voz ou, no caso da Umbanda, girar desenfreadamente. Quando nada disso ocorre ou ocorre apenas de um modo leve, se convencionou dizer que não há a incorporação, mas um transe leve, em que o médium se mantém basicamente consciente do processo. Para quem conhece Canalização, estes aspectos têm apenas a ver com o grau de consciência do médium e com o nível evolutivo da entidade sintonizada. Há canalizações em que ocorre um transe mais profundo, outras em que ele é leve e outras em que ele praticamente inexiste e quase não se nota diferença quando é o canal ou a entidade que está se comunicando.

Há casos em que uma entidade muito inferior abafa a consciência do médium/canal por força de sua baixa frequência. Mas, há também casos em que uma entidade muito elevada abafa a consciência do médium/canal por força de sua alta frequência. Cada caso é um caso. Não se pode julgar ou sentenciar sem conhecer cada situação específica, pois a energia espiritual não pode ser medida como se fosse algo material por um instrumento. Há um componente mental incrivelmente complexo envolvido.

Então, para finalizar este ponto, “incorporação” é um termo inadequado hoje em dia mais porque não reflete o que realmente acontece do que por ser algo que ocorra. Nada “entra” no corpo, afinal.

Quanto ao que se sintoniza, seja pela mediunidade, seja canalização, o leque de entidades pode variar bastante. Nós, seres humanos, podemos captar em nossa consciência comum um certo espectro de frequências onde fluem outras consciências, sejam humanas ou não, sejam desencarnadas ou não. O fenômeno que chamamos de mediunidade ou canalização é uma ampliação deste espectro no tocante à percepção consciente das energias que o habitam.

De fato, há um século, nos referíamos com o termo “espírito” ao que hoje se acostumou mais a chamar no Brasil de “entidade” e, no mundo da nova espiritualidade, de “energia”, “consciência” ou “mônada”, dependendo do caso.

O termo “espírito” traz em sua etimologia a noção de “sopro, vento”. “Entidade” traz a noção de um ser, uma unidade de vida. Mas, o termo “consciência” talvez seja o mais adequado atualmente, pois traz a noção de um ser (encarnado ou não, com corpo ou não) que possui a propriedade da autorreferência, de se perceber como “alguém” no Universo, independente de ter um corpo físico ou não, de um dia ter sido “encarnado” ou não. Nesta nova percepção, entendemos o universo como sendo pleno de “consciências” de todos os tipos habitando planetas, dimensões e universos paralelos, cada tipo com suas especificidades, e a maior parte destes tipos não sendo sequer compreendido minimamente por nós, por nem sabermos de sua existência e nem os podermos localizar no espaço multidimensional.

Então, quando canalizamos, podemos estar contatando vários tipos de consciências. Algumas podem, sim, ter habitado nosso planeta, recentemente ou há muito tempo. Podem ser consciências que um dia habitaram corpos de ancestrais nossos (os falecidos). Podem ser consciências elevadas (espíritos de luz). Podem ser consciências de outros planetas, de outros planos e de universos paralelos (os chamados “seres cósmicos” ou “consciências cósmicas”). Outras podem ser formas-pensamentos geradas pelo médium/canalizador ou por pessoas que ele atende, e que se manifestam como se fossem “entidades”. Podem ser vibrações sentidas pelo médium/canalizador que ele interpreta como sendo “entidades”, mas que são apenas padrões energéticos captados a partir da aura de uma pessoa que é atendida ou de alguém presente. Pode ainda ser uma egrégora pertencente a um determinado grupo, sendo uma egrégora uma forma-pensamento coletiva que, no astral, adquire “vida” e pode existir por milhares de anos, se comportando ao ser sintonizada por um psíquico como se fosse uma “consciência/entidade/espírito”.

Quanto à possibilidade de uma “consciência” ser um insight nosso de elevado nível de consciência, isso tem a ver com a sintonização de nosso Eu Superior, um aspecto nosso que inclui uma mente transracional, um aspecto intuicional e um nível consciencial em que o conhecimento cósmico simplesmente brota sem ter sido aprendido. Neste caso, que é raro, mas acontece, o canalizador acessa seu próprio Eu Superior como se fosse uma “entidade”, atribui um nome a ela e transmite as mensagens. No final, é uma “consciência” no sentido que definimos até aqui, mas especificamente uma “consciência mais elevada” de si mesmo. Seu Eu num nível mais elevado, não racional, mas transracional (além do racional).

Como saber qual destas opções se manifesta quando estamos diante de um médium ou canalizador em trabalho, depende de observar e estudar o caso específico. No caso dos espíritos de luz das sessões espíritas, nem sempre sabemos a origem dos mesmos, e qualquer das alternativas acima pode ser o caso. No caso das sessões de umbanda, especialmente umbanda esotérica, muitas entidades podem ser bem elevadas, de um nível chamado “nirmanakaya” nos livros de Roger Feraudy (em “Umbanda, Essa Desconhecida”, por exemplo) e outros desta linhagem umbandística. Traduzindo, muitas entidades que são sintonizadas em Umbanda Esotérica podem estar quase ao nível de um Buda, na visão dos autores desta prática mediúnica.

Para encerrar, devemos entender que o que se canaliza depende de dois fatores, um externo e um interno.

O fator externo tem a ver com a estrutura coletiva da prática mediúnica ou de canalização (sessão espírita kardecista, linha de Ramatís, Umbanda, apometria, cultos afro-brasileiros, etc.), que é a que determina a “roupagem” que as consciências sintonizadas vão adotar. Esta roupagem é uma limitação, sim, mas é algo útil para a manifestação psíquica e permite que a mensagem seja comunicada.

O fator interno tem a ver com a estrutura individual da prática mediúnica ou de canalização, o que significa dizer que é a forma interna real como acontece na ou através da mente do médium/canal antes do encaixe em qualquer “roupagem” externa.

Poderíamos dizer que o fenômeno chamado mediunidade está mais preocupado com as roupagens das entidades, enquanto que a versão da Canalização não se preocupa muito com isso. Tanto que é muito comum, pela canalização, a manifestação de consciências sem forma que não possuem nomes, nunca possuíram corpo, nunca encarnaram, mas possuem um conhecimento universal fantástico. Algumas delas podem, sim, ser aspectos dos Eus Superiores dos canalizadores mas, neste caso, são aspectos do melhor deles, e orientadores adequados para a humanidade em seu estágio atual.

Só para dar uma ideia do tipo de consciências que se pode canalizar ou sintonizar (a lista não se esgota aqui): espíritos da natureza (elementais), Eu Superior, deidades (de várias culturas: afro-brasileiras, asiáticas, etc.), devas, mestres, discípulos, anjos, cristais, consciências coletivas animais e vegetais, energias sem forma, consciências extra-planetárias (extraterrenos, intraterrenos e interdimensionais), logos, mente universal, inconsciente coletivo, registros akáshicos, desencarnados, entidades não-físicas ou mesmo animais e animais de estimação, etc. Uma lista mais especificada provavelmente ocuparia algumas páginas de texto!

Uma das sugestões que dou a quem deseja saber a origem real das entidades é perguntar diretamente a elas. O próprio médium/canal pode perguntar a suas entidades/consciências qual a origem delas. Isso facilitará a compreensão do processo e a abertura aos ensinamentos que estas consciência trazem à humanidade. O universo pulula de vida, e não apenas vida biológica. Para nós, vida tem a ver com consciência, não com matéria. Sendo assim, cada centímetro cúbico do universo possui vida em alguma modalidade e em múltiplas dimensões. Devemos entender e aceitar isso de uma vez por todas!


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