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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Ação e Não-ação - sobre raiva e paciência

Por Paulo Stekel (Pema Dorje)



O que realmente importa nesta vida? Independente do que nos aconteça, independente do que nos façam, acho importante lembrar das palavras do santo budista Shantideva:

"Não existe mal maior que a raiva
Nem virtude maior que a paciência."

Só assim podemos aceitar os sofrimentos que nos são infligidos e suportar os problemas cotidianos. Se nossa paz mental não se perturbar, as coisas acontecerão, mas não as experienciaremos como problemas. Manteremos a paz interior e a tranquilidade que permitem as realizações espirituais.

A raiva é um grande perigo. Se não for dissipada, envenena aquele que a manifesta muito mais que aquele a quem é dirigida. Suportar a raiva de outrem requer paciência transcendental, muitas vezes. Quanto maior a raiva alheia, maior o trabalho de paciência.

Se lembrarmos que a agressão vinda de alguém com raiva é originada de sua ignorância básica sobre a essência da realidade, entenderemos que esta pessoa é manipulada por sua própria mente equivocada e, dentro desta visão limitada, não tem escolha.

Claro que tudo o que nos acontece é resultado de nosso Carma. Mas, este círculo vicioso pode ser cortado. Para isso, devemos aceitar de forma pacífica a ofensa alheia, por mais grave que seja. Assim, a corrente será quebrada e o débito cármico poderá ser saldado definitivamente. Ao aceitarmos a raiva e ofensa alheia, só colocamos mais combustível neste fogo consumidor.

Se lembrarmos como agiram seres como Buda, Jesus e outros, seres muito mais elevados que nós, e que sofreram infinitamente mais até atingirem os estados superiores, veremos como somos impacientes.

Mas, isso não significa que devamos permanecer diante do agressor raivoso quando percebemos que ele é impermeável ao diálogo, à compreensão e à tolerância. Seria suicídio. Afastar-se é o ideal, neste caso extremo. Vemos isso em relacionamentos abusivos, relações com pessoas tóxicas e aquelas de difícil convivência. É claro que estas pessoas precisam de ajuda, mas se continuam impermeáveis a ela, pouco podemos fazer estando próximos, já que isso pode acender ainda mais o fogo da raiva. Por que? Porque quando o ego se inflama, ele quer controlar. Quem se inflama já é controlado por seu ego e, inflamando-se contra outro, quer controlá-lo também. Se deixarmos isso nos pegar, se cairmos nesta armadilha, estamos perdidos.

Então, independente do que nos diga para fazer o aparente bom senso ou o senso comum das pessoas, devemos agir conforme nossa própria consciência do modo mais equânime possível, sem colocar mais combustível na raiva alheia - para que a nossa também não se inflame e cause um estrago ainda maior.

Afastar-se, não retaliar, recuar pacientemente, pode parecer uma não-ação, mas na verdade, é uma ação compassiva. Ela é o oposto da vingança, do ressentimento e da mágoa. Ainda que cada um aja conforme suas verdades, este conselho é o mesmo dado há milhares de anos por todos os grandes mestres espirituais. Tem um valor muito grande, é muito precioso.

2 comentários:

  1. Aqui está uma grande sabedoria. Farol para nos guiar no dia a dia, nas adversidades e atitudes indesejadas. Saber perdoar. Estar preparado para ajudar, ter sensibilidade para perceber se a ajuda é bem vinda. Sem gerar carma.

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  2. Na verdade, sem gerar MAIS carma, Lúcia. As relações humanas são muito complexas e geram carmas o tempo todo. Se pudermos dissolver este círculo vicioso, melhor. Que bom que gostou. _/\_

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