Sobre o blog

Músicas, Livros, Cursos, Atendimentos, Budismo e Nova Espiritualidade. Blog de Paulo Stekel com todas as novidades do seu trabalho como músico, escritor, instrutor e pesquisador da Espiritualidade Universal. Confira os livros disponíveis, seus álbuns musicais já lançados, a lista de cursos à disposição e os atendimentos. ***** Contato: pstekel@gmail.com ***** © 2014 Paulo Stekel – todos os direitos reservados - all rights reserved

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Amor-Alma ao vivo - Stekel e Vanessa Castro





Versão ao vivo da música "Amor-Alma" (Stekel), em duo de Stekel (Florianópolis - SC) com Vanessa Castro (Arroio do Tigre - RS), realizado durante evento na cidade de Segredo - RS, em 27/10/2016.



Confira o clip da versão original de Amor-Alma em https://www.youtube.com/watch?v=sxi3FC5iHQM



Confira a versão 2011 de Amor-Alma em https://www.youtube.com/watch?v=T0w_anFaNxw

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Se você não quer mais problemas, não busque a Espiritualidade!


Por Paulo Stekel (Pema Dorje)

Este texto pode parecer uma afirmação, mas na verdade é uma reflexão. Ouço o tempo todo pessoas entendendo equivocadamente a proposta da espiritualidade ou, melhor dizendo, das “espiritualidades”, especialmente a modalidade que chamo de Nova Espiritualidade.

Muitas pessoas pensam em uma busca espiritual como uma barganha com Deus, Buda, seres de luz, anjos, ou o que os valha. Na verdade, elas pretendem estar deixando a visão materialista para praticar algo espiritual, mas continuam com os mesmos conceitos materialistas, agora travestidos de uma suposta elevação espiritual, sutilização do ser e amor incondicional. Muitas vezes, isso é pura balela do ego para continuar no domínio, uma armadilha urdida com perfeição para que o buscador se imagine “salvo” em suas crenças e se sinta seguro para julgar os outros, que não pensam como ele.

Vejo muita gente julgando o outro o tempo todo. Julgam o que acontece aos outros como se a busca da espiritualidade fosse retirar os problemas de nossa frente num piscar de olhos. Não é assim que a coisa funciona.

Em primeiro lugar, quando passamos a praticar espiritualidade, mantemos nosso livre-arbítrio, e isso traz consequências. O fato de sermos “praticantes” significa que estamos buscando, não que já encontramos ou que atingimos a perfeição. Na verdade, em 99,99999....% dos casos, com certeza, não!

Em segundo lugar, Deus, Buda, os seres de luz, anjos, mentores, etc., presentes em cada proposta espiritual, não podem se sobrepôr ao nosso próprio Carma, retirando-o simplesmente ou absorvendo-o por osmose. Nosso carma é nosso carma. Ele vem sendo gerado há vidas sem conta e terá que, invariavelmente, ser vivido. No que nossa busca espiritual vai ajudar neste sentido é no modo como encaramos o que nos acontece por instância cármica. Se nos revoltamos, sofremos mais e o carma pode aumentar; se compreendemos o propósito do que acontece, podemos dissolver o carma pelo aprendizado envolvido ter sido acessado.

Grandes Mestres da humanidade sofreram doenças terríveis, mas a diferença com relação a qualquer um de nós é que para eles estava tudo bem. Eles entendiam o propósito do que lhes ocorria. O sofrimento de Cristo na Cruz reflete bem esta consciência. A doença de Ramakrishna - um câncer na garganta - também. Até o alcoolismo de Chogyam Trungpa, o lama tibetano que foi o maior responsável pela vinda do Budismo Vajrayana (popularmente chamado Tibetano) para o Ocidente, reflete isso. Todos eles entenderam que a doença é um mestre poderoso.

Mas, não apenas a doença, as dificuldades gerais da vida são mestres poderosos, e ao buscarmos a espiritualidade, em princípio, a única coisa que muda é nossa compreensão destas dificuldades. Elas não nos são retiradas como por encanto ou impedidas de se manifestar. Quem pensa que isso pode ser assim, não entendeu nada de espiritualidade. É preciso entender que a paz, a estabilidade, a ausência de problemas, num mundo regido pelas leis cíclicas e pela impermanência, é algo impossível. Um ser de luz, um bodhisattva (um quase Buda) só deixa de ter “problemas” quando atinge o Despertar Definitivo. Até lá, ainda se vê às voltas com as armadilhas da própria mente. E, o que resta para nós, simples mortais, então? Há muito Caminho pela frente, muita prática e muitos mestres-dificuldade para encontrar.

O julgamento do outro é uma das atitudes que causa maior atraso no caminho espiritual. Deixar de observar seu próprio trilhar para observar de modo indiscreto o caminho alheio é uma forma de “fofoca espiritual” que, além de gerar carma, atrasa o desenvolvimento e o cultivo de uma mente saudável.

O julgamento do caminho espiritual do outro, além de uma falha ética, é um preconceito evidente. Ninguém pode realmente saber qual é o desenvolvimento e a elevação espiritual de uma pessoa apenas observando-a de fora. Podemos estar diante de um verdadeiro mestre espiritual e não sorvermos nada da energia dele porque estamos imersos em preconceitos sobre como DEVE ser uma pessoa espiritualizada.

Uns dizem: “Ah, como ele pode ser espiritualizado e passar por problemas pessoais?”, “Como pode ter ficado doente?” “Como pode estar com câncer?”, “Como pode ter se separado da esposa ou marido?”, “Como foi assaltado, agredido, ter sofrido atentado, quase sido assassinado, etc.?” Como, como, como...?

Pessoas que julgam desta forma ainda não encontraram a verdadeira sombra humana, nem caíram em suas garras... Quando seus carmas amadurecerem, não perceberão que todos padecem de dores relativas a atos antigos, desta e de outras vidas. Não percebendo, continuarão caindo nas armadilhas do ego, julgando, caindo e sendo infelizes. Mas, os verdadeiros buscadores, em seu desapego, independente do que lhes ocorra, saberão enfrentar as sombras e sair ilesos em suas almas das consequências aparentes, externas, que aos incautos e ignorantes amedronta tanto.

Não existe nenhuma fórmula mágica ou antídoto definitivo contra o sofrimento que não o atingimento da Perfeição espiritual, que uns chamam Iluminação, Despertar ou Liberação. Até lá, estamos todos no mesmo barco e o que deveríamos fazer é compreender o outro com muita boa vontade. Este compreender também implica respeitar o livre-arbítrio do outro, o que significa que, se a única coisa a se fazer, é o afastamento, que assim seja. Que ninguém precise aviltar sua própria alma na vã pretensão de uma compaixão ou solidariedade irrealista que a ninguém educa. Para almas endurecidas e impermeáveis ao amor, o melhor é o afastamento quando as ligações se tornam tóxicas ou perigosas. Ficar se envolvendo em intrigas alheias não é o ideal para quem busca o caminho espiritual. Que cada um resolva, primeiro, suas próprias intrigas criadas pelo ego e olhe para o outro com serenidade e amor.

A busca espiritual ajuda na compreensão das dificuldades, dá mais serenidade para se passar pelos momentos de testes e de crises, nos faz perceber melhor quem são nossos amigos e apoiadores e nos dá intuição para nos afastarmos dos maus amigos. Isso, sim, é conquistado com a prática espiritual. Agora, se você quer buscar a espiritualidade para que ela lhe deixe completamente sem problemas, então você não aprenderá mais nada, pois são as dificuldades que nos fazem humanos, e são elas, à medida que são superadas, que nos farão um sobre-humano ou, nas palavras do Buda, um verdadeiro ser humano, um Desperto. Então, sem dificuldades, sem evolução; sem dificuldades, sem crescimento; sem dificuldades, sem Perfeição!

Se você não quer problemas, não busque a espiritualidade. Busque alguma outra coisa que lhe prometa facilidade, milagres e paz contínua. Mas, sinto lhe dizer que será decepcionante em pouquíssimo tempo! Espiritualidade não é para se ficar rico, para não se ter doença alguma e muito menos para se adquirir algum poder sobre os outros. Isso, na verdade, nada mais é do que puro “materialismo espiritual”, como dizia o lama Chogyam Trungpa. Isso não significa que os ensinamentos não mereçam compensação para a sobrevivência dos instrutores, que o trabalho espiritual realizado em atendimento no qual o tempo é dedicado às pessoas não possa ser compensado financeiramente, nem que alguém não possa dedicar cem por cento de seu tempo às coisas espirituais. O problema não está nisso, mas no apegar-se a isso como se fosse uma carreira material. A dedicação espiritual é mais profunda que a dedicação a uma profissão. É algo que vem da alma, não da razão. Vem de uma convicção interna e não de uma decisão externa baseada em perspectivas de ganho. Ou seja, a verdadeira prática espiritual também não é antídoto contra problemas financeiros. Com certeza, não!

Se alguém julga o nível espiritual de alguém por seu sucesso financeiro, o que resta para o Cristo, que vivia com seus discípulos dependendo das doações das pessoas o tempo todo? Se alguém julga o nível espiritual de alguém por sua condição miserável, o que resta para o Buda, que era um príncipe muito próspero? Não é isto o que importa, mas o desapego que ambos possuíam, independente do que tinham. Podemos fazer isso, também, tenhamos o que tenhamos.

Quem quer ser um “carreirista” da espiritualidade, que não a busque. Procure uma carreira material promissora. Quem quer ser um espiritualista de verdade, incorpore a espiritualidade ao seu dia a dia, a cem por cento de suas ações, incluindo seu trabalho profissional. O que importa é o que vai dentro do coração.

Alguns citam muito a frase “Dai de graça o que de graça recebeste”. Ok. Mas, se não saiu de graça, deve haver uma compensação mínima. A compensação para os ensinamentos do Cristo era dada na hospedagem a ele e seus discípulos, alimentação, vestuário, etc. Então, não era tão de graça assim! Muitas pessoas usam este argumento distorcido para receberem sem qualquer compensação ou responsabilidade o conhecimento espiritual, que logo depois, nem sequer valorizarão. Mikao Usui, o sintonizador do Reiki, percebeu muito bem isso, e passou a pedir uma compensação para a iniciação e a aplicação desta técnica. Entre os tibetanos e indianos também era – e ainda é – comum a doação de valores consideráveis aos mestres antes de se receber ensinamentos. Dentro de um bom senso, desde que ninguém seja impedido de fazer algo simplesmente porque não tem meios financeiros, creio que se pode pedir compensação pelo ensinamento espiritual. Mas, sem falsas promessas de que os problemas desaparecerão da vida do praticante logo em seguida. A prática é a verdadeira distância entre o sofrimento e a compreensão do sofrimento. Desta compreensão é que surge a dissolução do sofrimento e a saída do ciclo vicioso de nascimento, doença, morte e renascimento.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Stekel no Programa VIDA INTELIGENTE - CABALA





Participação de Paulo Stekel no programa Vida Inteligente, de Eustáquio Patounas, no dia 13 de outubro de 2016, falando sobre CABALA. Uma hora e meia de uma entrevista que é praticamente uma palestra sobre o tema. Confiram!

E, quem quiser ler o artigo citado no começo da entrevista, de minha autoria, e que fala sobre Pseudo-espiritualidade, confira aqui: http://revistahorizonte.blogspot.com.br/2007/04/nova-era-e-pseudo-espiritualidade-verso.html 

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O que é Cabala - uma introdução

Por Paulo Stekel



Uma Tradição é um conjunto de cultura, usos e costumes de uma determinada cultura, civilização, religião, etc.

Uma Tradição Espiritual é um conjunto de ensinamentos relativos a determinada crença, fé ou religião.

Uma Tradição Mística é um conjunto de ensinamentos espirituais de uso mais reservado, restrito, destinado a um círculo mais seleto.

Neste último sentido, Cabala é uma Tradição Mística, enquanto o Judaísmo, onde ela foi expressa, é uma Tradição Espiritual. A religião judaica compreende o aspecto externo, “exotérico”, desta espiritualidade. A Cabala compreende o aspecto interno, “esotérico”, da mesma espiritualidade. O aspecto externo se baseia no dogma e na crença, onde nada pode ser mudado, apenas aceito. O aspecto interno se baseia na experiência mística, a experiência do próprio praticante no silêncio de seu coração, experiência esta que pode envolver recitação, oração e meditação. Vemos isso em várias tradições. A Cabala não é diferente.

A palavra Cabala, originalmente em Hebraico, QBLH – se translitera Qaballah e se lê “cabalá”, provém do verbo hebraico Qibbel ("aceitar, receber, tomar algo") e, neste sentido, significa Tradição. Assim, Cabala era, no início, uma tradição espiritual dos hebreus que vinha desde Moisés, sendo oral, passada de pai para filho (e de mestre para discípulo) ao longo dos séculos. Antes de ser chamado de Cabala, o estudo dos Mistérios da Torah (A Lei judaica consignada nos cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco), foi conhecido pelo nome de Mistorin (“mistérios”, uma corruptela do grego mysterion).

Em princípio, a Cabala (esta é a forma da palavra em português) versa sobre os cálculos místicos com os nomes e as letras (Cabala Simbólica), as Hierarquias de Anjos e Demônios e a transmigração das almas (Cabala Dogmática), as Sefirot, a Árvore da Vida e a Divindade (Cabala Metafísica). O ensinamento tradicional da Cabala é ao mesmo tempo Histórico, Moral e Místico.

Outra forma de definir do que trata a Tradição Mística da Cabala é através do Trinômio Deus – Homem – Natureza.

Deus (Mente Cósmica, Absoluto, Áyin, Divindade)
Δ
Natureza (Criação)                         Homem (Consciência)

A relação entre Deus e a Natureza trata da Criação do Universo (Ma'assê Bereshith – a Obra da Criação); a relação entre Deus e o Homem trata da Redenção (Ma'assê Merkavah - a Obra do Carro Celeste, o retorno ou ascensão ao Pai); a relação entre a Natureza e o Homem é a vida no mundo, o qual pode ser desfrutado, conhecido, controlado, modificado e adaptado pelo Homem, se tiver conhecimento de como fazê-lo. É nesta terceira relação que está a Magia Cabalística (Teurgia e Goetia), também chamada Ars Magna (A Grande Obra) e o uso da Numerologia para invocar aspectos divinos em nossa vida, para torná-la mais harmônica.


A Cabala não é uma fonte exclusivamente judaica. Historicamente, há provas suficientes de, pelo menos, cinco fontes de seu conhecimento: uma fonte egípcia (via Moisés), uma fonte Hebréia (via Patriarcas e Reis no período dos Reinos de Israel e Judá), uma fonte Babilônia (via Esdras durante o Cativeiro), uma fonte grega (influência da Filosofia em geral e do Pitagorismo em particular) e, quiçá, uma fonte árabe (especialmente a alquimia árabe). Assim, entendemos que a Cabala tem um quê de universalidade que casa bem com o gosto moderno pela integração dos conhecimentos. O pano de fundo da Cabala é judaico, mas seu conhecimento é universal!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Ação e Não-ação - sobre raiva e paciência

Por Paulo Stekel (Pema Dorje)



O que realmente importa nesta vida? Independente do que nos aconteça, independente do que nos façam, acho importante lembrar das palavras do santo budista Shantideva:

"Não existe mal maior que a raiva
Nem virtude maior que a paciência."

Só assim podemos aceitar os sofrimentos que nos são infligidos e suportar os problemas cotidianos. Se nossa paz mental não se perturbar, as coisas acontecerão, mas não as experienciaremos como problemas. Manteremos a paz interior e a tranquilidade que permitem as realizações espirituais.

A raiva é um grande perigo. Se não for dissipada, envenena aquele que a manifesta muito mais que aquele a quem é dirigida. Suportar a raiva de outrem requer paciência transcendental, muitas vezes. Quanto maior a raiva alheia, maior o trabalho de paciência.

Se lembrarmos que a agressão vinda de alguém com raiva é originada de sua ignorância básica sobre a essência da realidade, entenderemos que esta pessoa é manipulada por sua própria mente equivocada e, dentro desta visão limitada, não tem escolha.

Claro que tudo o que nos acontece é resultado de nosso Carma. Mas, este círculo vicioso pode ser cortado. Para isso, devemos aceitar de forma pacífica a ofensa alheia, por mais grave que seja. Assim, a corrente será quebrada e o débito cármico poderá ser saldado definitivamente. Ao aceitarmos a raiva e ofensa alheia, só colocamos mais combustível neste fogo consumidor.

Se lembrarmos como agiram seres como Buda, Jesus e outros, seres muito mais elevados que nós, e que sofreram infinitamente mais até atingirem os estados superiores, veremos como somos impacientes.

Mas, isso não significa que devamos permanecer diante do agressor raivoso quando percebemos que ele é impermeável ao diálogo, à compreensão e à tolerância. Seria suicídio. Afastar-se é o ideal, neste caso extremo. Vemos isso em relacionamentos abusivos, relações com pessoas tóxicas e aquelas de difícil convivência. É claro que estas pessoas precisam de ajuda, mas se continuam impermeáveis a ela, pouco podemos fazer estando próximos, já que isso pode acender ainda mais o fogo da raiva. Por que? Porque quando o ego se inflama, ele quer controlar. Quem se inflama já é controlado por seu ego e, inflamando-se contra outro, quer controlá-lo também. Se deixarmos isso nos pegar, se cairmos nesta armadilha, estamos perdidos.

Então, independente do que nos diga para fazer o aparente bom senso ou o senso comum das pessoas, devemos agir conforme nossa própria consciência do modo mais equânime possível, sem colocar mais combustível na raiva alheia - para que a nossa também não se inflame e cause um estrago ainda maior.

Afastar-se, não retaliar, recuar pacientemente, pode parecer uma não-ação, mas na verdade, é uma ação compassiva. Ela é o oposto da vingança, do ressentimento e da mágoa. Ainda que cada um aja conforme suas verdades, este conselho é o mesmo dado há milhares de anos por todos os grandes mestres espirituais. Tem um valor muito grande, é muito precioso.